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Nutrição básica dos Equinos – Capítulo 1: Proteína

Nossa colunista Vanesa Mesquita está trazendo uma série de artigos sobre Nutrição de Equinos. Nesta primeira etapa, ela vai falar a respeito de cada um dos principais nutrientes que compõem a dieta do seu cavalo. E, na matéria a seguir, o assunto é a Proteína!
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A partir de hoje, vamos trazer conceitos sobre Nutrição básica dos Equinos. Nesta primeira série de artigos, falaremos a respeito de cada um dos principais nutrientes que compõem a dieta do seu cavalo. 

No artigo de hoje, vamos falar da proteína. 

A Proteína é um nutriente que tem com papel principal a deposição de tecido muscular, e é o segundo maior componente dos tecidos corporais do cavalo, atrás somente da água. 

As proteínas por sua vez são compostas de cadeias de aminoácidos. Para termos uma imagem de como o tecido é formado, é interessante comparar o tecido muscular como uma parede – essa parede é a proteína, e os tijolos que forma essa parede são os aminoácidos. Há diversos tipos de aminoácidos, e a combinação entre eles é que faz uma proteína ser diferente da outra. Como em toda construção, o que dita a qualidade da parede é a qualidade desses tijolos…Por isso precisamos incluir proteínas que sejam feitas de bons tijolos, ou seja, com um bom perfil de aminoácidos. 

Os aminoácidos são divididos em essenciais e não essenciais. Os essenciais são aqueles que o cavalo não consegue produzir e precisam ser fornecidos pela alimentação. Os não-essenciais são os que o próprio cavalo produz a partir de outros nutrientes e por isso não há necessidade de incluir na dieta. Então, um bom alimento é aquele que é rico nos aminoácidos que são essenciais. 

Isso quer dizer que nem proteína é igual, e que a fonte de proteína usada nos alimentos é mais importante que o nível ou a porcentagem de proteína que ele tem. Por exemplo, o farelo de trigo, que é uma excelente fonte de fibra, tem cerca de 15% de proteína, mas é uma proteína com baixa inclusão de aminoácidos essenciais. 

A proteína, como já dissemos, é o principal nutriente para a deposição de tecido muscular. Portanto, ela tem um requerimento muito maior em potros em crescimento, que estão desenvolvendo sua musculatura diariamente a uma velocidade altíssima, e éguas em final de gestação e início de lactação, que precisam de proteína para o desenvolvimento de feto e para sustentar a produção do leite. 

Quando o assunto é cavalo adulto, a necessidade de proteína é bem menor. Cavalos atletas, por exemplo, têm seu requerimento de proteína aumentado em apenas 15%, mas a necessidade de energia aumenta quase 90% comparado a um cavalo em manutenção. 

O cavalo de halter ou conformação, por ter uma necessidade de musculatura mais desenvolvida, tem um pouco mais de necessidade de proteína que um animal de salto, tambor ou corrida. Nesse caso, o uso de um pouco de alfafa ou de um concentrado proteico pode ajudar no ganho de massa muscular. 

Já os cavalos de performance em treinamento e competição, têm requerimentos proteicos menores, uma vez que a proteína necessária para repor eventual reparação de tecido muscular são pequenas e uma dieta equilibrada à base de feno de gramíneas e uma ração que contenha entre 10 e 12% de proteína atendem com folga esses requerimentos. 

O excesso de proteína em cavalos adultos, principalmente aqueles que treinam e competem intensamente, pode ser prejudicial por dois motivos: primeiro, o organismo perde eficiência na geração de energia a partir de fontes mais importantes como a glicose e a gordura; e segundo, o cavalo desgasta seu sistema renal para eliminar o excesso de proteína. Além desses dois motivos, ainda existe o fato de que a eliminação da proteína em excesso aumenta a produção de amônia, que promove um forte odor na urina e pode também irritar o sistema respiratório dos animais mantidos em cocheiras. 

Em potros jovens, o excesso de proteína foi, durante muitos anos, apontado como o culpado por doenças ortopédicas como desvios angulares e deformidades flexurais. Entretanto, cientificamente essa ligação não existe. O excesso de energia, na verdade, é o grande culpado, promovendo um ganho de peso excessivo ou muito acelerado, que causa pressão sobre as articulações e tendões, causando os desvios e deformidades. 

Por isso, tenha em mente que dietas ricas em proteína são destinadas a animais em crescimento ou éguas em final de gestação e lactação, e que cavalos adultos têm necessidades proteicas reduzidas, requerendo mais energia para realizar as atividades físicas. 

Crédito da foto: Divulgação/Canva

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