Potros em Crescimento: Fatos, mitos e otimização

Como obter crescimento sadio nessa fase e garantir um futuro atlético de longa duração
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Potros crescem rapidamente. Dependendo da raça, a taxa de crescimento é ainda mais acentuada até os 12 meses, como acontece com raças precoces como o Puro Sangue Inglês e o Quarto de Milha.

As taxas de ganho de peso chegam a quase 2 kg por dia nos primeiros dois meses de vida, e a diferença nos potros é praticamente percebida de um dia para o outro. A seguir, vamos falar sobre o que é fato nessa fase, e sobre como podemos obter um crescimento sadio e que garanta um futuro atlético de longa duração.

Ganho de Peso

Equinos em crescimento atingem 46% de seu peso adulto aos 6 meses de idade, e com 12 meses chegam a 65% de seu peso final, que será completamente atingido por volta dos 24 meses. O ganho de peso é determinado primariamente pela genética, e é grandemente influenciado pela alimentação, mais especificamente pela quantidade de energia presente na dieta dos potros. Quanto mais energia, mais acelerado será o ganho de peso. Enquanto é desejável que os potros recebam uma alimentação balanceada e rica em nutrientes, o excesso de energia pode gerar um ganho de peso excessivamente acelerado, o que provoca a compressão das placas de crescimento dos equinos em formação. Essas placas, chamadas de “epífises”, são responsáveis pela produção de células ósseas que sustentam o crescimento dos ossos. Quando pressionadas pelo excesso de peso, essas placas podem inflamar, gerando uma condição conhecida como “epifisite”, que pode causar graves problemas para o potro em desenvolvimento.

Durante décadas, e até hoje, o excesso de Proteína na dieta foi atribuído à incidência de epifisites, o que nunca foi evidenciado cientificamente. O excesso de energia, entretanto, pode ser facilmente comprovado como agente causador da alta incidência de epifisites. Além disso, alguns minerais têm importância vital para o sadio crescimento dos ossos e estruturas de sustentação como tendões e cartilagens, como o Cálcio, o Fósforo, o Zinco e o Cobre. Estudos comprovaram que não somente potros deficientes em Cobre, como éguas que gestaram potros numa dieta deficiente neste mineral, geraram produtos com maior probabilidade de desenvolvimento de doenças ortopédicas.

Sendo assim, é importante monitorar o crescimento dos potros e balancear suas dietas de modo a atingir suas necessidades, sem exagerar, principalmente na energia.

Crescimento em altura

O crescimento em altura também está intimamente ligado à alimentação e, é claro, à genética. Todo potro nasce com uma altura pré-determinada por seu código genético, e nosso papel é fazer com que receba todos os nutrientes para que ele desenvolva 100% desse potencial.

No entanto, nenhuma suplementação fará com que um potro com genética para estatura mediana atinja uma altura acima daquela que sua genética dita.

É muito comum que as pessoas passem a prestar mais atenção aos potros após o desmame ou, em alguns casos, até mais tarde, próximo dos 12 meses. Nesse momento, quando o criador percebe algum potencial no potro, e nota que sua altura está abaixo da média, vem a vontade de entrar com uma alimentação ou suplementação que o faça ganhar altura. Isso é particularmente comum nas raças que exigem um mínimo de altura para inclusão no registro oficial. Em muitos casos, gastam verdadeiras fortunas em suplementos e oferecem quantidades de ração e volumosos ricos como o feno de alfafa, na esperança de conseguir um ganho em altura acelerado. E, na maioria dos casos, acabam frustrados por não ter o resultado esperado. Pelo contrário, a superalimentação pode inclusive predispor os potros aos problemas ortopédicos citados anteriormente, agravando a situação.

Potros atingem cerca de 80% de sua altura adulta com apenas 6 meses, e com 12 meses chegam a 95%, e os 5% finais são obtidos até cerca de 4 anos.

Quanto mais tarde a atenção à dieta for iniciada, menos chance se tem de conseguir fazer com que os potros atinjam de fato sua altura potencial. As placas de crescimento (epífises), responsáveis pelo crescimento dos ossos em comprimento e, consequentemente, pela altura do potro, permanecem ativas até aproximadamente os 18 meses, mas tendem a reduzir sua atividade a partir dos 12 meses. Isso dificulta o processo de recuperação da altura nessa idade.

Por isso, quanto mais cedo nos preocuparmos com uma alimentação balanceada para o crescimento dos potros, maior chance de que ele atinja sua altura potencial e menores os riscos de problemas ortopédicos, sem mencionar a economia que se faz por não precisar recorrer a um regime de suplementação mais tarde, que nem sempre traz os resultados esperados. No caso dos equinos, o “mais cedo” vai além do potro em si: a atenção à nutrição equilibrada deve começar na gestação, durante a formação do potro. Garantir que as éguas gestantes recebam uma alimentação balanceada quanto à proteína, energia, vitaminas e minerais é fundamental para assegurar potros que terão uma fase inicial de crescimento sadia e equilibrada. Isso é especialmente verdade durante o terço final de gestação, quando ocorre 70% do desenvolvimento do feto.

O papel da Lisina

A lisina é um aminoácido considerado limitante do crescimento, e, por isso, muitas pessoas recorrem à suplementação com lisina, seja na tentativa de fazer seus potros crescerem mais que a média ou de recuperar o crescimento após longo período de subnutrição.

Antes de mais nada é importante saber o que significa a lisina e o que é um limitante do crescimento. Isso quer dizer que, quando não fornecemos a quantidade mínima estabelecida para potros (cerca de 33 a 42 g/dia para potros entre 4 a 6 meses), o crescimento será negativamente afetado e o potro pode não atingir seu potencial genético em peso e altura. Por outro lado, oferecer qualquer quantidade a mais do que o requerimento mínimo não traz qualquer vantagem. Como regra, a dieta de potros em crescimento deve conter cerca de 4,3% de sua proteína na forma de lisina. Se considerarmos a maioria das rações para do mercado, veremos que variam de 16 a 20% de proteína bruta, e entre 0,6 a 1% de lisina, o que é considerado adequado.

A suplementação com lisina é recomendada apenas quando não há ração balanceada disponível e o volumoso é de baixa qualidade, situação na qual certamente haverá deficiência de lisina na dieta total.

O perigo da supercompensação

Um fator que aumenta consideravelmente os riscos de doenças ortopédicas em potros é o chamado “ganho compensatório”.

Essa condição nada mais é do que um período em que o potro acelera sua taxa de crescimento muito intensamente. Isso pode ocorrer em função de dois fatores. Primeiramente, após um período de estresse que desacelera o crescimento, o organismo do potro normalmente compensa essa perda num momento posterior, uma vez que o estresse foi removido ou estabilizado. Esse estresse pode ser uma doença ou o desmame. O outro fator que costuma desencadear o ganho compensatório é a nutrição. Uma deficiência nutricional oriunda, por exemplo, da baixa produção de leite da mãe ou de dietas deficientes em energia e proteína, certamente irá desacelerar o crescimento. Uma vez que é feito um ajuste nessa dieta, o potro entra em ganho compensatório. Por ser muito mais acelerado, esse ganho compensatório predispõe em igual proporção ao aparecimento de doenças ortopédicas, e um padrão de crescimento irregular, composto de vários picos de ganho de peso, tipicamente evidenciado por vários períodos de ganho compensatório, pode reduzir muito as chances de uma carreira atlética longa e saudável para seu potro.

Desta forma, a melhor maneira de garantir um futuro sadio nas pistas é estabelecer um ritmo moderado e gradual de crescimento, e evitar picos de aceleração. Uma curva de crescimento saudável deve ser gradual e contínua (gráfico 1), enquanto que um padrão errático cheio de degraus é altamente indesejável (gráfico 2).

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Gráfico 1. Curva de crescimento sadia.

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Gráfico 2. Curva de crescimento “serrilhada”, com muitos períodos de ganho compensatório.

Mensagem Final

Para finalizar, siga as dicas abaixo para evitar problemas durante o período de crescimento do seu potro e garantir que ele alcance todo seu potencial genético, atingindo altura e peso de forma satisfatória e segura.

  1. Garanta uma alimentação balanceada para as éguas em terço final de gestação: durante essa fase, o potro armazena reservas importantes de nutrientes que sustentam o crescimento sadio durante a fase inicial de vida.
  2. Monitore desde cedo as dietas e o peso e altura de seus potros, para que seja possível fazer ajustes graduais e constantes, garantindo curvas de crescimento suaves e evitando períodos recorrentes de ganho compensatório.
  3. Evite superalimentar seus potros: exagerar nas quantidades e nos nutrientes não irá fazer com que ele cresça mais, apenas mais rápido, e isso não é desejável.

Em resumo, “devagar e sempre” deve ser o lema de todo criador que visa produzir potros sadios e que terão carreiras atléticas saudáveis e longas. Lembrem-se: ao pensar em futuros animais atletas, é sempre mais desejável ter potros crescendo com uma leve sombra de costelas do que ter um potro obeso.

Por fim, consulte sempre um nutricionista ao fazer os ajustes durante a fase de crescimento, pois é um momento delicado em que as alterações devem ser feitas de forma precisa e rápida, evitando erros que possam levar a deficiências ou exageros.

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