Nutrição básica dos equinos – Parte 2 – Energia

A série sobre nutrição, elaborada pela nossa colunista Vanesa, vem abordar agora a energia, gerada a partir de certas fontes, e que pode sustentar as funções vitais e o desempenho dos cavalos
Share on whatsapp
Compartilhe no WhatsApp
Share on facebook
Share on linkedin
Share on email
Share on telegram
Nutrição básica dos Equinos – Parte 2 – Energia

Dando sequência a nossa série sobre nutrição básica dos equinos, hoje vamos falar da ENERGIA. A energia não é um nutriente em si. Ela é uma medida do quanto é convertido em energia a partir de certos nutrientes. Esses nutrientes são a fonte de energia, e eles são convertidos em energia para poder sustentar as funções vitais e o desempenho dos cavalos. 

Para colocar num contexto fácil de entender, vamos pensar da energia elétrica. A gente não encontra uma mina de energia elétrica nem colhe energia elétrica de uma plantação. Mas conseguimos gerar energia a partir de certas fontes: carvão, água, sol e vento, por exemplo, são elementos que, transformados, podem gerar energia elétrica. No caso da nutrição, esses elementos são os nutrientes. 

Assim como a energia elétrica é medida em watts, kilowatts e megawatts a energia digestível é medida em calorias, quilocalorias e Megacalorias.  

A energia pode vir de diferentes nutrientes. As principais fontes são os carboidratos, a gordura e também em menor escala a proteína. 

Os carboidratos são subdivididos em carboidratos estruturais, que são as fibras, presentes na forragem, e os carboidratos não estruturais, que são o amido e açúcares, presentes nos grãos e na ração. 

No caso do amido, a digestão é enzimática e acontece principalmente no intestino delgado. É um processo relativamente rápido e por isso dizemos que a energia liberada é de pronto uso. Caso o animal não precise daquela glicose imediatamente, ela é armazenada para uso posterior na forma de glicogênio muscular. 

Já no caso das fibras, o processo de digestão é fermentativo. Ele acontece na porção posterior do intestino, chamada de intestino grosso, e especialmente no ceco, que é a câmara fermentativa onde a fibra é digerida pela microbiota, a população de micro-organismos que habita o ceco.

Essa digestão libera energia de maneira mais lenta, na forma de ácidos graxos voláteis, que podem ser convertidos em energia ou transformados em gordura e glicose para armazenamento. 

A proteína também pode ser usada para produzir energia, porém é um processo lento e que demanda muito do organismo, rendendo poucas calorias. Por isso, a contribuição da proteína deve ser a mínima possível para gerar energia.

Esse é um mecanismo de defesa e sobrevivência, nos casos onde o animal sem acesso a alimento pode converter proteína muscular em energia para permanecer vivo, mas não é um processo eficiente na produção de energia para realização dos esportes equestres.

Proteína em excesso na dieta de animais atletas, como já falamos anteriormente, reduz a eficiência de conversão de energia. 

Focando na nutrição básica dos equinos

Equilibrar as fontes de energia na dieta dos cavalos, portanto, é uma forma de garantir que ele tenha energia em todos os momentos e para todas as atividades. A maior parte da energia da dieta equina deve vir de fibras, carboidratos e gordura, e a proteína deve ter contribuição mínima. 

Alguns animais se beneficiam mais de um pouco mais de gordura na dieta, como é o caso de animais que fazem provas de longa duração e esforço predominantemente aeróbico, como os cavalos de enduro.

Outros, como cavalos de tambor, laço, baliza e outras provas de explosão e velocidade, precisam de uma contribuição um pouco maior de amido para repor as reservas de glicogênio muscular das quais eles dependem para realizar esse esforço anaeróbico. 

Isso acontece porque a gordura é um combustível que só é utilizado nos momentos onde o cavalo está realizando esforços aeróbicos. Ou seja, aqueles esforços em que a velocidade de entrega de oxigênio para a musculatura do cavalo é maior que a velocidade de consumo de oxigênio. 

Já o glicogênio muscular pode ser mobilizado tanto durante o exercício aeróbico quanto no anaeróbico, quando a musculatura consome oxigênio numa velocidade muito maior que aquela em que o oxigênio chega aos músculos.

Nessas situações, que são aquelas onde o animal trabalha no esforço máximo, realizando contrações musculares rápidas, como no galope, a glicogênio é o único combustível disponível, e por isso essa reserva é de máxima importância para animais que fazem esse tipo de prova. 

Por isso, fornecer energia adequada para seus cavalos é uma forma de garantir que ele esteja sempre com ótima condição corporal e com as reservas de energia principais sempre cheias, assegurando o desempenho máximo, seja nas pistas, no crescimento ou na reprodução. 

Em breve, você confere aqui no portal MAB mais conteúdo da série Nutrição básica dos equinos.

Vanesa Mesquita

Leia outras notícias no portal Mundo Agro Brasil

Relacionadas

Veja também

Nossa colunista Vanesa Mesquita está trazendo uma série de artigos sobre Nutrição de Equinos. Nesta primeira etapa, ela vai falar a respeito de cada um dos principais nutrientes que compõem a dieta do seu cavalo. E, na matéria a seguir, o assunto é a Proteína!
Como obter crescimento sadio nessa fase e garantir um futuro atlético de longa duração
Manter as reservas de energia dos cavalos atletas plenas é um desafio diário que envolve vários fatores
A alergia alimentar em cavalos é extremamente rara e de difícil diagnóstico