O AGRONEGÓCIO MAIS PERTO DE VOCÊ

“…No Foot, No Horse!!!”

Na coluna desta quarta-feira do portal MAB, Fernando Simões fala sobre as afecções ligadas ao sistema locomotor dos equinos que são apontadas como sendo uma das principais entre as diversas ocorrências veterinárias
Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp
Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp

Existe um ditado popular que diz, de forma bem clara e direta, que os cavalos não são nada sem um sistema locomotor saudável: ”no foot, no horse!”. Vamos usar este ditado que se refere diretamente aos cascos dos cavalos – numa tradução ao “pé” da letra – e além desta parte importante da sua estrutura de apoio, vamos extrapolar nossa conversa para todo o seu sistema locomotor.   

Antes disto, vamos olhar um pouco mais para este importante segmento, a fim de entender a dimensão do que estamos tratando. No Brasil, segundo dados do IBGE, estima-se que o número de cavalos esteja entre o que foi apontado no Censo Agropecuário feito em 2006, de 4.541.833, e os 5.312.076 animais da última Pesquisa Pecuária Municipal (PPM), feita em 2013. Baseado nestes números, o Estudo do Complexo do Agronegócio do Cavalo, em sua revisão de 2016, estimou que do provável efetivo de 5 milhões de equinos, cerca de 3,9 milhões estariam inseridos no grupo dos animais utilizados para lida ou trabalho, enquanto que 1,1 milhões seriam aqueles utilizados para esporte, laser e criação.  

Ainda, segundo o Censo Agropecuário, cerca de 72% dos equinos tidos como de lida estariam associados às atividades pecuárias e criação de outros animais. Outro destaque está na grande utilização desta força na tração animal, principalmente nas pequenas propriedades. No caso dos animais utilizados para atividades esportivas, lazer e criação, há uma grande diversidade de atividades e modalidades esportivas. Entre as principais, indicadas pelo estudo de 2016, estão as atividades ligadas principalmente aos animais das raças Quarto de Milha e Crioulo, o Hipismo, a Vaquejada, a Cavalgada, o Turfe, o Enduro, o CCE, o Hipismo Rural, além do Adestramento e das provas ligadas ao Mangalarga Marchador entre outras. 

Independente do tipo de atividade exercida, as afecções ligadas ao sistema locomotor dos equinos são apontadas como sendo uma das principais entre as diversas ocorrências veterinárias, gerando um impacto econômico significativo neste mercado que, segundo o Estudo do Complexo do Agronegócio do Cavalo no Brasil, gerou uma renda de R$ 16,15 bilhões, em valores de abril de 2015. Os animais afetados, seja pela existência de problemas de origem congênita, falhas no manejo nutricional ou pela ocorrência de trauma acidental ou ligado ao exercício, acabam sendo afastados temporariamente ou de forma definitiva das suas atividades. 

Existem estudos que indicam haver uma relação entre a atividade exercida pelo cavalo com a incidência de afecções musculoesqueléticas específicas. As lesões também podem variar entre os membros torácicos ou pélvicos de acordo com a modalidade, porém parece haver maior incidência de problemas nos membros torácicos ou anteriores. Entre as diversas ocorrências veterinárias estão as lesões ligadas principalmente à musculatura, aos ligamentos, articulações, tendões e estruturas ósseas. 

É relativamente comum observarmos o aparecimento de claudicação devido a ocorrências causadas por afecções como osteoartrites, luxações, tendinites, laminites, lesões articulares, síndrome do navicular, fraturas, exostoses etc. A lista de afecções é grande e tudo isto afeta sobremaneira o desempenho e a vida útil dos equinos. 

“No Foot, No Horse”: medicamentos homeopáticos podem ser de grande utilidade

Além de todo o arsenal de terapias utilizadas atualmente e também dos cuidados no manejo de treinamento dos animais, a escolha de medicamentos homeopáticos na prevenção e no tratamento das afecções musculoesqueléticas pode ser de grande utilidade e auxiliar na pronta recuperação dos animais. Existe uma gama de medicamentos homeopáticos que atuam diretamente em tendões, ligamentos, estruturas ósseas, nervos, além de outros com grande ação para condições traumáticas e de dor. 

O mais clássico e conhecido de todos eles é a Arnica montana, muito utilizada para traumas em geral, dores musculares, equimoses e hematomas. Bellis perennis é outro medicamento de ação semelhante à Arnica. A Calendula officinalis tem boa ação em traumatismos infectados, cortes, abrasões, sangramentos. A Calendula é reconhecida como sendo um ótimo antisséptico. O Hypericum perforatum tem sua ação direcionada aos tecidos nervosos, tem poder analgésico e de regeneração dos nervos. Ledum palustre age em lesões contundentes por objeto pontiagudo. 

Outros medicamentos de escolha para situações traumáticas são o Rhus toxicodendron, indicado para ligamentos capsulares, tecidos fibrosos, fáscias e tendões; Ruta graveolens – a conhecida arruda – com ótima ação em cartilagem, periósteo e nas luxações; Staphysagria nos ferimentos incisos, ótimo no póscirúrgico; o Symphytum officinalle em traumas ósseos e fraturas, ajudando na formação do calo ósseo e a Bryonia alba com ação na membrana sinovial, bursa e articulações. 

Existem outros medicamentos e outras possibilidades como no uso de organoterápicos com ação direcionada às estruturas lesionadas. É importante ressaltar que o uso destes medicamentos homeopáticos pode se dar de forma preventiva, após o treinamento dos animais, assim como de forma curativa, sozinho ou aliado a outras terapias. A escolha do medicamento ou do protocolo de tratamento deve sempre ser feita por um veterinário habilitado em homeopatia. Como já havia mencionado anteriormente, a eleição de uma terapia homeopática traz grandes benefícios aos animais, não causa doping e está de acordo com toda a preocupação com o bemestar animal. 

Fonte: 
  1. Estudo do Complexo do Agronegócio do Cavalo, Revisão de 2016 – Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
  2. Torro, Ana Regina – Homeopatia Veterinária: Matéria Médica –  2ª edição, 2020.

Leia outras colunas no portal Mundo Agro Brasil