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As vantagens da homeopatia no controle da mastite

Como a homeopatia pode contribuir para o controle da mastite e para a melhoria da produtividade nacional de leite
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O agronegócio do leite e derivados é considerado uma das principais atividades econômicas do Brasil, desempenhando relevante papel na geração de renda, emprego e alimentos de altíssimo valor nutricional. É uma atividade que se distribui pela maioria dos estados brasileiros e em mais de 1 milhão de propriedades rurais, envolvendo quase 5,2 milhões de pessoas somente no setor primário. O Brasil está entre o grupo dos maiores produtores de leite do mundo e detém o segundo maior rebanho, ficando atrás somente da Índia neste quesito. Apesar de uma forte evolução na produção e na produtividade do rebanho leiteiro nacional nas últimas décadas, há ainda muito espaço para o crescimento do setor, principalmente se considerarmos o nosso grande potencial exportador.

Existem muitos obstáculos a serem transpostos e boas oportunidades que podem ser incorporadas às propriedades leiteiras no intuito de buscar um aumento na produtividade do nosso rebanho: como questões de manejo, produção de alimentos volumosos e concentrados, controles sanitários, mão de obra etc. De uma forma geral, o produtor tem procurado melhorar a qualidade da sua produção e do seu produto, buscando novas tecnologias para assim atingir melhores índices zootécnicos. Entre todos esses obstáculos à produção, a mastite e seu controle tem sido ainda um dos seus maiores desafios.

A mastite é considerada uma das principais doenças dos bovinos produtores de leite e tem forte impacto econômico no setor, devido principalmente à sua alta prevalência nos rebanhos em todo o mundo. Além de causar uma queda na produção e na qualidade do leite, há o aumento dos custos diretos e indiretos entre eles, os gastos com medicamentos, tratamento, honorários profissionais, mão de obra envolvida, baixa eficiência da indústria, descarte da produção e, muitas vezes, descarte precoce dos próprios animais.

A mastite é uma doença de etiologia multifatorial, o que torna o seu controle um grande desafio. Ela pode ser definida como sendo uma inflamação da glândula mamária cuja origem pode advir de traumas físicos, agentes químicos ou por ação de microrganismos patogênicos. Ela pode se apresentar na forma clínica, onde os sintomas são mais evidentes e de fácil detecção ou na forma subclínica. Ações de manejo e medidas preventivas como, por exemplo, ambientes adequados e limpos, realização de pré e pós dipping, separação dos animais doentes, linha de ordenha e a correta higienização dos equipamentos utilizados na ordenha são essenciais para o controle da mastite. Além do exame clínico, a realização de testes simples como o da caneca de fundo preto ou o CMT (California Mastitis Test) são muito importantes para a detecção precoce da afecção.

O tratamento tradicional dos animais afetados pela mastite clínica se dá pela administração de antimicrobianos pelas vias intramamária e sistêmica. As respostas, muito variáveis, dependem entre outras coisas, da susceptibilidade dos diversos microrganismos diante das drogas eleitas no tratamento. Isto pode acontecer principalmente pelo uso incorreto e inadequado dos antibióticos, levando a seleção de cepas resistentes de microrganismos. Além disso, o uso desses antibióticos impõe um alto custo no tratamento da mastite, gera resíduos no leite que deve ser descartado, podendo ocasionar problemas de saúde publica.

Diante de tudo isso, é muito importante entendermos como podemos utilizar a homeopatia na prevenção e cura da mastite, melhorando os índices zootécnicos dos nossos rebanhos leiteiros e a qualidade do leite produzido. Hoje em dia já existem diversas propriedades fazendo uso dessa terapêutica. De acordo com revisão feita por Ruegg (2009), a homeopatia é o tratamento de escolha em mais da metade das propriedades com produção orgânica. Também já existe uma vasta literatura científica demonstrando a eficiência da homeopatia no controle dessa enfermidade.

Seja através do uso de um medicamento único muito bem indicado de acordo com os sinais e sintomas da doença, seja pelo uso de uma mistura de medicamentos homeopáticos, mais conhecidos como complexos, ou mesmo dos bioterápicos de isolado bacteriano e isoterápicos feitos a partir do leite coletado da vaca doente, os resultados relatados têm sido bastante satisfatórios, principalmente na redução da incidência de mastite nos rebanhos tratados de forma preventiva, na redução da contagem de células somáticas, no controle da mastite subclínica e na melhoria da qualidade do leite.

Vale sempre ressaltar que o uso da homeopatia no controle da mastite, gera uma boa economia ao produtor de leite, pois apresenta um menor custo quando comparado ao tratamento tradicional, não gera resíduos no leite zerando a necessidade de descartá-lo, melhora a imunidade do rebanho, contribui para o bem-estar animal e não polui o meio ambiente. Também é importante mencionar que a homeopatia pode ser uma ótima ferramenta terapêutica nas mais diversas áreas dentro da propriedade leiteira, como na criação de bezerros, no controle de doenças parasitárias, na melhoria dos índices reprodutivos entre tantas outras. Aos poucos vamos explorando todas as boas possibilidades do seu uso na agropecuária.

Até breve!

Fonte: Renan Almeida de Jesus, César Alberto Coutinho – Uso de medicamentos homeopáticos para o tratamento da mastite bovina: Revisão