Nem tudo que reluz é ouro… e nem tudo que é natural é homeopatia

É muito comum nos depararmos com este tipo de confusão entre o que é homeopatia ou não. Atualmente, existe uma enormidade de terapias naturais, orgânicas, etc., e muita gente acaba jogando tudo isto na caixinha da homeopatia
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homeopatia

Nos primeiros artigos que foram publicados aqui no Portal MAB descrevi os princípios que definem a homeopatia e o medicamento homeopático de acordo com Hahnemann – Cura pelos Semelhantes, medicamento em Doses mínimas e dinamizadas, a Experimentação do medicamento no homem sadio para assim determinar sua patogenesia e, por último, a utilização do Medicamento único, aquele que cubra a totalidade dos sinais e sintomas do indivíduo ou do rebanho afim de curá-lo.

Entre as principais terapias que podemos confundir com a homeopatia estão a fitoterapia, seja ela feita com ervas chinesas ou brasileiras, os florais, a aromaterapia e os medicamentos antroposóficos entre outras. O princípio fundamental para que o medicamento seja considerado homeopático está no processo de diluição e dinamização de acordo com a Farmacotécnica Homeopática, além do levantamento de todos os sintomas que este medicamento suscita quando da sua experimentação feita em homem são, ou seja, a sua patogenesia.

Desde os seus primeiros passos como terapia em 1796, a homeopatia vem evoluindo constantemente. Vários foram aqueles que beberam na fonte de conhecimento de Hahnemann, como Hering e Lux, e que nos trouxeram novas possibilidades terapêuticas. Inseridos neste contexto estão os Nosódios e Isoterápicos, posteriormente incorporados sob uma única denominação de Bioterápicos pela Farmacopeia Francesa em 1965. O termo Bioterápico, refere-se à toda preparação medicamentosa de uso homeopático obtida a partir de produtos biológicos, quimicamente indefinidos: secreções, excreções, tecidos e órgãos, patológicos ou não, produtos de origem microbiana e alérgenos. Vale aqui ressaltar que mesmo dentro do perímetro da escola homeopática, a grande maioria dos Bioterápicos, mais relacionados à Isoterapia, mesmo que elaborados dentro dos parâmetros definidos pela farmacotécnica homeopática, não podem ser considerados verdadeiramente Homeopatias, pois faltam-lhes a experimentação em homem são. Exceção feita aos Bioterápicos Maiores, estes sim dotados de patogenesia experimental, como por exemplo temos o Psorinum, Medorrhinum, Syphilinum, Tuberculinum e o Carcinosinum.

Independente do rigor desta classificação, os Bioterápicos têm tido uma importância crescente nos mais diversos protocolos de profilaxia e tratamento, sejam estes direcionados para a pecuária ou para a agricultura. Apesar de possuírem uma capacidade limitada ou restrita de cura, são muitas vezes considerados um ótimo recurso terapêutico quando associados aos medicamentos homeopáticos constitucionais, com a finalidade de incentivar sua ação biológica. Os Nosódios agem como organizadores e indutores da energia vital, ativando as defesas imunológicas do organismo doente ou fornecendo-lhe informações de como deve funcionar.

Deixemos agora a teoria um pouco de lado e vamos verificar alguns exemplos do uso dos Bioterápicos ou nosódios. É comum encontrarmos produtos que contêm uma mistura de Bioterápicos feitos de agentes ou subprodutos da doença e que são utilizados para o que se costuma denominar de profilaxia isopática. Entre eles estão os complexos contendo carrapato bovino, berne, mosca do chifre, associados ou não a medicamentos homeopáticos direcionados ao problema que se deseja controlar. Para a  mastite podemos individualizar o tratamento, associando ao medicamento homeopático de escolha os Nosódios feitos com o próprio leite da vaca doente (autoisoterápico) ou se valer de produtos comerciais cuja composição contêm uma mistura de nosódios de bactérias como Streptococcus sp, Sthapylococcus sp, entre outras. Da mesma forma, nas diarreias de bezerros podemos associar ao tratamento, os nosódios feitos com as excreções contendo os agentes infecciosos.

Outro exemplo de indicação pode se dar através do uso de Bioterápicos feitos com órgãos sadios dinamizados, os Organoterápicos. Em casos de Mieloencefalite Protozoária Equina (EPM) podemos associar ao tratamento o nosódio contendo nervo total, cérebro total, músculo estriado e língua. Da mesma forma nos problemas de pele, dermatofitoses, podemos fazer uso de nosódio do agente causador, como por exemplo do fungo Tricophytum. Vale a pena ressaltar que os bioterápicos não são utilizados como atores principais no tratamento, estando normalmente associados ao tratamento homeopático constitucional que atenda à totalidade dos sintomas do indivíduo.  Como exemplo podemos citar o brilhante trabalho realizado pelo Prof. Dr. Roberto Costa na elaboração da Homeopatia Tri Una, cujo tratamento associa o uso do medicamento de fundo ou similimun, que corresponde à totalidade dos sintomas do individuo, o medicamento sintomático ou episódico que se presta a aliviar os sintomas físicos na agudização da doença e o nosódio vivo representado pelo seu agente causador.

Podemos encontrar também os Bioterápicos feitos a partir de alérgenos obtidos externamente ao paciente, denominados de heteroisoterápicos. São feitos a partir da dinamização de alimentos, como chocolate, leite, frutos do mar, assim como de poeira, toxinas, pêlo de animais, pólen, medicamentos etc. São importantes aliados no tratamento de dessensibilização homeopática. Na agricultura, também é crescente o uso da homeopatia associada aos nosódios feitos a partir da dinamização de insumos como agrotóxicos, do solo, como também de pragas como lagartas de todos os tipos, percevejos, grilos, gafanhotos, caramujos e formigas. Sendo assim, pode-se afirmar que os bioterápicos representam uma grande ferramenta no controle e na prevenção das diversas doenças e pragas, sendo importante ressaltar que devemos estar atentos ao método de coleta do material, assim como na técnica de preparo utilizada, como também na sua correta utilização e armazenamento.

Por Fernando Simões
Crédito da foto: Divulgação

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