Métodos de seleção – O caso da Bailarina e o Gênio da Literatura

Em sua coluna no portal MAB, Luiz Alberto Patriota fala sobre o trabalho de seleção e melhoramento genético dos criadores de cavalo, que está longe de ser uma ciência exata, relembrando, inclusive, uma citação do criador da raça Mangalarga, Fausto Simões
Compartilhe no WhatsApp
Métodos de seleção – O caso da Bailarina e o Gênio da Literatura
O trabalho de seleção de cavalos é quase uma arte – Foto: Divulgação/ABCCRM

Criar cavalos com o intuito de construir uma marca ou consagrar um subtipo preferido de animal dentro de uma raça é um trabalho para vida toda, muitas vezes para várias gerações. A seleção de uma marca deve ser feita diligentemente, de maneira planejada, evitando-se desvios e sempre em busca do cavalo perfeito, dentro do tipo racial que se propõe a selecionar o criador.  

A ciência há muitos séculos já desvendou boa parte dos mecanismos de transmissão genética e desenvolveu inúmeros métodos de seleção, não obstante, frade Gregor Mendel que me perdoe, mas seleção e melhoramento estão longe de serem ciências exatas, ainda mais em cavalos, onde o trabalho está mais para uma arte.

Um incauto criador que pensar que seu garanhão e suas éguas responderão como vasos de ervilha, certamente vai se decepcionar muito nas primeiras incursões pelo mundo da seleção fenotípica em equinos. Cores surpreendentes, tipos inusitados, taras inesperadas são o dia a dia nos nascimentos dos haras.

Em cavalos a segregação de genes alelos sem expressão evidente, casos de epistasia e inúmeros outros fenômenos genéticos combinados com a pouca informação que temos sobre as heranças de características em equinos somados a imensa influencia ambiental exercida na formação de dos cavalos durante seu desenvolvimento nos levam muitas vezes a uma verdadeira loteria. 

Imaginar como prometem certos técnicos que o garanhão mais caro ou famoso com a égua mais cara ou famosa são sinônimos de sucesso na criação, ou que aquele cavalo trotão com aquela égua de Marcha Batida, vai dar um excelente cavalo de Marcha Trotada estão longe de serem verdades, no que diz respeito a herdabilidade e melhoramento genético.  

O grande criador da raça Mangalarga, Fausto Simões (FS), nos ensina de forma bem-humorada em seu famoso livro “Mangalarga e o Cavalo de Sela Brasileiro”, aquele da icônica capa amarela: 

 “É de grande utilidade na criação o conhecimento dos rudimentos da hereditariedade. Daí deduzimos que animais com defeitos opostos não devem ser cruzados com o objetivo de fazer média, porquanto isto não se verifica. A única maneira de somar qualidades desejadas é procurar acasalar animais que sejam portadores dessas qualidades. 

A respeito, no tempo de Bernard Shaw, ocorreu uma anedota que bem diz sobre o assunto: Isadora Duncan, famosa bailarina da época, que como se sabe não tinha complexos nem preconceitos, certa vez sugeriu a Bernard Shaw a ideia de se unirem e conceberem o filho perfeito, no dizer dela, com sua beleza e a inteligência dele, ao que Bernard Shaw respondeu: – E se nascer com minha feiura e a sua burrice? ” 

Fica posta mais essa bem-humorada reflexão e ensinamento de um grande mestre do cavalo. 

Espero que tenham gostado.  

Por Luiz Alberto Patriota
Crédito da foto: Divulgação/ABCCRM

Leia outras notícias no portal Mundo Agro Brasil

Relacionadas

Veja também

Rumos para nosso país e associações
Há um ditado que cunhei na Mangalarga faz algum tempo que diz: “Quem gosta mesmo de Mangalarga é a turma de Minas, Mangalarguista gosta é de Inglês ou de Marchador”
Passado o pleito de outubro, já não precisamos falar por meio de fábulas como no texto anterior, por receio de restrições.