Lusitanos, Mangalargas, mitos e lendas

A raça Mangalarga é cercada de mitos, de historias populares repetidas por gerações, até mesmo por "especialistas", e que vão se solidificando em verdades com o passar do tempo e das publicações que as dão crédito
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Lusitanos, Mangalargas, mitos e lendas
Rei D. João Vl e Barão de Alfenas – Foto: Divulgação

“Nosso cavalo descende dos Lusitanos trazidos nas caravelas por El Rei D. João Vl” 

“O Barão de Alfenas é o pai da raça Mangalarga”

“A Marcha Trotada surgiu ao acaso na manada original que veio de Minas para São Paulo”

E por aí segue o desfile de lendas e mitos que muitas vezes decorrem da má fé de alguns que querem ser donos da história ou justificar distorções de seleção atuais. No entanto, em outros casos, são apenas frutos de informações incompletas, suposições de quem não teve acesso aos dados históricos ou mesmo a pesquisa científica de qualidade. Outro dia contaremos a verdadeira História do Mangalarga e de quem foram seus verdadeiros arquitetos, enfim.

Com o cavalo Lusitano, primo europeu de nosso Mangalarga, também não é diferente, dizem: 

“Os cavalos ibéricos descendem de cavalos Sorraia e Árabes…”

Pois outro dia esbarrei com um artigo que parece não sustentar essa versão e joga um pouco de luz em uma nova teoria, os lusitanos não são apenas a raça de sela mais antiga do mundo, talvez o cavalo ibérico seja a população de cavalos mais antiga do mundo, ponto. Vejam o que dizem os pesquisadores:

“Os mais antigos e primeiros testemunhos da existência de equinos na zona da hoje Península Ibérica remontam ao Pleistocénico (~780 000 anos), datação esta estimada tendo por base as análises a um crâneo encontrado durante escavações arqueológicas na serra de Atapuerca (Burgos, Espanha). Desde aí, grande número de ossadas e gravuras foram descobertas em inúmeros lugares espalhados um pouco por toda a Península, por exemplo: Peña de Candamo, La Pileta e Foz Côa.

Para se tentar enquadrar a relação dos primitivos animais destas regiões geográficas com a denomidada raça Lusitana, foram realizadas investigações do ADN mitocondrial, uma vez que é transmitido exclusivamente por via materna, o que demonstrou grande utilidade no estudo e análise da origem na evolução de muitos animais domésticos…

As sequências obtidas para a raça Lusitana foram utilizadas para estudo comparativo entre 782 sequências de 104 raças diferentes e 12 sequências provenientes de ossadas encontradas em Espanha: 10 da Idade do Bronze (El Portalón de Cueva Mayor) e duas do Neolítico (Cova Fosca).

A análise mostrou que a distribuição dos haplótipos identificados na raça Lusitana é desigual, com as três sequências mais comuns presentes em 50% das amostras, sendo metade dos haplótipos variantes raríssimas. Esta diversidade revelou-se ainda mais importante já que nove das sequências representam haplótipos únicos para o Lusitano e para a Península Ibérica, pois ainda não foram identificados em nenhuma outra raça.

Ainda, a ancestralidade do Lusitano ficou demonstrada pelo facto de cinco haplótipos da Idade do Bronze e um do Neolítico se agruparem com as sequências de animais representantes dos haplótipos identificados, tais como LU11 e LU22.

Esses dados suportam ainda a hipótese de que a Península Ibérica possa ter sido uma área de refúgio durante a última glaciação, e que a Península Ibérica fora relevante na domesticação de equinos, uma vez que existem actualmente animais Lusitanos cujas linhas maternas recuam até ao Neolítico”.

Por: Laboratório Associado Instituto de Biotecnologia e Bioengenharia, Centro de Biotecnologia dos Açores, Universidade dos Açores, Rua João Capitão D’Ávila, 9700-042 Angra do Heroísmo, amachado@uac.pt” 

Até a próxima!

Por Luiz Alberto Patriota
Crédito da foto: Divulgação

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