Equitação: Onde vive? O que come? Hoje no MAB Repórter!

Em tempos de empoderamento e que querer já é sinônimo de poder, a equitação fica cada vez mais esquecida pelos “cavaleiros” de ocasião.
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Equitação Onde vive O que come Hoje no MAB Repórter!

Desde que comecei a fazer raids, expedições e cavalgadas mais longas a cavalo, em 2004, noto um fenômeno interessante, boa parte dos participantes desses eventos não tem normalmente noções mínimas de equitação ou condições básicas de preparo físico para fazê-lo. Não que uma cavalgada de 100km feita em 3 dias seja algo extremamente exigente em termos técnicos ou esportivos, mas nunca vi uma pessoa querer fazer uma trilha de jipe, moto ou mountain bike, sem saber conduzir, ou preparar os veículos ao menos.

Em qualquer outra atividade ou esporte, recreativo que seja, o primeiro passo buscado pelos seus candidatos a praticantes é uma proficiência mínima em sua execução, mas essa regra não me parece que vale para os cavalos. Cavalo bom aqui é aquele que qualquer um monta, sem frescura, dizem de boca cheia, basta um chinelo, uma bermuda, três ou quatro cervejas e bota pra marchar no fim de semana.

Em tempos já passados de Brasil rural, ou em países que ainda hoje possuem uma cultura equestre básica, vemos crianças desde cedo buscando aprender a montar, cavaleiros se esforçando anos para criar um conjunto com suas montarias, e o uso de equipamentos próprios e adequados para cada emprego.

No Brasil não, o que temos é uma cultura que tenta popularizar a qualquer custo o uso do cavalo e o que acontece na prática são animais cada vez mais mal preparados e cavaleiros muitas vezes inconsequentes que expõem sua saúde e a dos animais a riscos desnecessários.

Equipamentos e embocaduras inadequados, despreparo físico de cavalo e cavaleiro e completo desconhecimento de equitação, não raro, levam a acidentes graves em cavalgadas, uma fila de cavalos tomando soro ao final do dia, além de claudicações e laminites por estresse que acabam por comprometer completamente o cavalo.

São os custos de um pensamento puramente comercial e populista que busca uma “democratização” insustentável e que acaba por influenciar desde as conduções de criações, orientações de Associações, modelos raciais, de provas e eventos.

Muitas das raças de cavalo, inclusive as nacionais, foram forjadas por pessoas e em ambientes diferentes dos que estão inseridas hoje e a busca por harmonizar as expectativas desse público descomprometido, com o bom e correto uso de seus animais é um desafio a ser perseguido pois sem o mínimo de conhecimento e preparo na equitação de cavalos e cavaleiros, nem mesmo suas boas características podem ser descobertas e desfrutadas na montaria.

Fica a reflexão.

Por Luiz Alberto Patriota
Crédito da foto: Divulgação

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