Consumidor, você sabe mesmo o que quer?

Diante da atual tendência do consumismo, o colunista do portal MAB, Rogério Luiz Iuspa, analisa os riscos à saúde, além das incoerências por trás de tais exigências deste novo perfil de consumidor
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Consumidor, você sabe mesmo o que quer
“Qual o sentido de se comer um hambúrguer com cara de carne, com gosto de carne, com cheiro de carne, com cor de carne e ser de soja?”, questiona o colunista – Foto: Divulgação

A evolução do consumidor tem sido regra certa no direcionamento da indústria. Isso acontece em muitos setores da industrialização moderna de produtos. Mas há alguns exageros, onde a técnica não se encaixa no que o consumidor exige. A meu ver, sem nenhum conhecimento de causa, exige apenas porque o cliente tem sempre razão e pronto. Vou citar alguns exemplos.

Inicialmente, quero falar de galinhas produtoras de ovos criadas soltas, as famosas free range, que tem sido uma exigência de muitos consumidores. Neste caso, as galinhas caminham livremente ao sol, em meio a grama e, de forma totalmente livre, escolhe onde por seus ovos. Não raramente acontece no chão. O grande problema é que o chão não é um local propriamente isento de bactérias naturais do ambiente. E bactérias, como salmonella sp, podem se alojar na casca dos ovos e, este por ser poroso, penetra no interior do ovo, contaminando-o.

O consumo de ovos contaminados por salmonella sp é prejudicial à saúde humana causando, no mínimo, uma diarreia e, no máximo, a morte. Ou seja, qual a razão para os consumidores fazerem tal exigência? Qual o fundamento? A reprodução dos animais só acontece em zona de conforto, os animais incomodados ou não adaptados ao ambiente não se reproduzem.

O ovo faz parte do ciclo reprodutivo das aves e, nestas condições, não botam ovos. Isso não acontece. As galinhas criadas no sistema convencional botam muitos ovos e não o fariam se esse ambiente fosse estressante para as aves. Exigência do consumidor um tanto sem fundamento. 

Outro exemplo é o hambúrguer de soja. Qual o sentido de se comer um hambúrguer com cara de carne, com gosto de carne, com cheiro de carne, com cor de carne e ser de soja? Isso é um verdadeiro hambúrguer falsificado. Quem sabe o que quer e não gosta de hambúrguer, come algo de soja de qualquer formato, não necessariamente de hambúrguer.

Essa falsificação nos leva a acreditar que quem come gostaria de estar comento um macio e suculento hambúrguer de carne e não de soja. Então, por quê fazê-lo com cara de hambúrguer? Para se enganar? Para achar que está comento um hambúrguer? A quem está enganando? 

Por isso, consumidor, deixe de hipocrisia e coma o que quiser. Sem ficar imitando o que você gostaria de estar comendo. Tudo isso nos leva a crer que o consumidor não sabe o que quer e, assim, exige coisas que desconhece e que não tem nenhuma aderência com a ciência de hoje em dia.

A carne de laboratório é da mesma forma, um jeito de comer soja achando que é carne. Outros tantos exemplos temos sobre esse assunto. E, você, ilustre consumidor, o que acha disso tudo?

Por Rogerio Luiz Iuspa, Diretor Comercial e Marketing Polinutri Nutrição e Saúde Animal

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