Em um dos artigos que escrevi para o portal Mundo Agro Brasil, dei destaque ao pasto, principal insumo de uma fazenda (logicamente de cria, recria e engorda a pasto). E, agora, reitero a preocupação que se deve ter com as pastagens.
Procuro dividir a produção da pecuária em quatro períodos no ano. Águas, transição águas – início da seca, seca e transição seca – início das águas. Com andou seu planejamento até aqui? Hora de rever como está sendo o período seco em sua propriedade. O que está dando certo e o que está dando errado.
Faça uma retrospectiva dos três períodos que passaram e está passando atualmente, um breve relato se ocorreu dentro do previsto. Independente se a sua produção for cria, recria, engorda a pasto ou em confinamento. Comece de janeiro (mesmo que seu ano pecuário seja junho a julho e não janeiro a dezembro), relembre como estavam as pastagens, qual era o estoque de gado, estoque de insumos, metas, produtividade.
Com seus vaqueiros, faça uma análise geral da propriedade, percorra com eles todos os pastos, de preferência a cavalo, trocando ideias, ouvindo o que cada um tem a dizer. Afinal, eles que estão no dia a dia na lida é que lhe apresentarão o que foi feito, o que deu certo, o que houve de dificuldade e as particularidades de cada divisão.
Uma dica que deixo aqui, falando em pastagens, é fazer um banco de imagens de cada divisão de pasto durante todos os meses do ano, por pelo menos dois anos seguidos. Isso lhe dará uma referência de melhora ou piora na qualidade, sobra, falta, erros e acertos de lotação, manejo de corte de altura de entrada e saída de pastejo (para manejo rotacionado e até o alternado, mesmo o pastejo contínuo ainda muito utilizado).
Confira os reservatórios de água, como estão e como estavam outros anos. Às vezes, algum reparo tenha que ser feito. Esse ano está sendo um ano crítico em termos de pegada hídrica, secas jamais vistas e agora é a hora de verificar onde ocorreram os problemas de falta d’água. Sobrar capim sempre é desejável, mas no tamanho correto para cada espécie forrageira, pois muita sobra de massa (matéria seca) pode também prejudicar a rebrota, impedindo novo perfilhamento e saída de novas folhas.
Seja qual for o sistema, temos que estar sempre preparados, sem surpresas, para que não passe por apertos durante os períodos de maior dificuldade de crescimento das gramíneas e períodos futuros.
Feito o retrospecto de como foi à colheita de forragem, passe a análise do estoque de insumos caso sua produção seja de suplementação a pasto além do fornecimento de sal mineral apenas, com fornecimento de suplementos proteicos, proteico-energético, ou ração para fornecimento acima de 0,5 % do peso vivo.
Se o pastejo correto foi respeitado, dentro de seus limites desejáveis, seu fornecimento de rações, proteinados ou até rações, para quem suplementa além de minerais, indicam que o efeito substituição andou dentro do esperado.
Através da conferência de estoque, tem-se uma noção se o planejado em aquisição destes insumos está dentro do previsto. Caso esteja abaixo ou acima da normalidade, cheque os fichários de distribuição por lotes, por pasto, por período, reorganizando as metas para o próximo ano.
Compare com a qualidade das pastagens nesse período e começará a ter nos próximos anos um perfeito controle de consumo e melhoria sensível do manejo geral da fazenda. Comece agora a se preparar para o início das chuvas, se não tivermos surpresas com o prolongamento da seca.
Boa colheita!
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