O poste compartilhado 

Uma analogia à nossa existência na Terra
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O poste compartilhado 

Resido em um condomínio no Interior Paulista. Há algumas semanas está em curso uma troca generalizada de fiação, por parte da empresa fornecedora de energia elétrica. Além dos frequentes avisos sobre os setores afetados, por parte da Administração do condomínio, para termos conhecimento da interrupção de fornecimento de energia, da inevitável obstrução momentânea de vias e do distanciamento de segurança a ser mantido, não tem como não notar por onde ela já passou: a empresa deixa um rastro de destruição de árvores (uma poda necessária, para desobstruir a fiação, mas feita sem qualquer critério de amor à fauna e flora, muito menos estético) e (se é que poderia ser) pior: deixa deliberadamente desconectados todos os demais fios instalados no poste. 

O foco é trocar a fiação da energia, torná-la mais segura, do ponto de vista de segurança física mesmo, e da continuidade do fornecimento. Pelo menos é o que afirmam, quando reclamamos individualmente desta situação e da atitude, que são recorrentes. Todo o processo é conduzido de forma a gerar insatisfação, insegurança e desconfiança.  

Conversando com os técnicos dos serviços, que tiveram que ser religados na sequência, pude averiguar que a empresa de energia é a dona do poste, e que os demais serviços pagam um aluguel para utilizá-lo. Por que é relevante saber quem é o dono do poste? Para identificarmos um responsável. Se os demais são seus clientes, será que eles ao menos teriam mecanismos, que poderiam evitar a recorrência? A impressão que fica é que cada um pensa no seu (serviço, objetivo), chegando até a prejudicar os demais, sem se preocupar com o rastro (as pegadas!) que deixa. 

Não é assim a nossa relação com a Terra, o nosso poste compartilhado?  

Dia 22 de abril é celebrado o Dia da Terra. Criada em 1970, pelo então senador americano Gaylord Nelson, a data tem a finalidade de criar uma maior consciência com relação aos problemas da contaminação, da importância da conservação da biodiversidade e da promoção da educação ambiental para proteger a Terra.  

Gosto de “traduzir” datas comemorativas em ações do cotidiano – pensando no poste: 

  • E se, ao invés de cada um pensar no seu intervalo/quadrado, houvesse um entendimento integrado/conectado das condições e das consequências (pensamento de ciclo de vida!)?  
  • Quais canais precisamos consultar, para termos conhecimento de mecanismos de proteção (do meio ambiente, da humanidade) e de como acioná-los? 
  • E se o cidadão comum pudesse se engajar de fato, dar sua opinião, ser consultado, se sentir responsável pela ação? 

Porque somos todos donos do poste. 

Por Sonia Karin Chapman
Diretora Chapman Consulting

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