Nutrição de Éguas Reprodutoras

O sucesso de uma criação de cavalos depende grandemente da capacidade reprodutiva de seu plantel. Éguas dependem de uma dieta balanceada para obter uma nutrição adequada, que permita desempenho máximo em sua função reprodutiva, seja em termos de fertilidade ou de capacidade de gerar e nutrir um potro
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Nutrição de Éguas Matrizes – Historicamente, os criadores de cavalo tradicionalmente dividiam a gestação das éguas em dois períodos distintos: da concepção aos 8 meses e de 9 meses de gestação até o parto. A crença era de que as éguas prenhes tinham requerimentos nutricionais semelhantes aos de cavalos adultos em descanso nos primeiros 8 meses de gestação. O aumento no requerimento de proteína e energia era recomendado durante os últimos meses de gestação devido à aceleração no desenvolvimento do feto.

Entretanto, pesquisas recentes têm indicado que o fornecimento de certos nutrientes deve ser aumentado muito antes da marca dos 9 meses. Como era feito anteriormente, durante os primeiros 4 meses de prenhez, as éguas devem ser alimentadas da mesma forma que cavalos adultos em manutenção (assumindo que ela não esteja com um potro ao pé), mas os nutricionistas, hoje, recomendam que, a partir do quinto mês, alguns nutrientes sejam reforçados.

As pesquisas citadas consideram não somente o peso das éguas reprodutoras e o crescimento do feto, mas também o gasto nutricional envolvido na criação e manutenção de tecidos gestacionais menos óbvios, como a placenta e as glândulas mamárias.

A eficácia da absorção dos nutrientes depende amplamente da forragem disponível para as éguas durante estágios particulares da gestação. A temporada de parição geralmente se estende durante vários meses, e por isso o teor nutricional da forragem muda bastante, gerando necessidade de suplementação diferente em diferentes fases do crescimento do capim.

Um pasto de boa qualidade pode fornecer boa parte dos requerimentos de energia e proteína de éguas reprodutoras, especialmente quando o volume de forragem consumido pelas éguas é alto. A maioria das éguas consome pelo menos 1,5% de seu peso vivo em matéria seca de forragem por dia, mas algumas podem consumir mais de 2%.Além de fornecer às éguas energia digestível e proteína suficiente. Entretanto, independentemente de quanto pasto as éguas consumam, não é possível satisfazer as necessidades de microminerais para o desenvolvimento fetal.

Tipicamente, uma égua de 560 kg em final de gestação consome aproximadamente 9 kg de matéria seca de forragem por dia, se ela tem acesso ao pasto durante a maior parte do dia. Esse nível de consumo, frequentemente mantém as reprodutoras em condição corporal adequada e muitas vezes até acima do ideal.

A suplementação adicional é necessária para compensar essas inadequações minerais. Nessa situação, um concentrado proteico ou uma ração balanceada e enriquecida com minerais e vitaminas aumenta o consumo de proteína e micronutrientes.

Usando a mesma égua de 560 kg como exemplo, vamos imaginar que ela receba feno como principal fonte de forragem durante o final da gestação. Geralmente, éguas recebem feno de gramíneas em quantidades aproximadas de 7 a 9 kg por dia. Independentemente da qualidade, o feno contém menor concentração de nutrientes que o pasto verde. Como resultado, há maior necessidade de suplementação, envolvendo o fornecimento de um alimento concentrado (ração).

Fornecimento de calorias e manutenção de peso

Devido ao fato de que muitas vezes as éguas não recebem energia digestível suficiente através do feno, o aumento no fornecimento de calorias é o objetivo principal. Sem esse reforço, as éguas perdem condição corporal, colocando em risco a sua saúde e a de seus potros. Se fornecidas de acordo com a recomendação, uma ração bem formulada e desenvolvida especificamente para éguas em gestação satisfaz os requerimentos de energia e proteína das mesmas. Quando essa ração é fornecida em quantidades que atingem as demandas energéticas (em torno de 1% do peso vivo ao dia), os requerimentos de microminerais também são atendidos.

Algumas éguas conseguem manter seu peso durante o final de gestação numa dieta exclusivamente composta por forragem (sem ração), independentemente de a forragem ser na forma de pasto ou feno. Isso acontece principalmente em propriedades com abundância de pasto e índices de lotação baixos (poucos animais por piquete). Além disso, algumas éguas podem ter índices metabólicos mais baixos que outras, e necessitam de menos alimento para manter seu peso.

Nesses casos, as reprodutoras podem não precisar de um concentrado de alta energia durante a gestação. Entretanto, é fundamental fornecer um concentrado proteico-vitamínico-mineral às éguas gestantes, uma vez que deficiências de certos minerais podem afetar o desenvolvimento e crescimento do feto.

Os pesquisadores têm demonstrado claramente a importância da suplementação micromineral para éguas em gestação. O requerimento de Cobre foi reforçado num desses estudos, onde éguas prenhes foram divididas em dois grupos, sendo um suplementado com Cobre e o outro não-suplementado. Os dois grupos ainda foram subdivididos em quatro, dependendo da suplementação ou não dos potros com Cobre. Aos 150 dias de idade, potros de éguas não-suplementadas com Cobre tiveram maior incidência de fisite; além disso, potros de éguas suplementadas com Cobre apresentaram incidência significativamente menor de lesões de cartilagem articular.

O tipo de forragem consumida pelas éguas durante o final da gestação também pode influenciar no tipo de concentrado oferecido. O consumo adequado de microminerais, através do fornecimento de um concentrado balanceador ou de uma ração enriquecida, é vital para uma nutrição ideal.

Consultar um Nutricionista Equino ajuda a garantir que suas éguas reprodutoras estejam recebendo dietas apropriadas para seu estágio reprodutivo.

Alimentando a Égua após o Desmame

O desmame é um período estressante para os potros e para éguas também. Apesar de muita atenção ser dada aos potros durante esse período, na maioria das vezes a nutrição das éguas não gera a mesma preocupação. Apesar das éguas reprodutoras, especialmente as veteranas, passarem muito bem pelo desmame, as mudanças nutricionais nessa fase não devem ser esquecidas.

Para reduzir a produção de leite, alguns criadores suspendem o fornecimento de ração das éguas cinco a sete dias antes do desmame e continuam com a restrição até que o úbere esteja seco. O consumo de forragem de alta qualidade também é reduzido. Quanto mais rápida for a redução da produção de leite, mais confortável para a égua. Apesar de muito comum, a prática da ordenha deve ser evitada, uma vez que isso estimula a produção de leite.

Se a reprodutora estiver com condição corporal adequada no desmame, ela pode ser colocada em um bom pasto e alimentada e manejada de forma semelhante a uma égua vazia ou em início de gestação. Se a lactação reduziu a condição corporal da égua a ponto dela estar magra, o fornecimento de ração em conjunto com feno de alfafa em complemento ao pasto ajuda a promover o ganho de peso.

Erros na nutrição de cavalos no início de suas vidas podem levar a problemas estruturais que poderão limitar seu potencial atlético. Portanto, a nutrição adequada após o desmame é crítica. De igual importância é a nutrição das éguas após o desmame, uma vez que éguas em condição corporal abaixo ou muito acima do ideal podem ter sua eficiência reprodutiva comprometida.

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