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Nematoides em ruminantes, um prejuízo silencioso

Parasitoses são responsáveis por 90% dos prejuízos em nossa produção e, consequentemente, em nossa economia
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De acordo com o IBGE 2018, o Brasil possui um rebanho bovino estimado em 213.500.000 de cabeças. Temos o segundo maior rebanho e somos o maior exportador de carne bovina do mundo. Diante de um cenário tão promissor, poucos enxergam que nossa produtividade está muito aquém da nossa capacidade.

Em 2014, GRISI L. et al. mostraram que o prejuízo anual em nosso rebanho bovino foi superior a USD$7bi devido, exclusivamente, a verminose causada por nematoides. Desde então, este valor, provavelmente, vem aumentando ano a ano devido a falta de informação ou negligência dos produtores rurais frente ao problema. Um prejuízo enorme e, quase sempre, silencioso.

Os nematoides estão presentes em 100% de nossas pastagens e rebanho. Predominando os nematoides pulmonares e gastrointestinais que, entre as parasitoses, são responsáveis por 90% dos prejuízos em nossa produção e, consequentemente, em nossa economia. Mas poucos pecuaristas têm conhecimento ou consciência disto.

Os prejuízos causados pelos nematoides nos bovinos estão diretamente ligados à nutrição e bem-estar animal, uma vez que a maioria dos gêneros tem sua fase parasitária no trato gastrointestinal, principalmente no abomaso e intestino delgado. Desta forma, a digestibilidade e absorção dos nutrientes ingeridos são diretamente prejudicadas, acarretando perdas no desempenho animal. Estima-se que as perdas nutricionais causadas pela verminose cheguem a 20% da dieta total.

Efeitos nutricionais e perdas na produção

Grande parte das infestações são mistas, ou seja, os animais são acometidos por vários gêneros de nematoides simultaneamente, onde os principais são Cooperia spp, Haemonchus spp, Ostertagia spp e Trichostrongylus spp. A prevalência de um gênero ou outro no hospedeiro depende da espécie animal em questão, sua idade, condição nutricional e da região geográfica que se encontra.

Entre os ovinos, o Haemonchus ssp é o gênero com maior incidência e responsável por grandes perdas na produção e produtividade. Trata-se de um nematoide hematófago, parasitando no abomaso, provocando anemia e podendo levar o animal a óbito, independentemente da idade, sexo ou condição nutricional que se encontre. Há décadas, a ovinocultura sofre com essa verminose e, a cada ano, mais resistentes aos vermífugos químicos, os vermes se tornam. Tal fato, torna a ovinocultura desafiadora em algumas regiões, podendo levar alguns produtores a desistência da atividade.

Por outro lado, nos rebanhos bovinos, o Cooperia spp e Ostertagia spp são os gêneros predominantes e causadores de perdas de desempenho devido aos prejuízos nutricionais. Tais prejuízos são ainda maiores entre os animais jovens (0-24 meses), pois, em fase de crescimento, possuem uma maior exigência proteica quando comparados aos animais adultos. Os danos causados pelos nematoides ao processo de digestão e absorção dos nutrientes e, principalmente, ao aporte proteico destes animais podem ser grandes e irreversíveis dependendo da carga parasitária presente. Tais danos afetam diretamente o desenvolvimento, desempenho, e produção durante toda a vida desses animais.

Na fase de cria e recria, a verminose causa prejuízos que serão acumulados ao longo da cadeia de produção, pois vacas em reprodução necessitam de um maior aporte nutricional para manifestar todo seu potencial e, quando afetadas de forma negativa nutricionalmente, desencadeiam perdas no seu ciclo reprodutivo ocasionando menor taxa de prenhezes, menor taxa de natalidade, maior intervalo entre partos, maior número de abortos entre outros. Somando-se a esses fatores, é possível a transmissão de nematoides para a cria através do leite, o que ocasionará perdas significativas em todo o ciclo de produção e, quando não tratada corretamente, a verminose pode levar o animal a óbito.

Porém, há décadas, a resistência dos parasitas às moléculas existentes no mercado é um problema corriqueiro no dia a dia das propriedades rurais e uma tentativa em vão de solucionar o problema, pois a maior parte dos parasitas encontram-se na pastagem. Isto torna o tratamento, exclusivamente no animal, mesmo que bem-sucedido, ilusório. Afinal, aplicações esporádicas dos químicos não são capazes de evitar a recontaminação durante o pastejo e possuem elevado período de carência no contexto da produção de alimentos. Neste cenário, a exclusiva utilização de vermífugos químicos é uma alternativa ultrapassada e, de certa forma, ineficiente quando a questão é nematoide ou verminose e não condiz com as necessidades de uma pecuária consciente, sustentável e economicamente competitiva.

Ainda hoje, bilhões de dólares são investidos em uma tentativa (inútil) de conter o problema e, consequentemente, bilhões são perdidos no processo. Isto só reforça a ideia que um tratamento eficaz no combate aos nematoides é necessário em todas as fases da criação, a fim de evitar perdas na cadeia produtiva, na qualidade dos alimentos e na economia.