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Marcha Trotada, “a filha do galope”!

ÚNICO andamento genuinamente brasileiro que existe na equinocultura!
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A seleção da raça Mangalarga começa muito antes da formação das associações de raça. É uma seleção que remonta a própria colonização do Brasil, ao estabelecimento da família Junqueira no Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo e que deu origem a duas raças de cavalos nacionais prima-irmãs e que até hoje lutam em firmar bases sólidas para suas identidades.

Ninguém sabe de onde veio o gosto pela Marcha, mas esse acessório, hoje selo racial, sempre foi apreciado, selecionado e caminha junto a tropa Mangalarga desde suas origens. Foi em Minas que a raça aflorou, mas quando migrou para São Paulo, por volta de 1812, essa manada já testada na lida, criação campeira e na Marcha acaba por ganhar outros contornos. Contornos de cavalo Europeu!

Em São Paulo, mais especificamente em Orlândia os “arquitetos” da raça Mangalarga, vulgarmente chamada de Paulista, empreenderam seleção notadamente voltada a um melhor GALOPE e MORFOLOGIA EQUILIBRADA, sempre mirando o modelo de cavalo de sela internacional. Nessa empreitada a infusão de sangues exóticos como PSI, Árabe, Sela Americano, dentre outros, e o uso nas caçadas de veado, foram de primeira importância. Mas eis que nessa busca por um enquadramento de morfologia e galope superiores, surge um subproduto, A Marcha Trotada! A Marcha Trotada é filha da seleção do galope e da morfologia!

Foi com genial argucia que a família Junqueira, na figura de um de seus patriarcas paulistas, Coronel Chico Orlando, observou que os melhores animais de galope apresentavam um andamento característico, diferente de tudo que já tinham observado. Uma marcha diagonalizada, equilibrada, cadenciada, de espaduas soltas, cômoda e que favorecia sobremaneira o galope e a agilidade do animal quando exigido no esporte ou na lida de campo. Era a Marcha Trotada! Está aí o ouro do Mangalarga, sua Marcha Trotada, tecnicamente batizada e genialmente observada e selecionada daquela manada original mineira onde toda uma miscelânea de marchas era propagada sem maiores critérios que não fosse a maciez.

O cavalo Colorado (1912) que ficou sendo então o modelo de cavalo Mangalarga, aquele que reunia em si todas as qualidades observadas em seus antecedentes e que só mostraram utilidade com a seleção funcional e morfológica paulista, foi o ápice, e não o começo de um trabalho de seleção que já durara cerca de 1 século em terras bandeirantes. Por fim, é importante ressaltar também que nenhuma outra raça no mundo possui tais características como temos no Mangalarga, sendo então, não só uma jabuticaba Brasileira, mas verdadeiramente uma pérola negra preciosa que devemos valorizar e manter fiel ao seu padrão racial original.

Luiz Alberto Patriota Associado

*Artigo publicado como trecho do livro ‘O nosso Mangalarga” de Ricardo Casuish, Gilberto Junqueira e família no apêndice.