Mangalarga e Mangalarga Marchador: dois Cartórios! Duas Raças?

Qual seria, realmente, a verdadeira versão?
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Pilares das Raças: Colorado ( Mangalarga ), Herdade Cadilac (Mangalarga Marchador)

As origens da tropa em Minas Gerais e suas “linhagens” primordiais, Fortuna, Joia da Chamusca, Sublime, Gregório, Telegrama Velho, Rosilho/Abismo, estão lá, incontestes, como sementes primeiras a darem frutos no Mangalarga e no Mangalarga Marchador, e sobre ninguém pode argumentar diferente. Mas, quase que se aproveitando dessa origem comum, surge o grifo de um eminente criador, que diz: “…uma raça com dois registros! ”. Eis a tese: É uma mesma tropa, origens comuns, uma mesma raça que só se dividiu por dificuldades de registro, por ter deixado de fora muitos criadores, principalmente fora do Estado de São Paulo à época do fechamento do livro na associação paulista. Sob o argumento do fechamento do livro de maneira precoce, em 1943, na recém-fundada ABCCRM, os criadores de Minas tomaram a decisão de fundar, em 1949, a ABCCMM. Pus-me a pensar, seria essa a verdadeira versão da história?

Pelo que compilei em registros históricos, creio que não…. Dizer que os mineiros abriram seu cartório por causa do fechamento precoce do livro de São Paulo é uma meia verdade. As divergências deram-se muito mais por questões político-econômicas (SP X MG), e mais ainda por divergências zootécnicas.

O cartório de São Paulo foi o primeiro a lançar bases zootécnicas sob a tropa que, há cerca de um século, já vinha selecionando prodigiosamente, diga-se de passagem, a MARCHA TROTADA. O Padrão Mangalarga em solo paulista foi a primeira associação de raça fundada no país em 1934, e já nasceu com um padrão racial e um modelo zootécnico muito bem definido e consolidado. A associação dos paulistas não foi simplesmente uma tentativa de agregar a raça nacional e seus criadores, mas uma ação concreta para preservar um padrão, um modelo racial já consolidado há muitas décadas na região de Orlândia. Mas, são justamente essas definições de padrão, e exatamente esse andamento único que constituem o selo racial da tropa de São Paulo, os cernes da discórdia entre mineiros e paulistas até hoje.

A exclusão sumária de toda diversidade de andamentos em tríplice apoio e o registro em cartório paulista foi demais para os criadores de Minas, e cinco anos após o fechamento do livro de São Paulo foi fundada uma nova agremiação, incrivelmente com o mesmo nome de sua prima-irmã, a Associação Brasileira de Criadores do Cavalo Mangalarga Marchador, congregando todos que não se enquadraram no modelo Paulista. 

Identidades e modelos de cavalos sólidos em ambos os cartórios

De lá pra cá, infelizmente, foram muitos os desvios de rumo, modas e contrabando genético nos dois cartórios, muitas vezes sob o argumento do melhoramento racial ou, novamente, sob o argumento de “uma raça com dois registros”. Desse modo é que penso ser primordial entender, de uma vez por todas, o dilema “Origem Comum X Modelos Diferentes”, para criarmos identidades e modelos de cavalos sólidos em ambos os cartórios. E também para que, talvez, num futuro próximo, sem sombra de dúvidas, possamos todos – mineiros e paulistas -, estarmos convictos de que são dois Cartórios e duas Raças, patrimônios nacionais e, cada qual, com sua beleza, função e banco genético!!!

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