Grandes histórias que pequenas coisas nos contam

Celebrando as transformações
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Grandes histórias que pequenas coisas nos contam
Foto: Kate Trysh no Unsplash

Virada de ano é sempre uma oportunidade de refletirmos, sobre o que foi e o que pode ser, e de analisar criticamente o que nos rodeia. Este ano eu aproveitei para revirar os meus armários, e me deparei com três pastas repletas de cartões de visita.

Interessante esta expressão, em português: a pessoa que entrega o cartão é a visita, a troca aconteceu num momento efêmero (apenas visita, passageiro, superficial, não definitivo) ou ela estaria convidando a outra a visitá-la, tendo agora o seu contato?

De qualquer maneira, remete a algo muito pessoal e repleto de expectativas. Assim é o ritual de entrega de cartão na cultura japonesa, com uma reverência incrível.

Em inglês é Business Card, que indica o ambiente/a intenção de se fazer negócios.

Mas o que me chamou a atenção foi que os cartões contam uma história de Sustentabilidade: vários são da época que papel reciclado passou a ser o novo must. As pessoas chegavam a pedir desculpas, indicando que assim que aquele lote de cartões em papel branco se esgotasse, Compras já tinha sido devidamente orientada a adquirir junto a gráficas que trabalhassem com o reciclado. Talão de cheque (quem é dessa época?), Relatório Anual, tudo vindo de organização ou pessoa comprometida com a Sustentabilidade, tinha que ser no reciclado.

Depois veio a onda do plastificado ou PVC, horrível para fazer anotações, como eu costumava fazer: em qual contexto conheci aquela pessoa? Quando? Disse algo a seu respeito, que seria interessante lembrar?

Então veio a era de compartilhar um QR code, ou puxar o contato do LinkedIn. A pandemia, mais tardar, sacramentou  as alternativas digitais.

Agora ninguém mais entrega cartão, nem vale a pena guardar, pois as pessoas mudaram de organização, de momento de vida, a organização não existe mais, ou, no mínimo, a probabilidade é grande do(s) telefone(s) e/ou do endereço terem mudado.

Outra coisa que reparei foi a evolução das logos. Além do traçado, da fonte, a escolha das cores revela muito: azul representando o ser humano; vermelho força e paixão, liderança, protagonismo; verde o compromisso com o Meio Ambiente, evidentemente. Uma mesma organização, comunicando valores distintos, ao longo do tempo. Teria a cultura organizacional acompanhado estes movimentos?

O meu cartão de vida mudou muito de endereço, de traçado e de cor. Hoje, escolho o branco da Paz: de espírito, de estar bem comigo mesma, com os que amo e com a Natureza, e desejar do fundo da minha alma que a Humanidade deseje o mesmo.

Sonia Karin Chapman

Diretora Chapman Consulting

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