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Beleza Zootécnica e o Desafio Moderno da Seleção Funcional na raça Mangalarga

"A beleza é um valor tão importante quanto a verdade e a bondade" Roger Scruton
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Admitiam os antigos filósofos gregos, é belo aquilo que nos eleva à perfeição, portanto, é belo o que é bom. Na zootecnia o conceito de beleza zootécnica não é muito diferente. Avanços enormes na raça Mangalarga foram feitos em termos estéticos e na marcha trotada típica da raça, no entanto, ainda precisamos avançar bastante nas questões de temperamento, rusticidade, resistência e mesmo no galope, “pai da marcha trotada”, o que se pode traduzir de maneira resumida como Funcionalidade ou Usabilidade dentro do padrão racial.

Quem usa um cavalo na prática sabe que características como bom temperamento de sela, equilíbrio e resistência acabam sendo muito mais relevantes do que qualquer outro quesito. Saúde (rusticidade), temperamento e resistência definem um bom cavalo. Caracteres morfológicos e andamentos definem as raças e estes só existem quando exacerbam ou aprimoram aquelas características básicas – deste modo acabam sendo indissociáveis.

Não existe beleza inútil! Alvo de estudo da ezoognósia, ramo da zootecnia que estuda o exterior dos animais e como ele se correlaciona com suas funções e sua fisiologia, conceitua-se a beleza zootécnica como sendo o que é bom, aquilo que funciona para uma determinada atividade ou função e enquadra esses caracteres dentro de proporções gerais e parâmetros desejáveis. O problema é quando as generalizações começam. Estudar proporções mecânicas ou tipos morfológicos e, dentro destes parâmetros, generalizar de modo dedutivo que um animal é melhor do que o outro, não funciona. Existe muito mais em um animal ou cavalo especificamente do que o que os olhos podem ver. Os parâmetros são indicativos, mas só na prática é que pode se avaliar o que é melhor.

Do contrário, poderíamos formar plantéis inteiros cruzando e selecionando apenas fotografias!!! Por exemplo: Um úbere grande é indicativo de boa produção leiteira, mas nem por isso a vaca que tem maior úbere sempre produz mais leite. Um cavalo grande tende a saltar mais alto que um pequeno cavalo, no entanto, nem sempre o maior cavalo é o que salta mais alto. Muito hoje em dia na raça Mangalarga discute-se sobre beleza, proporções, porte, peso, etc, visando uma raça compatível com seu projeto zootécnico, funcional, rústica e de bons andamentos. E, muito se fala em como compatibilizar tais parâmetros, amplamente já discutidos e definidos no padrão racial e mesmo décadas antes dele, dentro dos julgamentos morfológicos funcionais das exposições. Essa compatibilização é extremamente limitada. Só obteremos as respostas certas se fizermos as perguntas corretas!

As pistas de julgamento e os juízes só podem nos responder aquilo que perguntamos a eles. E estamos perguntando apenas o seguinte: Qual cavalo, nessas condições, se enquadra melhor na cartilha da raça preconizada junto à associação? Só…. Falar que um animal que passou por essa sabatina é mais rústico, mais resistente, tem melhor temperamento, portanto é mais funcional que este ou aquele é pura dedução intelectual, sem base concreta específica para estas qualidades. E são qualidades inerentes e importantíssimas à raça Mangalarga em sua funcionalidade básica de cavalo de sela de um país tropical e continental como o Brasil.

Qualquer tentativa artificial de imposição de score corporal, modo de manejo, equitação acaba caído por terra; primeiramente por ser mais do mesmo, deduções e generalizações de cartilha e, depois, porque naturalmente, dada uma condição de competição, os agentes participantes vão usar de todos os meios cabíveis e possíveis para chegar em melhor condição naquela competição e estritamente para ela, não importando nada que não seja apenas o relevante para vencê-la. De modo que, sem as “perguntas” ou MEIOS DE SELEÇÃO corretos nunca chegaremos à seleção eficaz e completa na raça. Portanto, o velho Colorado, ápice da seleção e modelo da raça, nascido em 1912, vai ficando para trás somente como uma lembrança.