O AGRONEGÓCIO MAIS PERTO DE VOCÊ

Associações de Criadores e o “Efeito Pirâmide” – Parte 2

Basta olhar por outro ângulo - Uma análise despretensiosa que busca uma solução simples
Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp
Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp

No primeiro artigo abordei o motivo ou o movimento em cadeia que tem levado muitas Associações de Criadores e suas respectivas raças, igualmente, a uma situação cada vez mais desoladora e de verdadeira irrelevância econômica.

Nesta segunda parte, gostaria de falar da principal solução para a problemática anteriormente apresentada: A falta de uma base forte e larga de usuários, associados e criadores.

Não pretendo aqui destrinchar uma lista de ações de fomento, porque a maioria delas já é bastante conhecida e, por vezes, aplicada e reaplicada sem muitos resultados práticos por essas mesmas instituições. O que tenho em mente é entrar no âmago do motivo que leva uma raça ou associação de criadores a prosperar, a ter a tal base larga em sua pirâmide.

O sonho de ser criador!

O que leva uma pessoa criar cavalos, gado ou qualquer outro animal de raça?

William E. Jones dizia que um “verdadeiro criador de cavalos orienta sua criação por toda a vida na tentativa de criar ou preservar um cavalo perfeito”. Outros criadores, porém, diriam que simplesmente buscam estatisticamente o “Cavalo de Um Milhão de Dólares”. Assim, eu diria que o sonho de ser criador é um conjunto de fatores: ambição, status, prazer, desejo de deixar um legado. E todas essas motivações são motores fortíssimos que movem homens, países e até reinos inteiros a devotarem-se à criação de raças e a formação de animais lendários.

Aí está a mola propulsora das Associações que dão certo! Elas sabem deixar a chama do sonho acesa nos criadores e admiradores de suas raças.

Analisemos novamente as três Associações/raças já citadas como casos de sucesso no último artigo.

Nelore e o Quarto de Milha são verdadeiramente sinônimos de sucesso, de liquidez, de mercado consolidado, leilões lotados, preços recordes… O Quarto de Milha coleciona cifras nas estatísticas de seus cavalos, as coberturas são tabeladas por parâmetros de faturamento real dos filhos que esses garanhões geram em corridas, vaquejadas e provas mundo a fora. O Nelore é raça que transcende qualquer moda, é o motor da pecuária do Brasil, com seu inseparável combustível africano, a Braquiária, sustenta a pecuária de nosso país faz décadas. São mercados sem fronteiras, internacionais, de liquidez e preços atrativos. Não é preciso sequer gostar das raças, os números, como investimento em si, falam sozinhos. Ainda assim, ícones no imaginário popular não faltam – quantos não já sonharam em ser um cowboy, em viver suas aventuras desde a infância, quantos não gostariam de ser “O Rei do Gado”? São lendas, músicas e milhares de histórias que, não bastassem os números suficientemente atraentes, fazem o restante do serviço e fisgam uma base de criadores, usuários e admiradores robusta todos os anos.

O Mangalarga Marchador, por sua vez, é um cavalo de lazer, não tem carreiras para ganhar ou carne para fornecer, mas ainda assim tem sua própria formula de despertar em todos que o conhecem o sonho ardente de ser um criador. A receita é simples: Tropa rústica, fácil de criar e uma certeza, TODOS podem ser campeões no Marchador!

Os eventos e exposições da ABCCMM são um caso à parte, são encontros que quando podiam ser realizados com público presencial, dificilmente não atingiam a condição de megaeventos, centenas de inscritos, pistas lotadas e premiações aos montes. O grande segredo do Marchador é que todos que entram na raça e nas pistas têm a convicção de que podem ser vencedores – não importa a marca do criador, os milhões ou poucos milhares investidos, se o animal foi treinado na esteira elétrica ou nos morros em um pequeno sítio no interior de Minas -, todos têm o direito de viver e sonhar o sonho de ser campeão.

Não há contra-fomento maior em uma raça do que o iniciante perceber que está entrando em um clube de privilegiados, em um jogo de cartas marcadas, em uma associação ou uma raça em que o novo criador sabe que, por mais que se esforce, nunca vai poder ter sucesso. Isso mata o sonho!! E não há fomento que o ressuscite.

Quando um iniciante começa a criar gado, sabe que não importa se ele é bilionário ou se veio de uma família tradicional; se o seu touro tiver DEP`s (Diferenças Esperadas de Progênie) relevantes, ele será valorizado. Um investidor do QM, que começa a criar, sabe que se seus produtos forem mais velozes, não importa sua marca, eles serão campeões. E um sitiante, por mais simples que seja, no Mangalarga Marchador vê seu produto, muitas vezes, desfilar entre cavalos que antes só acompanhava pelas capas de revista.

Aí está o ‘fomento’, aí está a ‘ação’: Manter vivo o sonho de poder ser um criador, e um criador de sucesso!

É desse sonho que vivem as raças e associações populares e de sucesso, independentemente de suas ações cotidianas, características ou peculiaridades de mercado. Esse é o combustível comum a elas, que move milhares de pessoas todos os anos, incentivando-as a se associarem, a criarem e a formarem mercados inabaláveis.

Enquanto o corporativismo, a cobiça, a vaidade e o orgulho cegarem alguns dirigentes de associações Brasil a fora, eles nunca poderão entender o que se pode fazer com um simples sonho, e com as raças extraordinárias que têm em suas mãos!