O AGRONEGÓCIO MAIS PERTO DE VOCÊ

Associações de Criadores e o “Efeito Pirâmide” – Parte 1

Associações de raça em tempos de Covid e Lockdown, problema novo?
Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp
divulgação ABCCRM
Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp

Eventos cancelados, associados passando por dificuldades, impossibilidade de viagens e visitas pessoais são desafios novos para as associações e, mais uma vez, aquelas que estiverem construídas em bases sólidas e largas, prosperarão! Sempre foi assim!!!

Houve um tempo em que as associações de criadores de animais brilharam, as décadas de 60, 70 e 80 foram a “Golden Age” das associações e eventos agropecuários. Não é preciso ser muito antigo para lembrar dos bons tempos do Parque da Água Branca na capital Paulista e tantos outros parques de exposição que faziam eventos disputados e lotados.

Associações proliferavam, de “scargot a chinchila”, quase todas tinham bom quadro de associados e receitas anuais confortáveis.

O que vemos hoje, no entanto, é um cenário bastante distinto, mesmo antes da pandemia. Observamos a dificuldade que algumas associações de criadores vivenciam: exposições vazias, calendários esparsos, cada vez menos associados entrando e, muitos dos que já existem, caminhando para a inatividade. Raças lendárias como o Lusitano, Árabe e o antes soberano Mangalarga Paulista ficaram praticamente reduzidos à história e seus eventos, a encontros de poucos amigos e simpatizantes fiéis. Até mesmo os cobiçados hipódromos e seus caríssimos Puros-Sangues, hoje, são meros espectros pálidos do que já foram um dia.

Ainda assim, na contramão desse cenário desalentador, algumas raças, mesmo nos tempos difíceis em que vivemos, crescem cada vez mais e, mesmo em meio a crises financeiras e sanitárias sem precedentes, suas associações acumulam números de fazer inveja a qualquer multinacional de grande porte. Por que?

A resposta é o que chamo de “Efeito Pirâmide”! Não aquela pirâmide especulativa, mas justamente a antítese dela, uma base forte, garantindo a sustentação de um mercado sólido de elite para criadores. E isso eu já pude apurar na prática quando da realização do planejamento estratégico da ABCCRM, quando fui diretor – base larga e sólida de consumidores/associados gera uma associação e um mercado de criadores forte. Mesmo cada associação tendo um nicho de mercado absolutamente distinto da outra, a tese acaba se aplicando da mesma forma.

Veja o Nelore, por exemplo, é a ampla base de consumidores finais que sustenta toda cadeia de criação e melhoramento da raça: Um criador de touros de elite vende sêmen para o criador de reprodutores, que os vende aos produtores de bezerros, que fazem garrotes para recria, que posteriormente são engordados para fazer carne para alguém comer – e são mais de duzentos milhões de pratos esperando para ser abastecidos todos os dias. São números colossais! Mais de 80% do rebanho nacional é composto de bovinos (Fonte: Estudo do Complexo do Agronegócio do Cavalo), e a arroba não para de subir.

Outro exemplo é o Mangalarga Marchador, que contava, até ano passado, com centenas de eventos oficiais lotados todos os anos e tem o maior plantel de cavalos registrado no país. Lá é o grande criador/selecionador que vende matrizes e reprodutores para o pequeno criador local, que vende cavalos para os milhares de usuários e amantes da raça espalhados por todo Brasil.

No Quarto de Milha, que conta com o maior conjunto de associações de cavalos de esporte do Brasil, com centenas de milhares de associados e criadores ativos, e um rebanho de mais de meio milhão de cabeças (Fonte ABQM), também tem toda sua cadeia de criadores de elite sustentada, pois, estes fazem matrizes e garanhões para centenas de criadores, que fazem os cavalos de esporte demandados por essas centenas de milhares de usuários e competidores associados.

Acompanhando os leilões de criadores e os eventos oficiais da ABQM, ABCCMM ou Nelore, muitos chegam mesmo a se questionar sobre os preços e cifras aparentemente exorbitantes, mas, notem que independente de especulações eventuais, há uma demanda real na base que sustenta tudo isso! Não se trata apenas de fumaça ou de uma “Mania de Tulipas”, mas de uma base sólida sustentando um mercado consistente de elite para criadores.

Está aí o segredo que muitos dirigentes e criadores de algumas associações não reconhecem, e permanecem se perguntando “Onde foi que eu errei? ”.

Todo esse cenário de pandemia só vem acentuar problemas já crônicos e latentes de muitas associações de raça, mas que, uma vez diagnosticados, podem e devem ser sanados como veremos em nossa próxima coluna.