ESG – “Ambiental” como Foco

Da série ESG ou ASG vamos destacar e concluir com as reflexões e inspirações que o tema “Ambiental” propõem para o crescimento sustentável do país e do Mundo. Fato é que nossa atenção está voltada a COP27.
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ESG – “Ambiental” como Foco

No momento em que se buscam firmar compromissos de empresas e nações com o objetivo de atenuar as ameaças que as mudanças climáticas nos impõem indiscriminadamente e como cada um de nós, como cidadão ou de forma coletiva, pode influenciar diretamente na rota deste grande desafio.

Dentre as agruras que vivemos marcadas recentemente por tragédias, podemos mencionar alguns eventos que afetaram a realidade brasileira com efeitos marcantes:

(i)  a seca e incêndios no Pantanal, evento recorrente que geralmente causa prejuízos nefastos a biodiversidade;  

(ii)  os deslizamentos de terra causados pela chuva forte na região serrana do Rio de Janeiro, especificamente em Petrópolis este ano de 2022,

(iii) o desastre de barragem em Brumadinho de 2015, que culminou com deslizamentos de terra e a  perda de vida de vários moradores e de uma comunidade;

(iv) derramamento de petróleo nos oceanos, problema ambiental grave que afeta os organismos que ali vivem, decorrente possivelmente de uma série de fatores, tais como acidentes nas plataformas de petróleo ou mesmo com navios-petroleiros. De fato, grandes tragédias de cunho social e ambiental que muito nos entristecem.

Sem falar nos desastres mundiais, tais como enchentes e inundações no sul da África no primeiro semestre de 2022 que matou centenas de habitantes, com grandes índices de doenças e fome, afetando seriamente as atividades econômicas na região. A seca severa que afetou a produção de alimentos e energia na China, causando contínuos apagões e levando ao racionamento de água e eletricidade, e outros tais como a forte onda de calor da Europa, e outras que representam grandes catástrofes de conhecimento geral.

Mas como olhar para o futuro e gerar compromissos a serem capitaneados por cada um de nós e nossas empresas? Lembrem-se: já mencionamos a relevância dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU que contempla metas importantes para a melhoria e sustentabilidade do meio ambiente, em especialdestacamoso ODS 13 que trata da preservação e conservação do meio ambiente, estimulando ações que vão da reversão do desmatamento, proteção das florestas e da biodiversidade, combate à desertificação, uso sustentável dos oceanos e recursos marinhos até a adoção de medidas efetivas contra mudanças climáticas.

Existe uma clara preocupação e atenção com o futuro do planeta, a qualidade de vida e o desenvolvimento de iniciativas concretas, formas de financiamento ou plano de ações que orientem a cooperação entre governos, sociedade civil, academias, corporações e indivíduos na definição de prioridades e aspirações voltadas ao desenvolvimento sustentável.

Aqui listamos as principais áreas aonde se buscam iniciativas de impacto a serem gerados visando a melhoria do meio ambiente, são elas: (i) Geração de metas focadas na economia de baixo carbono; (ii) Promoção de economia de energia e água; (iii) Uso racional de recursos naturais; (iv) Otimização e  gestão de resíduos sólidos; (v) Controle de emissão de Gases de Efeito Estufa (GEE);  (vi) Investimento em energia limpa; (vii) Potencialização de tecnologias ambientalmente amigáveis; (viii) Melhor uso de reciclagem e reaproveitamento.

Adotar práticas sustentáveis vai de encontro a uma sociedade consciente que valoriza, além da qualidade de produtos e serviços, as condutas responsáveis em prol do meio ambiente. Consequentemente, destas práticas resultam relevantes benefícios das práticas de ESG no que tange aos resultados das empresas que o adotam. Dentre eles, podemos destacar resultados amplamente conhecidos tais como: o crescimento exponencial de mercado, a redução de custos, a minimização de intervenções regulatórias e legais, a produtividade de funcionários e a otimização de investimentos e ativos. Será que tais benefícios já não são plenamente suficientes….

Um levantamento recente feito pela Câmara Americana do Comércio no Brasil (Amcham) com 178 líderes, sendo a maioria C-levels (CEOs, Presidentes, VPs, Sócios e diretores) ou gestores executivos de companhias e startups em operação no Brasil, destacou que 95% dos entrevistados informou já ter iniciado algum nível de engajamento e ações sustentáveis em suas companhias, sendo que 68% já reconhece benefícios diretos dessa agenda nos negócios.  Entre essas ações, os entrevistados destacam já ter implementado na organização um conjunto de tecnologias ou metodologias capazes de mitigar impactos ou criar soluções mais sustentáveis. E buscam compartilhar resultados e planejamentos estratégicos, aliados a mecanismos efetivos de compliance e conduta para incentivar outros parceiros e colaboradores a seguir o exemplo.

Esses indicadores mostram que mais do que uma tendência, as ações já vêm há muito sendo tratadas como uma grande realidade na maior parte das empresas.  Pesquisas indicam que existe satisfação por parte de clientes e consumidores por aquelas empresas ou atividades que incorporam metas de ESG no seu portfólio – dados indicam que 87% da população brasileira preferem comprar produtos e serviços de empresas sustentáveis e 70% dos entrevistados disse que não se importa em pagar um pouco mais por isso. 

Outro indicador global, o relatório da KPMG com 212 líderes mundiais, apontou que quase 70% deles reconhecem que o ESG é essencial para os negócios como uma proposição de valor.  Isso significa que, além de não oferecer riscos competitivos no mercado, empresas que não reverem suas práticas podem não apenas perder os investidores atuais, como também não ter novos investimentos por longos períodos.

Resumindo: aquelas organizações que ainda mantem seus processos pautados nas práticas tradicionais, tendem somente a perder espaço e representatividade. E a conclusão é evidente: metas em ESG resultam em maior solidez, custos mais baixos, melhor reputação e maior resiliência em meio às incertezas e vulnerabilidades que o Mundo vive. 

Diante destas reflexões, fica a simples pergunta aos leitores: Será que não é o momento real de sair deste período turvo da história, em que retrocedemos há passos largos e resultados catastróficos para a humanidade?  Já estivemos em outros encontros de negociação e celebração de compromissos globais que se perderam ao longo do caminho. As Nações não podem mais deixar para depois o que deve ser enfrentado agora.

A COP27 deve ser a oportunidade para reunir forças em prol da aceleração e mitigação dos riscos climáticos globais e coletivos, buscando a superação de desafios claros e o avanço na aliança de compromissos coletivos. O momento é hoje!

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