Comecei com o “G” de Governança e hoje vou tratar do “S” de Social no âmbito da agenda ESG ou ASG – Ambiental, Social e Governança. Mais uma iniciativa de responsabilidade da Liderança das empresas, vez que as decisões partem desta equipe que deve se empenhar para a construção de um adequado e eficaz Programa de Governança nas empresas.
Na prática está agenda também não é de hoje e não representa nenhuma novidade. Vários diplomas legais instrumentalizaram a necessidade de ampliar ações no âmbito social, visando buscar iniciativas de Inclusão, Diversidade, Equidade e Acessibilidade para a sociedade e para o ambiente empresarial.
Dentre elas temos algumas legislações que impulsionaram este pilar, tais como a que estabeleceu a Lei de Cotas das Universidades (Lei 12.711/2012), que este ano completa 10 anos de existência, fortalecendo o mote da diversidade racial; as cotas para Pessoas com Deficiência que garante a presença de pessoas com deficiência (desde auditiva, física, dentre outras) em cargos da empresa.
Além disso, um tema que atualmente repercute muito no universo empresarial e social – a busca pela equidade de Mulheres em cargos de Liderança, matéria que também reverbera em época de eleições e oportunidades iguais. Há vários projetos que destacam a importância do pilar focado na liderança de Mulheres, dentre eles destacamos “Equidade é prioridade”, um movimento idealizado pela ONU que estabelece metas claras para que empresas integrantes da Rede Brasil do Pacto Global aumentem a quantidade de mulheres em cargos de alta liderança.
Atualmente, tem grande relevância para a contribuição com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), a meta 5.5 da Agenda 2030, que exige a total participação e oportunidades igualitárias na liderança, bem como o ODS 10 que, de forma mais abrangente, trata do compromisso com “a redução da desigualdade e empoderamento e promoção da inclusão social, econômica e política de todos, independentemente da idade, sexo, deficiência, raça, etnia, origem, religião ou condição econômica”.
Pode se observar que: investir em projetos para a comunidade que tenham como foco dinâmicas que visam a implementação de políticas de responsabilidade social dentro da empresa, certamente trarão a todos um propósito maior e inúmeros benefícios a sociedade.
Mas – ainda há muito o que fazer no âmbito social e “fazer de forma diferente e representativa”.
Em recente palestra, registrada pelo site saúdedebate.com.br, em julho deste ano, a empresária Cláudia Coser, CEO e fundadora da plataforma Nobis, plataforma tecnológica que avalia indicadores de impacto no âmbito ESG, destacou a importância do Pilar Social e assim se manifestou: “Cada vez mais em alta no mundo dos negócios, o conceito ESG reúne boas práticas empresariais voltadas à preocupação com as questões ambientais, sociais e a busca pela excelência na governança corporativa. Tais pilares direcionam as empresas na construção e sedimentação de valores que, além de atender às pautas corporativas de responsabilidade e perenidade, estão envolvidos diretamente com a sociedade.”
E de forma muito coerente sobre a “dimensão Social do ESG”, Cláudia Coser trouxe aos participantes seu posicionamento “Quando falamos em diversidade, falamos em escolher os melhores colaboradores entre todos os públicos, e não somente acolher por acolher. A diversidade precisa gerar inovação, produtividade e competitividade”, disse. Conforme a profissional, “é necessário ter mudanças na forma como a Gestão de Pessoas trabalha o recrutamento e a inclusão de diferentes grupos no ambiente de trabalho.”
“Mais impacto, menos assistencialismo. É preciso virar a chave. Partir de ações pontuais, isoladas e fragmentadas, que são puro assistencialismo, para projetos contínuos, integrados e articulados, que geram, de fato, impacto”, comentou. “Assistencialismo não é impacto. O ESG muda a rota e o jeito de fazer aquilo que já conhecemos na teoria”.
Assertivamente, a CEO da Nobis também apontou “se deve montar um plano prático de mudança de postura”. Recomenda quatro critérios: “Compromissos; Alinhamento; Perspectiva Estratégica; e Ética e Transparência. Para tal, precisamos de alguns requisitos, como alinhamento estratégico, materialidade, recorrência e continuidade, investimentos e geração de valor para os negócios. E, para o segmento desse plano, é fundamental ter o monitoramento contínuo, indicadores objetivos, métricas de curto a longo prazo, e, claro, resultados” complementou.
Creio que temos aqui uma receita bem consistente e amadurecida, baseada na experiência de evidências reais de constatação de indicadores. Resta claro que devemos quebrar paradigmas, promover ações de valorização das iniciativas do “S” – Social e mais do que nunca, cada parte pode fazer muito pelo “todo”, em especial se considerarmos a comunidade a qual a empresa está inserida.
Resumindo o S(social) sem G (governança) não avança sem ações de resultado e não impactará para o desenvolvimento social de países como o nosso, em que há muito a se fazer pelo coletivo e pelas minorias.
Por Thais Carloni
Crédito da foto: Divulgação
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