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Leite de cabra na Zona da Mata história especial

A produtora de leite de cabra e veterinária Karine Meirelles expande negócio a partir de cursos e programas do Sistema FAEMG/SENAR/INAES
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 “O Sistema FAEMG/SENAR/INAES foi de fundamental importância para adquirirmos os conhecimentos e as técnicas necessárias para confecção dos produtos com a qualidade e alcançarmos a padronização que almejávamos.” A afirmação é da produtora de leite de cabra e veterinária Karine Meirelles, que participa do Programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) Agroindústria, do Programa Agente de Turismo Rural, além de ter participado de diversos cursos.

Karine e o parceiro André Ferreira estão à frente da Fazenda São Bento, localizada em Leopoldina, na Zona da Mata (MG). “Foi neste lugar, em que passei toda minha infância e adolescência, que aprendi com meus pais, Artur Bernardes de Castro Meireles e Maria Dail de Castro Meireles, a trabalhar e valorizar o meio rural.”

Segundo a produtora, a atividade principal da propriedade sempre foi a criação de gado de leite, com adequação, ao longo dos anos, aos modelos de criação existentes, como implantação de ordenhadeira mecânica, maquinários e métodos de conservação de forrageiras.

Investindo no leite de cabra

Após concluir o mestrado em Reprodução Animal, em 2006, Karine investiu na criação de cabras leiteiras das raças saanen e parda alpina, montando o Capril CabraKadabra. “Nesta época, prestava assistência veterinária a um grupo de criadores de cabras da região. Havia uma empresa, Caprilat, que captava a produção e fomentava a atividade. Com o passar dos anos, outros laticínios foram sendo formalizados, principalmente no estado do Rio de Janeiro, aumentando muito a demanda pelo leite de cabra.”

Contudo, há dois anos, por motivos familiares, Karine decidiu abandonar a atividade. “Foi uma fase difícil, em que tive que desfazer dos animais. A produção caiu drasticamente, tornando inviável a captação do leite pelos laticínios.” Até que recebeu uma ligação de uma mãe que precisava de leite de cabra para alimentar seu filho. “O agradecimento daquela mãe e a promessa de que iria ajudar foram a motivação da qual eu precisava para não desistir dos meus sonhos. Foi o primeiro leite de cabra envasado que comercializei ao longo de catorze anos de produção. O beneficiamento do leite despertou a vontade de fazer outros derivados, como queijos, doces, iogurtes.”

Com foco na qualidade da produção, Karine e André participaram de diversos eventos promovidos pelo Sistema FAEMG/SENAR/INAES. “Foram cursos relacionados à produção de queijos, queijos finos e, em janeiro do ano passado, o evento piloto Derivados do Leite de Cabra, ministrado pela instrutora Aline Machado em Santo Antônio do Aventureiro.” Com as técnicas adquiridas, o casal elaborou um mix de queijos formado pelo Gran Caprino, frescal de cabra, Boursin, Chancliche, além de doce de leite e iogurtes.

ATeG

Desde março do ano passado, eles são assistidos pelo ATeG Agroindústria, que reúne produtores dos municípios de Belmiro Braga, Mar de Espanha, Chiador, Maripá, Rochedo, Leopoldina, Além Paraíba, Cataguases, São João Nepomuceno, Santo Antônio do Aventureiro, Pequeri, Juiz de Fora e Bicas. No total, são 20 agroindústrias artesanais de queijo.

“Estamos nos adaptando para formalizar a atividade e distribuir de forma legalizada nossos produtos, que já ganharam a aprovação de quem experimenta. Trabalhar com a própria matéria-prima, tomando os cuidados necessários desde a ordenha até as etapas de processamento com amor e tecnologia, faz toda diferença na qualidade e no sabor dos produtos”, destacou Karine.

O ATeG vem sendo desenvolvido por meio da parceria entre o Sistema FAEMG/SENAR/INAES e o Sindicato dos Produtores Rurais de Mar de Espanha. Por meio dele, são feitas visitas mensais de quatro horas em cada uma das agroindústrias participantes, além de serem promovidos treinamentos e eventos técnicos da cadeia produtiva. O participante recebe orientações técnicas e gerenciais por dois anos.

“Quase 80% dos produtores rurais do país não recebem assistência técnica, o que reforça a importância do Programa. Focamos na pessoa, no lucro e não apenas no aumento da produção. Além disso, trabalhamos inovação, sucessão familiar e comercialização”, explicou a técnica do ATeG, Aline Machado.

Agente de Turismo Rural

Karine, que integra o grupo do Programa Agente de Turismo Rural, ministrado por meio da parceria entre o Sistema FAEMG/SENAR/INAES e o Sindicato dos Produtores Rurais de Argirita, já tem planos de investir no segmento. “A meta é abrir a propriedade para visitação, investindo no turismo rural. O nome do projeto é Café no Sítio, por meio do qual os turistas poderão desfrutar de um belo café da manhã, servido com produtos fabricados por nós e comidas regionais.”

Como atrativo, a propriedade oferecerá passeios a cavalo; cachoeira; trilhas na mata Cafundó; visitação ao Museu São Bento, que conta a história da propriedade e dos trabalhadores que por lá passaram; além do acompanhamento das atividades rotineiras com os animais. “Ao pé de uma figueira centenária, pretendemos fazer um turismo pedagógico, trabalhando temas relacionados aos animais e à natureza.”

A instrutora do Agente de Turismo Rural, Fernanda Silva, explicou que “o objetivo do programa é valorizar atrativos naturais, culturais, atividades produtivas, fazendas antigas, transformando tudo isso em atrativo turístico, de forma a começar a receber turistas, como nova alternativa de renda para moradores locais”.

Artesanato

Ao mesmo tempo em que se capacita e faz seu negócio crescer, Karine contou que tem mobilizado mulheres da Comunidade dos Coelhos, onde a propriedade está inserida. A intenção é oferecer qualificação por meio do artesanato. Para isso, foi solicitado um curso de Patchwork, a fim de auxiliar as moradoras na técnica de artesanato em retalhos.

“Transformar o lugar onde nasci, transformar as pessoas ao redor e proporcionar qualidade de vida e aprendizagem a todos aqueles que admiram o meio rural, como eu, faz parte dos meus objetivos, da minha vida e dos meus sonhos. Em todo esse processo, sou muito grata ao Sistema FAEMG/SENAR/INAES. Aos instrutores, meu respeito e reconhecimento por transmitirem seus conhecimentos, todo nosso respeito e admiração, e à minha filha Zoe, minha esperança de trilhar meus caminhos nesta terra, fruto do trabalho de muitas gerações”, concluiu Karine.

Fonte: Assessora de Comunicação Sistema FAEMG/SENAR/INAES

Foto:Divulgação/Canva

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