A Queijaria São Victor voltou a colocar a Ilha do Marajó em destaque no maior concurso de queijos artesanais do país. Durante o IX Prêmio Queijo Brasil, realizado na quinta-feira (23), em Blumenau (SC), a queijaria conquistou quatro importantes premiações entre os 2.720 produtos inscritos, número que representa um recorde histórico para o evento.
Nesta edição, 583 produtores de 347 municípios, representando 19 estados brasileiros e o Distrito Federal, participaram da maior premiação de queijos artesanais do país, consolidando o concurso como a principal vitrine da produção queijeira nacional.

Os produtos premiados da Queijaria São Victor foram:
– Medalha de Ouro: Queijo do Marajó Fazenda São Victor;
– Medalha de Prata: Doce de Leite de Búfala do Marajó;
– Medalha de Bronze: Manteiga de Búfala do Marajó;
– Prêmio de Melhor Queijo do Pará: Queijo do Marajó Fazenda São Victor.
A trajetória da Queijaria São Victor no Prêmio Queijo Brasil reúne importantes reconhecimentos ao longo dos anos. Em 2018, a empresa conquistou o Super Ouro; em 2019, recebeu a Medalha de Ouro; e, em 2023, voltou a ser premiada com outra Medalha de Ouro. Em 2024, alcançou a Medalha de Prata. Já em 2025, ampliou sua coleção de conquistas com a Medalha de Ouro para o Queijo do Marajó Fazenda São Victor, a Medalha de Ouro para o Doce de Leite de Búfala do Marajó, a Medalha de Prata para a Manteiga de Búfala do Marajó e o Prêmio de Melhor Queijaria do Pará.
Fundada há duas décadas pelo casal Marcus e Cecília Pinheiro, a queijaria integra a cadeia da bubalinocultura no Pará, com foco na produção artesanal e no contínuo aperfeiçoamento do Queijo do Marajó. Após 20 anos dedicados exclusivamente à produção do queijo, em fevereiro de 2026 a Queijaria São Victor ampliou seu portfólio com o lançamento da Manteiga de Búfala do Queijo do Marajó, um produto que preserva a mesma essência, qualidade e identidade que consagraram a marca.

Valorização da tradição marajoara
Para os sócios-proprietários da Queijaria São Victor, o reconhecimento obtido em concursos como o Prêmio Queijo Brasil tem gerado efeitos diretos e duradouros na realidade produtiva da Ilha do Marajó. Entre os impactos observados estão a valorização do trabalhador rural, o fortalecimento da cadeia leiteira local, o estímulo ao turismo e o reposicionamento do Marajó como território produtor de alimentos artesanais com identidade própria. A visibilidade nacional também contribui para consolidar o queijo do Marajó como um produto de valor no mercado brasileiro.
Os produtores destacam ainda que a ampliação da demanda tem permitido o aumento da produção e investimentos no melhoramento genético do rebanho de búfalas, criado a pasto e com base em capins nativos. “O impacto vai além da nossa fazenda. Essas premiações são de toda a cadeia produtiva, da região, do estado. Elas ajudam a mostrar o valor do trabalho feito aqui”, afirmam.
Apesar de o Doce de Leite de Búfala do Marajó premiado ainda não estar disponível para comercialização, o reconhecimento nacional deve acelerar o processo de certificação do produto, seguindo o mesmo caminho da manteiga, que foi premiada em 2025 e passou a ser comercializada em 2026. “A gente sempre produziu para consumo próprio. Agora que ganhou medalha, vamos solicitar a certificação para poder comercializar”, explica Cecília.
Segundo o casal, essa nova fase deve ampliar ainda mais os impactos positivos na região, com geração de renda, diversificação da produção e incentivo ao fortalecimento da cadeia produtiva local.
Tradição na produção do Queijo do Marajó
A produção de queijo na Ilha do Marajó possui raízes históricas que remontam à colonização da região. “Nossa região produz há muito tempo. Acredito que começou ainda na época da colonização, porque ficávamos longe dos grandes centros, então era necessário produzir o próprio alimento”, explicam Marcus e Cecília Pinheiro. “Hoje, nosso produto também representa o trabalho dos nossos antepassados. Trabalhamos para continuar essa atividade que não começou conosco, mas à qual damos continuidade.”
Atualmente, a Fazenda São Victor mantém um rebanho de búfalas criadas a pasto e em vegetações nativas da ilha, com foco na produção artesanal que preserva a identidade territorial e os métodos tradicionais. “Sempre tivemos um amor enorme pela região e optamos por trabalhar no campo. Estamos há mais de duas décadas dedicados ao avanço da cadeia da bubalinocultura paraense, investindo no melhoramento genético das búfalas e na diversificação da produção para aumentar o rendimento, especialmente com o queijo artesanal e tradicional do Marajó”, acrescentam.
Apesar dos desafios diários, agravados pela distância e pelas condições locais, os produtores destacam o orgulho pelo reconhecimento obtido. “Não é fácil, são inúmeros obstáculos, mas estamos muito orgulhosos do reconhecimento que estamos tendo”, finalizam.
Por: Natália Oliveira- Agência Agrovenki
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