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Diminui o consumo de carne bovina no Brasil

Segundo estimativa da Conab, o consumo per capita caiu mais de 4% só nos primeiros quatro meses do ano
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De acordo com o IBGE, o preço das carnes em geral subiu 35% no país nos 12 meses até abril, mais que cinco vezes o próprio IPCA no período, afetando principalmente no consumo da carne bovina. No caso da arroba do boi, o preço subiu mais de 50% na comparação com o mesmo período de 2020, operando atualmente em cerca de 305 reais, um pouco abaixo da máxima história registrada em 2021, segundo dados do Cepea.

Enquanto os frigoríficos lidam ainda com uma cíclica diminuição da oferta de animais para abate, a alta dos preços da carne bovina levou o brasileiro a procurar opções mais baratas, incluindo frangos e suínos. Além disso, o consumo de ovos, que o Brasil quase não exporta, chegou ao maior nível em 20 anos.

Só nos primeiros quatro meses do ano, o consumo per capita de carne bovina caiu mais de 4% em relação a 2020, estima a Conab. Esta constatação é um dos reflexos da mudança de hábitos na à mesa dos brasileiros diante da pandemia de covid-19. A população teve que se adaptar, ao mesmo tempo, com a redução de renda e o aumento de preços, muitas vezes cortando a carne bovina de sua lista de compras. O consumo da proteína chegou ao menor nível em 25 anos de acordo com dados do governo, que calcula a disponibilidade interna do produto subtraindo o volume exportado da produção nacional.

Agora, cada brasileiro consome 26,4 quilos desta proteína ao ano, queda de quase 14% em relação a 2019 –quando ainda não havia crise sanitária. Este é o menor nível desde 1996, início da série histórica da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

O pesquisador do setor de bovinos da Embrapa, Guilherme Malafaia, diz que “a questão da pandemia trouxe desemprego e perda de renda”. E conclui: “A perda do poder aquisitivo enfraqueceu o consumo interno da proteína”.

O mercado brasileiro de consumo de carne aponta alternativas

Com a alta das carnes, algumas famílias agora comem mais ovos. De olho na nova clientela, há maior procura por material genético para produzir ovos em pequena escala e vendê-los nas grandes cidades, diz Marcelo Miele, pesquisador para aves e suínos da Embrapa.

O preço do ovo não subiu como o do frango, cuja alta ficou em linha com a inflação de alimentos; e muito menos que o do suíno, que subiu bem acima dos alimentos por causa de um aumento da exportação para China, disse Miele.

No lado da oferta, a alta do preço das carnes no Brasil também reflete maiores custos de produção. Para as empresas, a escassez de bovinos para abate causa uma ociosidade na indústria que seria entre 35% e 40%, estima Malafaia, com reflexos no suprimento doméstico. Se a empresa tem autorização para exportar, a preferência é abater e vender a clientes como a China, que pagam em dólares e cobrem os custos, disse.

Já do lado das aves e suínos, o vilão é o milho, que dobrou de preço no último ano e é o mais importante componente da ração. Mas mesmo com custos mais altos, os produtores de frango e suínos conseguiram aumentar a disponibilidade interna dos dois tipos de proteína.

Houve alta de 5% no consumo per capita de suínos e 6% no de frango em 2020, parte disso impulsionado pelo auxílio emergencial, disse Miele, citando dados da indústria e do IBGE.

“Com a pandemia, pensamos que haveria problemas de ruptura da cadeia”, disse Miele referindo-se a frangos e suínos. “Mas pelo que aparece na estatística de consumo per capita, não foi isto que aconteceu.”

Fonte: Reuters/Conab/Embrapa

Crédito da Foto: Divulgação

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