Estamos em 2050!
Nos tornamos a 5ª maior economia do mundo, com China e Índia respectivamente ocupando o 1º e o 2º lugar no ranking.
Crescemos com nossa área agrícola 26,7%, saindo de 78,2 Mha em 2023 para mais de 100 Mha plantando grãos, principalmente soja e milho, ocupando áreas de pastagem degradadas, tendo ainda 20 Mha de áreas degradadas a serem utilizadas sem causar desmatamento.
A consciência de gerar um mundo melhor, fez do crédito de carbono, um grande negócio para a agricultura brasileira.
O combate ao desmatamento deixou de ser um problema, com a criação de sistemas “real time” de gerenciamento e alertas, aliado a consciência dos produtores que necessitam comercializar em qualquer país do mundo, atendendo as legislações de proteção ao meio ambiente.
Através dos esforços de empresas privadas, startups e da Embrapa, desenvolveram variedades melhoradas de soja, milho, feijão e arroz, com maior tolerância à variação climática, secas ou chuvas em excesso, que suportam/mitigam este crescimento médio da temperatura, em torno de 2,0%, apesar da agricultura “sofrer” mais as consequências em anos de La Niña.
O aumento de temperatura não atingiu 2,6% devido esforços de vários países em função do Acordo de Paris que determinava 1,5% de aumento médio da temperatura.
Não foi um sucesso, mas não podemos dizer que foi um fracasso.
Por outro lado, a água está se tornando escassa em muitas localidades e países. Secas causam tempestades de areia ou de terra, que chegam a atingir outros continentes, além de gerar prejuízos para o agronegócio.
Culturas que necessitam de irrigação, utilizam processos avançados de captação de água da atmosfera e gestão de água doce para produção de alimentos, com equipamentos que realizam a gestão individual da necessidade de água por planta. O reuso de água virou obrigação legal.
Áreas de turismo perderam mais com o aquecimento global, tornando muitas áreas turísticas à beira mar, não mais passíveis de serem aproveitadas para lazer, devido avanço dos oceanos, afetando no Brasil lugares como Natal, Fortaleza, Camboriú, Vitória, Jericoacoara e praias como as nossas icônicas Ipanema e Leblon. Não existe mais praia em São Conrado e resta apenas um pequeno pedaço da Ilha do Mel no litoral do Paraná do lado de Encantadas.
Neste ano de 2050, 1,4 milhão de brasileiros estão sofrendo com inundações anuais, apesar de satélites acompanhando e prevendo com antecedência a chegada cada vez mais abrupta de temporais, além de sistemas inteligentes de eclusas e “piscinões”. 1 milhão de pessoas se mudaram para outros locais longe da costa, devido estes locais terem ficado permanentemente submersos com o aumento do nível do mar.
Muitas espécies marítimas hoje só são encontradas em museus, onde de forma holográfica, podemos apreciar o que não tivemos a competência de preservar.
Temos áreas semiáridas na Amazonia que afetou a qualidade de chuvas na região centro oeste, sudeste e sul.
Fruto das consequências deste aquecimento, a economia global está 10% menor que os níveis de crescimento da decada de 2030, mesmo tendo feito parcialmente o “dever de casa”.
Culturas como de café arábica reduziram em 50% sua área de plantio, devido abortamento de flores e menor produção.
Hoje, estão sendo novamente cultivados café próximo ao trópico de Capricórnio, na região do Norte Pioneiro do Paraná e sul de São Paulo, como no século passado antes da terrível geada de 1970. Basicamente utilizam de espécies adaptadas como a Coffea canephora conhecido como Conilon. A Liberica excelsa de origem africana, que suporta calor excessivo, sendo mais aromático que o Robusta. A novidade que em 2020 ninguém conhecia, é a Coffea stenophylla que se tornou o “novo café arábica” para a felicidade dos consumidores de um café com complexidade de sabor.
Há muitos saudosistas da fartura dos antigos cafés especiais arábica, além dos preços que subiram muito acima da inflação.
Os produtores, utilizando da agricultura 8.0 estão totalmente aderentes às boas práticas de ESG, com certificações nacionais e internacionais, que permitem livre comercialização com todos os países, principalmente no caso de açúcar e milho por serem plantas que se adequaram melhor à nova realidade climática.
Houve um crescimento vertiginoso de produtos biológicos no controle de pragas e doenças.
Não há mais limitações de aquisição de insumos, onde produtores adquirem seus produtos em diferentes países onde são mais competitivos, devido custo frete ter alcançado uma eficiência relevante.
O mundo reconhece o Brasil como o maior produtor de alimentos do mundo. Alimentamos hoje mais de 1,5 bilhão de pessoas, num universo de 9,7 bilhões.
Mesmo com toda a tecnologia na produção, inclusive indoor, principalmente para hortifruticultura e do esforço bem-sucedido de manter no campo agricultores que mantém 38 milhões de micro, pequenas e médias propriedades, com uso e desenvolvimento de equipamentos autônomos, com características que atendam diferentes culturas e áreas, sensores de umidade, sensores de pragas e doenças, variedades mais produtivas, e principalmente gerando um ganho entre custo de implantação da cultura e comercialização.
Ainda temos falta de mão de obra crônica devido ao uso intensivo de Inteligencia Artificial em todos os equipamentos, necessitando de pessoas altamente capacitadas.
Nos tornamos um país de idosos, que não conviveram tão fortemente com esta realidade altamente complexa e tecnológica, tendo saído de 14% da população brasileira em 2023 para 30% acima de 60 anos neste ano de 2050.
Com o desinvestimento em aposentadoria, este grande grupo de brasileiros, necessita continuar trabalhando e, pela menor capacidade de incorporar novos conhecimentos no uso e desenvolvimento de softwares inteligentes, equipamentos interconectados, atuam hoje em funções menos rentáveis.
Houve um relativo sucesso na busca de tornar esta parcela mais saudável. Infelizmente, os contínuos investimentos em tecnologia na área da saúde, exclui parte significativa destes idosos ao acesso à saúde, mesmo com uma política voltada à prevenção, além dos diagnósticos e tratamentos serem cada vez mais onerosos, seja pela elevada tecnologia aplicada, pelas superbactérias e consecutivas epidemias causadas pelo aquecimento global, como de medicamentos que necessitam de mais pesquisas, para terem o menor risco de efeitos colaterais e serem mais efetivos, gerando custos mais elevados, desde o processo de descobrimento de uma molécula, desenvolvimento, até ter o medicamento aprovado e pronto para consumo.
Um dado paradoxal, é que as pesquisas apontam que os idosos que continuam a trabalhar são mais saudáveis, felizes e ativos. Os idosos de 80 anos deste ano, são os idosos de 60 anos de 2020.
Devido à queda da taxa de fecundidade que chegou em 2028 a 1,5 filho por mulher, hoje estamos em torno de 1 filho, amplificando o problema de benefícios de aposentadoria, com menor quantidade de funcionários na ativa contribuindo com recursos para a aposentadoria. Para tornar este cenário mais complexo, saímos de uma taxa de mortalidade de 30,1 mortos por grupo de 1.000 nascidos em 2.000 para 6,4 mortos neste ano. São mais pessoas que necessitam de serviços médicos para que esta taxa não retroceda.
Na área educacional, houve um esforço de inclusão tecnológica, além de uma maior integração entre o que é ensinado, utilizando de forma “friendly” os benefícios de APPs e sistemas interativos voltados a capacitar as novas gerações.
Um fato que chama a atenção, é a importância dada hoje aos aspectos não tecnológicos que é trabalhar o desenvolvimento socioemocional dos estudantes, buscando incentivar mais o “trabalhar juntos”, de forma sinérgica, devido haver pouco contato físico real. Ação capitaneada pela UNESCO que, em 2021, realizou um grande debate sobre “Reimaginar juntos nossos futuros: Um novo contrato para a Educação” está colhendo frutos hoje.
Isto não se tornou apenas um benefício para as escolas, mas para as cidades que estão mais inteligentes e hiper conectadas, onde as novas escolas trouxeram temas como a descarbonização, justiça social, inteligencia artificial, com uma mudança de postura de “professor que fala” e “aluno que escuta”, para uma abordagem mais colaborativa, cobrindo parcialmente este déficit crônico de falta de mão de obra especializada, apoiada fortemente por ensino gerado por IA, apoiado em conexões ultra rápidas.
Quanto à tecnologia, o futurista Ian Pearson, listou algumas mudanças em 2023 que acabaram se tornando verdade nestes anos, além de outras como:
– Máquinas que pensam como seres humanos (humanoides) através de inteligencia quântica e IA;
– Próteses que substituem determinados orgãos por outros, desenvolvido com as próprias células do paciente em escala, devido aperfeiçoamento científico que barateou o custo deste processo, tornando a vida mais longeva;
– Roupas que “leem” o clima e se adequam à esta variação climática, que hoje é muito mais aleatória e abrupta em apenas um dia, acabando com a necessidade de um casaco, de um guarda-chuva ou de uma roupa mais leve, pois possui tanto um sistema de refrigeração como de aquecimento;
– Zero livros onde é possível acessar e armazenar informações via realidade aumentada, de chips implantados que responderão a qualquer dúvida, de córneas que terão equipamentos para ler o que necessitam, ou hardwares para ouvir o que foi questionado nos ouvidos;
– Zero smartphones substituídos por computadores vestíveis, pulseiras com telas ou córneas que funcionam como telas;
– Pequenas empresas que são multinacionais, dentro da premissa que qualquer negócio pequeno que venda seus produtos a milhares de quilômetros de distância por meio de uma plataforma digital se enquadram neste segmento, potencializando nichos como a diversidade na moda. Isto só se tornou possível devido escalas de rotas de distribuição internacionais, onde basta ter um produto potencial ou uma ideia diferente para criar, por exemplo, roupas temáticas como as orientais e africanas, utilizando, por exemplo, novas vias pré configuradas para gerar transporte por magnetismo (sem atrito);
Em 2023, a ONU alertava que em 2050 necessitaríamos de mais de 03 planetas para suprir nossas necessidades.
Hoje vemos que a construção de uma sociedade que utiliza mais a reciclagem, o reuso, o uso de roupas e equipamentos autorreparáveis como de origem metálica ou fibras que se recombinam novamente, mitigou esta catástrofe pré-anunciada. Com a melhoria de transporte público, diminuiu o interesse das novas gerações em ter um veículo. Tendencia esta que iniciou na decada de 2010.
Isto não diminui a necessidade de continuar a falar do que nossos avós já pregavam, que temos que consumir os insumos sem criar dificuldades para que nossos filhos e netos tenham acesso a estes mesmos insumos.
O que não mudou foi a solidão. A interação homem – máquina – humanoides, diminuiu muito a contato pessoal.
Hoje há trabalhos que pessoas não necessitam mais interagir com outras pessoalmente pois, mais que home office, as interações quando ocorrem, são de forma “presencial”, seja através de um avatar ou através de uma imagem em 3D.
Uma das razões é que, com a tecnologia tão aprimorada, as pessoas procuram morar em locais que se identificam, buscando qualidade de vida (fato este iniciado pela antiga geração Z) e, com a queda de natalidade, normalmente não há mais o conceito formal de família, facilitando estas mudanças;
No longínquo ano de 2019, um estudo da Comissão Europeia constatou que 7% dos adultos europeus se sentiam sozinhos, que naquela época significava cerca de 35 milhões de pessoas.
Hoje, a solidão é ainda mais concreta com tantos idosos. Normalmente uma pessoa produtiva tem o convívio no trabalho, mesmo que de forma digital, vai a um centro de entretenimento, a uma viagem virtual, onde outras pessoas “estarão lá”.
Com a idade e aposentadoria e perda de renda, não há mais o convívio com os colegas do seu trabalho, diminui muito sua saída de casa e, normalmente, o contato com os familiares e parentes diminui. Aí vem a solidão e a depressão. A vida, apesar de ter sido prolongada, é finita.
Fica aqui uma reflexão:
– Como então, evitar a solidão na terceira idade?
Necessitaremos ser mais analógicos num mundo globalmente conectado, devido uma questão essencial: o ser humano é um ser social e necessita de afeto, abraços, diálogo, troca de ideias e principalmente de amor……
Hoje em 2023 você já disse para alguém que a/o ama? Já abraçou alguém que é importante para você? Amar não é implícito!
Por Mario Fujii
Gerente de logística do inpEV
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