Transformar sonhos em realidade

Em sua estreia como colunista do portal MAB, Mario Fujii, fala sobre o Sistema Campo Limpo, referência mundial para a logística reversa de embalagens vazias de defensivos agrícolas
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Sistema Campo Limpo Transformar sonhos em realidade
Programa visa a correta destinação de embalagens vazias de defensivos agrícolas – Foto: Divulgação

Diante da dura realidade da pandemia, com todas as suas consequências, como distanciamento social, o uso de álcool em gel, máscaras, insegurança, perdas, temos um setor que não parou e, mesmo com condições adversas como a presença do La Niña, manteve o compromisso de produzir alimentos para o mundo, atuando pró segurança alimentar, atingindo 254 milhões de toneladas de grãos. 

Neste segmento, o Sistema Campo Limpo, que envolve agricultores, revendas, cooperativas e fabricantes, utilizando do conceito de responsabilidade compartilhada para a correta destinação de embalagens vazias de defensivos agrícolas, manteve abertas todas as suas unidades, além de realizar campanhas de recebimentos itinerantes (levar a infraestrutura mais próxima dos pequenos agricultores), dentro de rígidos protocolos de segurança, recebendo embalagens e sobras de produtos de 1,8 milhão de propriedades rurais em todo o Brasil.  

Mesmo com todas as dificuldades deste novo momento, celebramos a devolução ambientalmente correta de mais de 630.000 ton de embalagens vazias, desde que o inpEV iniciou suas atividades.  

Baseado em alguns pilares, como: 

Economia circular – Além de ter uma linha de 33 artefatos pós consumo para atender diferentes setores, que mitiga os riscos de gerar “gargalos” nas operações, pois num sistema deste porte, que atende todo o Brasil, não podemos depender apenas de 01 produto.  

Diversificamos e agregamos valor ao que reciclamos, como a produção da primeira embalagem reciclada com certificação UN, a Ecoplástica, para ser novamente utilizada para acondicionamento de produtos fitossanitários. Fazemos o mesmo com as tampas, fechando com isso todo o ciclo de vida da embalagem, praticando o conceito do “berço ao berço”. 

– Meio ambiente – Se transformássemos todo este volume em embalagens de um litro, seriam em torno de 7 bilhões de embalagens que ficariam no meio ambiente por aproximadamente 450 anos.  

Hoje, diante da triste realidade dos mares estarem poluídos com 80% de plásticos, e, se nada for feito, até 2050 teremos mais plásticos que peixes nos oceanos, o inpEV – Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias, conjuntamente com todos os elos da cadeia, destina 94% de tudo que é colocado no mercado. Esta contribuição equivale a economia de energia suficiente para abastecer mais de 5,2 milhões de residências durante um ano, ou a não emissão de 823 mil ton de CO2 equivalente, que significa o plantio de 6 milhões de árvores.  

Este Sistema, tem uma crença e a colocamos em prática, não apenas pela obrigatoriedade legal, mas realizando ações que contribuem para um planeta mais sustentável. 

– Inclusão Social – Geramos mais de 1.500 empregos diretos, com uma governança aprimorada para melhor atender aos riscos e requisitos de compliance. Participa com sua responsabilidade, mais de 4.500 canais de distribuição espalhados em todo o Brasil, que, tem o papel de informar onde entregar as embalagens vazias na nota fiscal de venda e gerenciar o local de devolução. 

– Educação – O inpEV criou o programa de educação ambiental Campo Limpo – PEA, com o apoio das Associações dos canais de distribuição que gerem as unidades de recebimento, e escolas públicas e privadas em todo o Brasil, onde alinhados com a Política Nacional de Resíduos Sólidos e aos Parâmetros Curriculares Nacionais, envolvemos mais de 1,9 milhão de alunos do 4º e 5º ano do ensino fundamental.  

Este programa foi reconhecido como boa prática e caso de sucesso pelo Departamento das Nações Unidas de Assuntos Econômicos e Sociais – UN DESA que dialoga com a proposta dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, especialmente, com o ODS 12 que aborda a questão do consumo consciente e da redução e gestão adequada de resíduos. 

Temos uma certeza: Uma criança que se conscientiza da necessidade de proteger o meio ambiente, será um cidadão mais consciente. 

Diante de um mundo onde a fome assola milhões, o setor necessita cada vez mais manter o protagonismo na produção de alimentos e, ao mesmo tempo, proteger o meio ambiente. E este mesmo produtor que devolve suas embalagens vazias, preserva em suas propriedades 25,6% de toda floresta existente no Brasil. Além disso, alimentamos mais de 1 bilhão de habitantes, mas sabemos que teremos um desafio sempre maior, pois hoje, temos 7,8 bilhão de habitantes e em 2050, teremos mais de 9,5 bilhões. 

Como utilizamos apenas 7,8% da área total do Brasil na produção de alimentos, podemos sim produzir muito mais sem desmatar, e comprovamos que através do uso de tecnologia e das melhores práticas agronômicas nas últimas 4 décadas, crescimento de mais de 383% em produtividade e em área, apenas 33%, utilizando, por exemplo, áreas de pastagens degradadas.  

Além disso, como parte do Acordo de Paris, superamos no Plano de Agricultura de Baixa Emissão de Carbono firmado em 2009, a meta de atingir 4 Milhões de hectares com Integração Lavoura Pecuária Floresta (ILPF) até 2020.  Atingimos 15 Milhões de hectares e a meta é dobrar até 2030. 

Para continuar com este protagonismo, via agricultura 4.0, adaptações de cultivares à nova realidade do aquecimento global, variedades mais resistentes e com maior potencial produtivo, ser, de fato, celeiro do mundo. 

Pensar sustentabilidade, utilizando os conceitos do ESG, é transformar nossos sonhos em realidade, atuando dentro de uma boa governança, do conhecimento, da nossa capacidade de empreender, de mudança do mindset, de desaprender o que não agrega mais valor, sermos protagonistas para que nossos filhos e netos tenham as mesmas necessidades supridas sem degradar o meio ambiente, e, com esta visão holística, de respeito à biodiversidade, colaborar para a construção de um novo mundo, diretamente conectado com o futuro do nosso planeta! 

Depende de nós!   

Por Mario Fujii
Gerente de logística do inpEV

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