Gosto muito de suplementação e sempre escrevo artigos a respeito, mas nenhuma suplementação é eficiente se não tiver um mínimo de pasto, de facho como costumamos dizer. Para que possamos sempre ter na fazenda pastagens de qualidade é bom seguir algumas regras muito simples.
Então, como e quando sei que tenho um bom pasto? As forrageiras “mais comuns” e mais conhecidas do nosso país são na sua maioria dos gêneros, Brachiaria, Panicum, Cynodon, Setária, Andropogon e Hyparrhenia. Dentre esses gêneros temos inúmeras espécies a escolher. Cada gramínea tem sua peculiaridade, tipo de crescimento, adaptabilidade e cada uma delas irá perpetuar a um determinado tipo de solo, índice pluviométrico, temperatura e todos os fatores ambientais correlacionados.
Não cabe aqui, neste artigo, falar qual é a melhor espécie de capim para engorda num sistema de suplementação a pasto, e sim como ela deve estar do inicio ao fim do período de engorda determinado. Toda e qualquer gramínea tem seu valor nutritivo aumentado se bem manejada. Unindo as qualidades intrínsecas de cada espécie mais o manejo, todas têm seu papel fundamental no processo de engorda, como volumoso.
Portanto, quando utilizamos as pastagens de forma errada, ou mesmo subutilizamos, perdemos todo seu potencial nutricional. Como o próprio nome diz, suplementação a pasto é atender às exigências nutricionais dos animais nos diferentes sistemas de engorda, completando o que falta nesse pasto.
Existem maneiras de saber como a pastagem está; com análises bromatológicas (da planta, folha e colmos), bem como análises do solo para determinar qual o nível nutricional naquele determinado período. Assim pode ser definido o sistema de engorda (nível de suplementação) “complementar”, ou seja, o que está faltando para que se atinja o desempenho determinado.
Cada espécie a ser utilizada tem um crescimento único, que varia com as condições descritas mais acima, e esse crescimento é condicionado à boca do boi, ao pastejo e, a altura desse pastejo tem de ser respeitada. Através de diversas instituições de ensino e pesquisa já temos esses dados à disposição para consulta de nossas espécies forrageiras. São muito precisos, basta respeitá-los.
Adotar a prática de colocar os animais pra pastar na melhor altura (máxima) de entrada para cada espécie forrageira e retirá-los na melhor altura (mínima) pra retirada dos animais, portanto, faz toda diferença no sistema – preserva a longevidade e qualidade da planta e do solo e explora o maior potencial de ganho da mesma.
Esse manejo deve ser respeitado tanto em pastejo contínuo, bem como nos sistemas alternados e rotacionados. Conforme o nível de concentrado da dieta adotada, podendo ir de 0,1 a 2,2-2,3 % do PV (peso vivo), o animal supre a necessidade do volumoso (fibra) com o pastejo de maior intensidade a menor intensidade. Denominamos isso de efeito substitutivo. A cada aumento do nível de concentrado, diminuí a quantidade de pastoreio. Permite um controle mais efetivo da altura das pastagens, incrementando um bom nível de ganho de peso do animal e uma melhor conservação da forragem.
A dica é respeitar a natureza das espécies forrageiras para que possamos ter sempre pastos de qualidade e, às vezes, para isso, temos também que recorrer à reposição de nutrientes no solo e para as plantas com adubações. Deve ser recomendada por pessoal técnico especializado e através das análises laboratoriais.
Um pasto bem cuidado pode durar muitos anos sem ser replantado.