Caminhos dos principais setores da pecuária de Corte em 2021

Consultores analisam o segmento de abates de bovinos no primeiro trimestre do ano no Brasil
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Caminhos dos principais setores da pecuária de Corte em 2021
Foto – Divulgação
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Apontando supostos caminhos nos principais setores da pecuária de corte no Brasil em 2021, o consultor Yago Travagini, da Agrifatto, fala sobre a questão dos abates de bovinos. De acordo com o consultor, com a retenção de fêmeas ocorrendo de maneira intensa este ano, já é fato que o abate de bovinos no Brasil deve recuar em 2021. “O que não se sabe é qual será a intensidade deste recuo”, relata o analista da Agrifatto.

A estimativa realista assume que o total de animais abatidos no País em 2021 atingiria as 27,36 milhões de cabeças, recuando 8,19% frente o número de 2020. Em um cenário nada otimista, aquilatando os custos elevados de produção, o que acaba levando a um desestímulo na atividade de confinamento, os abates alcançariam 26,14 milhões de animais, 12% inferior a 2020, segundo projeção de Yago.

Já em um panorama mais otimista, que de acordo como o analista é bastante improvável, o recuo frente a 2020 seria de apenas 3,10%, e o total de animais abatidos ficaria em 28,94 milhões.

Assim, a probabilidade de números muito melhores nos próximos trimestres é pequena, visto, que os preços futuros e os custos elevados não colaboram ao estímulo para a atividade.

Para reforçar a ideia, a publicação da Farmnews mostrou a evolução trimestral do abate de bovinos no Brasil, em milhões de cabeças, segundo dados do IBGE, entre 2008 e 2021. Os números indicam que o abate de bovinos no Brasil segue caindo forte em 2021, destacando que nos primeiros três meses do ano, alcançou o menor valor desde 2009.

caminhos dos principais setores da pecuaria de corte em 2021
Fonte – IBGE

Mas, não se pode deixar de notar, também, que embora o consumo interno de carne bovina esteja em queda no País, a demanda internacional por esse produto nacional aumentou consideravelmente no período, contribuindo para o forte movimento de alta nos preços do boi gordo.

Mais análises

Mesmo com a perspectiva de mais um ano de retração no abate bovino no Brasil, a boa notícia é que se pode acreditar numa reestruturação vivida no setor (IHS Markits, junho).

A semelhança de 2020, o ano de 2021 ainda caminha sob os efeitos do ciclo pecuário para a bovinocultura de corte no Brasil, onde o principal fato que permeia o setor é a nítida redução na oferta de animais, sobretudo para abate. Entre os fatores que nos fez chegar até aqui podemos apontar os períodos de abate de fêmeas, abandono da atividade de cria com severos reflexos na reposição, anos de margens deprimidas, migração para agricultura, condições climáticas adversas, embargos à entrada da proteína brasileira no exterior, crises econômicas etc., que juntos sugerem a possibilidade de um encolhimento real do maior rebanho comercial do mundo.

Pensando por esse prisma, as cotações da arroba bovina registraram recordes históricos em termos nominais e reais no Brasil, não apenas pelo encolhimento da atividade e problemas com obtenção de matéria-prima (boiada), mas também com a abertura de importantes mercados consumidores no mundo que vieram ao país num momento extremamente delicado.

O Brasil é hoje o principal exportador mundial de carne bovina e o papel das vendas externas ajudou as indústrias frigoríficas a lidar, em parte, com os problemas de escoamento da produção gerados pela inconsistência do consumo doméstico da proteína, o qual foi severamente impactado pela crise econômica em função da pandemia.

Nesse contexto, 2021 será mais ano de retração no abate bovino no Brasil, porém, a boa notícia é que se pode acreditar numa reestruturação vivida no setor. A retenção de fêmeas nos últimos dois anos para matriz, o crescimento no investimento em IATF (inseminação artificial em tempo fixo), as manobras visando a ILP (integração lavoura-pecuária), as parcerias comerciais entre pecuaristas e indústrias, o advento dos boiteis, adoção cada vez maior do mercado de baixo carbono na pecuária, são apenas algumas grandes mudanças que tem elevado o grau de profissionalismo do setor e ajudado numa resposta positiva ao crescimento da demanda pela carne brasileira.

Os atuais patamares de preços oferecidos na boiada gorda apontam para um cenário de manutenção deles, pois além das questões relacionadas a características do setor (ciclo do animal), o quadro atual cria oportunidade de investimento, sobretudo com base no importante papel do Brasil no fornecimento de proteínas no âmbito global.

A retomada do rebanho bovino brasileiro deve estar engatilhada, mas com certas barreiras que exigem um novo posicionamento do produtor. O giro de capital é mais lento que outras atividades concorrentes e coloca a necessidade de olhar de forma diferenciada para a propriedade rural, visando maior gerenciamento não apenas financeiro, mas técnico. Além de mirar a qualidade da carne, boas práticas agropecuárias e sustentabilidade produtiva e ambiental das fazendas também pesam nesta conta e abrem oportunidades estratégicas. Logo, a bovinocultura de corte precisa se estabelecer nos próximos anos com foco em ganhar competitividade frente às proteínas concorrentes.

Tal estratégia de negócios passa pela necessidade de monitorar todo o longo e desafiador ciclo da produção pecuária a exemplo do que acontece em outras atividades econômicas, como agricultura ou mesmo na avicultura e suinocultura, tudo isso com foco na gestão de elevar a produtividade no campo.

Com os atuais níveis recordes nos preços há uma oportunidade para romper com os desníveis de tecnologia na bovinocultura de corte em relação às principais atividades concorrentes absorvendo tecnologia e elevando eficiência. Fora da porteira, o mercado de bovinos terminados vem aderindo ao “modus operante” da agricultura, com antecipação de venda através de negociações a termo, fixação na Bolsa ou mesmo parceria que permitam trabalhar melhor os custos operacionais. 

Fonte: Agrifatto, IHS Markits
Foto: Divulgação

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