A Solução sustentável para a crise climática e a segurança alimentar

29 de julho de 2025

A aquicultura emerge como uma alternativa promissora para combater a crise climática, aliando a produção de alimentos à sustentabilidade e à geração de renda. Com baixa emissão de Gases de Efeito Estufa e potencial de sequestro de carbono, a atividade impulsiona a economia azul e a segurança alimentar.
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A Solução sustentável para a crise climática e a segurança alimentar
pescado consumido no mundo (Foto: MPA/Divulgação)

A aquicultura, o cultivo de organismos aquáticos como peixes, camarões, moluscos e algas, está ganhando destaque como uma alternativa sustentável para combater os efeitos crescentes da crise climática. Essa prática integra a produção de alimentos com a sustentabilidade ambiental e a geração de renda, tornando-se uma solução vital para os desafios atuais. Este entendimento é do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA).

Conforme a pasta, atualmente a aquicultura já fornece mais de 50% do pescado consumido globalmente e é reconhecida como uma das formas mais eficientes de produzir proteína animal com baixa emissão de Gases de Efeito Estufa (GEE). Espécies como tilápia, camarão e mexilhão convertem ração em biomassa sem produzir metano. O cultivo de algas marinhas é outro ponto chave, apontado por especialistas como uma solução natural para o sequestro de carbono. As algas absorvem grandes quantidades de CO2 durante seu crescimento, dispensam fertilizantes e podem ser utilizadas na produção de alimentos, cosméticos e até biocombustíveis. Pesquisas também sugerem que a algicultura pode reduzir a acidez dos oceanos, um dos efeitos mais preocupantes do aquecimento global.

Além dos benefícios climáticos, a aquicultura contribui para a adaptação às mudanças ambientais. Ostras e outros moluscos bivalves cultivados em áreas costeiras atuam como filtros naturais, melhorando a qualidade da água e promovendo a biodiversidade. A expansão da carcinicultura (cultivo de camarões) em regiões do sertão nordestino, por exemplo, tem impulsionado significativamente a geração de emprego e renda local.

Fernanda Gomes de Paula, secretária Nacional de Aquicultura do MPA, afirma que o Ministério está focado em simplificar processos e desburocratizar o setor.

– Nosso objetivo é fortalecer a competitividade, valorizar o produto nacional, promover o ordenamento territorial e assegurar a sustentabilidade da atividade, garantindo um desenvolvimento equilibrado que beneficie produtores e o meio ambiente – destaca.

Modelos produtivos inovadores, como a Aquicultura Multitrófica Integrada (AMTI), e tecnologias como os Sistemas de Recirculação de Água (RAS), juntamente com a seleção de espécies mais tolerantes a variações de temperatura e salinidade e a implementação de práticas de manejo que reduzem a dependência de recursos naturais sensíveis, estão alinhados com as estratégias de mitigação, adaptação e resiliência climática.

No âmbito social, a aquicultura impulsiona a economia azul, criando empregos e oportunidades de renda. Em países como o Brasil, com sua extensa costa e vasto potencial hídrico, a atividade é uma aliada crucial no combate à insegurança alimentar e na diversificação econômica local.

Ações do Ministério

Reconhecendo o potencial da aquicultura nacional, o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) propôs uma série de ações para integrar a produção de organismos aquáticos às estratégias nacionais de adaptação e mitigação às mudanças climáticas, conforme o Plano Clima. Essas ações incluem o incentivo a modelos produtivos mais resilientes, focados na redução de emissões de GEE, no uso eficiente de recursos naturais e na promoção de práticas sustentáveis. A proposta também prevê apoio técnico, pesquisa aplicada, assistência técnica e planejamento territorial para garantir um crescimento responsável e inclusivo do setor.

O MPA tem promovido a sustentabilidade na aquicultura por meio de iniciativas como o impulsionamento da atividade aquícola no Ceará, maior produtor de camarão do Brasil, e o apoio a pequenos piscicultores em Rondônia, visando fortalecer o setor aquícola do estado.

Com planejamento e investimento adequados, a aquicultura pode transcender sua função de produção e se transformar em uma solução climática eficaz diante da insegurança alimentar, nutricional e ambiental. Em tempos de emergência climática, conceber soluções sustentáveis implica cuidar de nossos oceanos, rios, reservatórios e lagos, utilizando a água como um recurso fundamental para alavancar a produção aquícola nacional.

Por Cerrado Rural Agronegócios

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