A exportação de carne bovina, principalmente com destino à China, seguirá despontando no Brasil em 2022. É o que disse Fernando Iglesias, analista da Safras & Mercado, durante palestra realizada no dia 24 de março no Safras Agri Week, evento que tratou de tendências e análises do segmento agropecuário global com grandes especialistas do setor agro.
De acordo com o analista da Safras, o mercado brasileiro de carne bovina segue bastante amparado pela forte demanda para o boi padrão China, que vem trazendo uma remuneração diferenciada aos frigoríficos habilitados a atender a esse mercado. “Existe hoje um ágio entre R$ 30 e R$ 40 no valor da arroba destinada à China na comparação com o valor pago pela arroba destinada ao mercado doméstico”, destaca.
Para Iglesias, o Brasil atualmente é o mercado que possui as melhores condições para atender ao mercado chinês se comparado a outros países. “O valor para a produção de uma arroba no Brasil é menor se comparado a mercados como Estados Unidos, Austrália e países do Mercosul, como Argentina e Uruguai. Além disso, tudo indica que haverá uma queda na produção de carne bovina nos Estados Unidos e na União Europeia neste ano. Na Austrália a produção bovina até tende a se recuperar, mas o alto preço da arroba limitará a competitividade do país para atender a outros mercados”, sinaliza.
A expectativa é de que o preço da arroba do boi no Brasil permaneça situada entre R$ 340 e R$ 350 ao longo do ano, muito por conta da boa demanda na exportação e também pelo cenário de oferta de gado ainda limitado no mercado bovino.
Preço elevado de carne bovina
Em relação à atividade de confinamento, a projeção é que haja um declínio no primeiro giro deste ano em razão ao cenário de custos mais elevados no milho e no farelo de soja ainda na primeira metade deste ano. “Só a partir do segundo semestre, com a tendência de melhor oferta de milho, é que temos uma perspectiva da redução de custos e que dessa forma o confinamento possa avançar. A Safras espera que possam ser confinados, neste ano, 6,785 milhões de bovinos, com um avanço de 4,34% em relação ao ano passado”, pontua.
Sobre o cenário doméstico, Iglesias ressalta que a perspectiva em termos de demanda para a carne bovina segue complicada, em razão dos altos valores dos cortes e do poder aquisitivo limitado da população brasileira. “O preço elevado da carne bovina, entretanto, deve contribuir para trazer suporte às cotações das demais proteínas, como a carne de frango e suína”.
Fonte: Agência Safras
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