Versatilidade da pimenta no mercado nacional

O agronegócio da pimenta no Brasil é maior do que se pode imaginar, com sua produção, grandes perspectivas e potencialidades no mercado

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Versatilidade da pimenta no mercado nacional
Foto – Divulgação
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O mercado para as pimentas no Brasil vem passando por grandes modificações, seja pela exploração de novos tipos e variedades, seja pelo desenvolvimento de produtos com grande valor agregado. Sendo assim, há grandes perspectivas e potencialidades do mercado de pimentas pela versatilidade de suas aplicações culinárias, industriais, medicinais e ornamentais.

A pimenta é uma cultura que, tradicionalmente, é realizada por pequenos agricultores, sendo importante fonte de renda no âmbito da agricultura familiar. O que poucos sabem é que o agronegócio da pimenta no Brasil é maior do que se pode imaginar. Envolve produtores rurais, pequenas fábricas artesanais de conservas e pimentas decorativas, indústrias que fabricam molhos, geleias e até a exportação de páprica por empresas multinacionais.

De acordo com estudos da Embrapa que reforçam essa ideia, o mercado para as pimentas é muito segmentado e diverso, devido a grande variedade de produtos e subprodutos, usos e formas de consumo. Este mercado pode ser dividido em dois grandes grupos: o consumo in natura, geralmente em pequenas porções, e as formas processadas, que incluem molhos, conservas, flocos desidratados e pó como ingrediente de alimentos processados.

Para as pimentas in natura, o mercado é fortemente influenciado pelos hábitos alimentares de cada região do Brasil, e são parte importante de vários pratos tradicionais. Os estados da região Sul são provavelmente os que menos consumem pimentas in natura no País, havendo uma preferência pelas formas processadas, como molhos, conservas e pimentas desidratadas. Na região Sudeste consome-se principalmente a pimenta doce do tipo americana, pimenta ‘Cambuci’, ‘Malagueta’ e ‘Cumari Vermelha’.

Já na região Nordeste, predominam as pimentas ‘Malagueta’ e ‘De Cheiro’. Na região Norte, as pimentas mais apreciadas são a ‘Murupi’, ‘Cumari do Pará’ e a ‘De Cheiro’; na região Centro-Oeste, tradicionalmente são cultivadas e consumidas as pimentas ‘Bode’, ‘Malagueta’, ‘Cumari do Pará’, ‘Dedo de Moça’ e mais recentemente a ‘De Cheiro’, anteriormente importada do Pará e atualmente já cultivada em Goiás.

A comercialização das pimentas

 É o mercado que vai determinar sua forma de apresentação, quantidade e preço. Na forma in natura, as pimentas podem ser comercializadas como as demais hortaliças, através das Centrais de Abastecimento (Ceasas), que agrupam e redistribuem o produto para o varejo ou para os grandes consumidores, como indústrias e restaurantes.

Outras formas de comercialização são as vendas para intermediários, que compram a pimenta diretamente do produtor, vendem para distribuidores e empacotadores, que embalam com marca própria e revendem para a rede de varejo.

“A produção e o processamento de pimenta são importantes atividades econômicas, permitindo o aumento da renda, por área cultivada, quando comparado a outras atividades isoladas”, afirma o professora Roseane Mendonça de Figueiredo, que ministrou curso de Produção e Processamento de Pimenta elaborado pelo CPT – Centro de Produções Técnicas.

O mercado para as pimentas nas formas processadas é explorado por empresas, desde familiares ou de pequeno porte até grandes empresas que processam produtos, à base de pimentas, para exportação.

Existe grande número de pequenos processadores familiares ou de pequeno porte que fazem conservas de pimentas em garrafas de vidro e que comercializam diretamente para consumidores em feiras-livres, mercados de beira de estrada, pequenos estabelecimentos comerciais e atacadistas.

As empresas de porte médio, em geral, têm vários tipos de produtos, como conservas, molhos, geleias, conservas ornamentais, entre outros, que são comercializados em supermercados, mercearias especializadas, lojas de conveniência e de produtos importados, delikatessens e até em lojas de decoração. E, por fim, as grandes empresas que são especializadas no processamento de determinados produtos, como páprica e pasta de pimenta.

Por ser o processamento de pimenta muito simples, necessitar de poucos investimentos e os produtos serem consumidos por quase todas as classes sociais em todo o território nacional, o processamento caseiro passa a ser uma boa alternativa para produtores ou empresários, em regiões produtoras, agregando valor à produção.

“Há de se assumir, porém, que os maiores problemas das pimentas, destinadas ao consumo in natura, são a rápida perda de água dos frutos, que resulta em murchamento, e a descoloração do pedúnculo, que perde sua coloração verde característica. Estes dois problemas reduzem o valor de mercado do produto e podem ser motivos de descarte na comercialização”, lembrou Roseane Mendonça.

Para diminuir essas perdas, uma excelente saída para os agricultores, ou empresários de regiões produtoras, é o processamento da pimenta, através da fabricação de molhos, conservas e geleias. Essa atividade agrega valor à produção, aumenta a renda e é fundamental para o aproveitamento dos excedentes.

O processamento de pimenta é fácil e prático, mas, como todo produto artesanal, exige muito cuidado na produção, para que se obtenham produtos de boa qualidade. Não exige técnicas complicadas para preparar e conservar doces e salgados, requer sim, disposição e atenção na aplicação das normas recomendadas, na escolha dos ingredientes, manuseio dos utensílios e observância da higiene.

Dessa forma, consegue-se produtos sadios, duráveis, saborosos e, principalmente, isentos de quaisquer agentes que possam contaminá-los. O consumo de conservas deterioradas pode provocar sérios transtornos à saúde e não são raros os casos de intoxicação por alimentos deteriorados ou contaminados.

Fonte: CPT – Centro de Produções Técnicas, Embrapa
Foto: Divulgação

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