Uma faca afiada chamada erosão

A erosão é provocado principalmente pela ação da água e do vento, ignorada pelo homem que deixou a terra sem vegetação de cobertura.
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A erosão das terras afeta a qualidade das pastagens devido ao carreamento das partículas do solo (areia, silte e argila).
A erosão das terras afeta a qualidade das pastagens devido ao carreamento das partículas do solo (areia, silte e argila).

Solos em plenas condições para exploração agrícola ou pecuária gradativamente perdem seu potencial produtivo, o que resulta em perda das propriedades físicas e químicas favoráveis ao desenvolvimento de, por exemplo, pastagens.

O manejo animal tem influência decisiva, e deve ser feito de maneira correta, o qual envolve diversas ações conjugadas como a determinação da carga animal adequada para evitar o superpastejo – que promove a desfolha exagerada do capim e faz com que a rebrota do mesmo seja prejudicada – além de trazer compactação, retirando a drenagem natural.

Sem essa infiltração no solo, a água corre na superfície e cria seus caminhos pela Lei da Gravidade. Conforme o volume, se abundante, cavam sulcos e leva a terra embora, provocando o que se conhece por erosão, mal que retirada qualidade da terra e prejudica sobre maneira os mananciais com assoreamento.

Nessa toada, a pastagem torna-se escassa (rala) e favorece ainda mais o aparecimento de áreas descobertas e mesmo das ervas invasoras (pasto sujo). O subpastejo também é prejudicial, pois proporciona uma sobra de forragem no solo.

Trata-se do excedente que não é aproveitado pelo rebanho, que prefere se alimentar da rebrota, por ser mais tenra e nutritiva. Assim, é importante conciliar a carga animal com o tipo de forragem mais adequada à região e ao solo para evitar problemas de superpastoreio e de subpastoreio.

A erosão é provocada principalmente pela ação da água e do vento sob terras desprotegidas.
A erosão é provocada principalmente pela ação da água e do vento sob terras desprotegidas.

Ao encontro do fim

O processo de degradação dos solos sob exploração pecuária inadequada pode ser dividido em três etapas, cada uma com características bem definidas. Na primeira, as características originais do solo são destruídas gradativamente, processo que não é perceptível, uma vez que ocorre lentamente.

Nos estágios iniciais da erosão (laminar), se o pecuarista não estiver atento ao desempenho no ganho dos animais e na produção de forragem da pastagem poderá não perceber o sinal de alerta. Em um único dia de chuva torrencial, os estragos podem ser vultuosos, por isso o monitoramento no período das águas deve ser quase que diário.

Nesta fase há a necessidade da avaliação de profissionais qualificados (engenheiros agrônomos, zootecnistas, veterinários etc.) que possuam conhecimento adequado para identificar, por meio de análises de solo ou por meio do desempenho animal, o início da degradação.

No segundo estágio, evidenciam-se perdas acentuadas de matéria orgânica, com forte comprometimento da estrutura. O solo sofre compactação superficial que impede a infiltração de água e a penetração de raízes, bem como o surgimento de crostas superficiais (selamentos).

A erosão acentua-se e as pastagens respondem menos eficientemente à utilização de corretivos e fertilizantes. Surgem, depois, áreas sem cobertura. Neste momento, o processo é acelerado, surgindo a erosão por sulco. A partir do segundo estágio, o pecuarista já consegue perceber sinais evidentes na área.

Na última fase, as propriedades físicas e químicas do solo estão intensamente comprometidas, com colapso violento do espaço poroso. A erosão é acelerada, o que dificulta e até mesmo impede as operações com máquinas agrícolas.

As voçorocas são o estágio mais avançado no processo erosivo. Suas dimensões e a extensão dos danos que podem causar estão intimamente relacionados com o clima, topografia do terreno, sua geologia, tipo de solo e forma de manejo. A produtividade, nesta etapa, cai para níveis mínimos, sem nenhum retorno econômico para o agricultor.

A erosão das terras afeta a qualidade das pastagens devido ao carreamento das partículas do solo (areia, silte e argila), diminuição das quantidades de água disponível e, ao mesmo tempo, remoção dos nutrientes nele antes presentes, incluindo as perdas de matéria orgânica e dos macros e micronutrientes.

Com a perda da qualidade (saúde) do solo, em termos de disponibilidade de nutrientes e água para as forrageiras, ocorre a perda do vigor e aumento da quantidade de ervas invasoras, pragas e doenças. Neste cenário, os prejuízos são inevitáveis e apenas uma questão de tempo.

As voçorocas são o estágio mais avançado no processo erosivo.
As voçorocas são o estágio mais avançado no processo erosivo.

Grandes perdas financeiras

Deve-se ter sempre em mente que, quanto antes for detectado o problema, menor será o custo de sua recuperação. Além disso, o pecuarista deve levar em consideração que o problema pode extrapolar os limites de sua propriedade e atingir outras fazendas vizinhas localizadas a jusante (para o lado em que vaza um curso de água).

Para recuperarem corretamente a terra e afastar os problemas existentes, necessita-se que as propriedades a montante (direção de onde correm as águas de uma corrente fluvial) também realizem ações efetivas de correção. Trata-se de uma ação conjunta e articulada.

Em todas as situações, as correções dos problemas relacionados à erosão devem ser implementadas. Nos estágios iniciais de erosão (Iaminar ou sulco), a relação financeira entre custo e benefício poderá, a curto prazo, parecer negativa. Uma assessoria técnica para liderar as mudanças necessárias é o mais indicado.

Entretanto, os investimentos necessários para a recuperação do solo e da pastagem serão, com certeza, recuperados na forma de aumento da capacidade de suporte da pastagem, número de animais por área, aumento da produção de carne por animal e por área e, também, redução do tempo de abate do animal.

Fonte: Baseado em Artigo de José Ronaldo Macedo, pesquisador da Embrapa Solos, sob o título: “Erosão em Pastagens”, publicado no Portal Dia de Campo, por Ivaris Júnior.
Crédito das fotos: Reprodução

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