Uma cartilha seguida à risca

O Mato Grosso é prova de que a união entre produtores sob interesses comuns é possível.
Share on whatsapp
Compartilhe no WhatsApp
Share on facebook
Share on linkedin
Share on email
Share on telegram
Uma cartilha seguida à risca
Gestão e força dos produtores deram grande salto à ação cooperativista – Foto: Divulgação Coopernova
Áudio

A união de pessoas em torno de interesses comuns deve ser coisa de nossos ancestrais, por inúmeros indícios arqueológicos e históricos. Mas a marca do nascimento do cooperativismo vem de 1844, quando tecelões de Rochdale (Inglaterra) se uniram para consumo conjunto de insumos necessários a uma rentabilidade maior.

Descobriram que, comprando juntos, em escala, tudo saía mais em conta e os lucros eram maiores. Com mais renda, maior a prosperidade e satisfação, além de capacidade de investimento no próprio negócio.

Quem nos concede exclusiva é Onofre Cezário de Souza Filho, presidente do Sindicato e Organização das Cooperativas Brasileiras de Mato Grosso (OCB-MT), estado que ocupa a terceira posição em população mais envolvida com a estratégia. Como todos sabem, a OCB reúne sob as mesmas asas todas as iniciativas cooperativadas do País. Não importa o segmento.

Engano pensar que ela se dá somente em nível do agronegócio, mais cativante na mídia. O cooperativismo abrange, como no MT, as áreas de agropecuária, consumo, crédito, educacional, habitacional, infraestrutura, mineral, produção, trabalho, transporte e saúde, etc.

Uma cartilha seguida à risca
Onofre Cezário de Souza Filho, presidente do Sindicato e Organização das Cooperativas Brasileiras de Mato Grosso (OCB-MT) – Foto: Divulgação OCB-MT

Um flash no campo cooperativista do MT

O Mato Grosso é uma das potências agropecuárias do País. Desfilar sobre produção de carne, soja, algodão, entre outros produtos, é chover no molhado. Queremos nos restringir e flagrar um instante de uma atividade exigente, mas que ganha força no Estado, exatamente como um flash de uma fotografia.

No filme, a atividade leiteira. No pensamento popular e quase sagrado, leite é vida. Para alguns mais à frente, até questão de soberania. Há inclusive praças no Sul e Sudeste que conseguem média de produção diária, por vaca, acima de 30 litros. Contudo, a verdade nacional está perto de 6 litros.

E no Mato Grosso não é diferente. Souza Filho conta que “toda atividade requer capitalização para expandir, não só na rentabilidade como em tecnificação, produtividade e capacidade de reinvestimento”. Esta é a boa fotografia do leite no MT, neste momento. Depois de muitos anos trabalhando na subsistência ou até mesmo carência, seus produtos começam a romper fronteiras.

Para o dirigente, a exemplo das principais regiões produtivas do leite, o Mato Grosso caminha a passos largos. “Com horizontes para exportação de produtos, os recursos batem na porta e a cartilha a seguir todos sabem. Vale reservar que esses todos pensam em melhorar com valores sociais, ambientais e sustentáveis”, reforça.

Um exemplo ao pé da letra

O retrato em questão vem da CooperNova (Cooperativa Agropecuária Mista Terranova Ltda.), cujo município sede é Terra Nova do Norte, no MT. Quem atende é Odomeno Painel Franco, secretário da organização, respondendo em conjunto com a equipe de Daniel Robson Silva, presidente desde 1991, data de fundação da empresa.

Falamos de uma entidade que nasceu de associados quase sem botas para se tornar centro de empresários que, hoje, cuidam do futuro sonhado para seus filhos. Em 2020, a cooperativa registrou faturamento bruto de R$ 172,5 milhões a partir de um quadro de 2,2 mil produtores, destaque para os setores leiteiro e fruticultor.

A CooperNova foi fundada em 31 de outubro de 1987, a partir do desmembramento da Coopercana (Cooperativa Agropecuária Mista Canarana Ltda.), iniciativa de 201 associados. A sede administrativa está localizada em Terra Nova do Norte, cidade do extremo Norte do Mato Grosso, distante 650km da capital Cuiabá.

Contudo, a cooperativa abraça ainda produtores dos municípios de Nova Guarita, Carlinda, Colíder, Nova Santa Helena, Peixoto de Azevedo, Matupá e Guarantã do Norte; sendo em sua maioria, cerca de 98%, agricultores familiares, cujas propriedades fazem parte de diversos assentamentos do INCRA na região.

A CooperNova reúne um parque agroindustrial constituído de indústria de laticínios, fábrica de ração e suplementos minerais, além de indústria de beneficiamento de frutas. Possui ainda, para atender seus cooperados, seis unidades de atendimento, sendo três em Terra Nova do Norte e as demais em Nova Guarita, Colíder e Guarantã do Norte, composta por lojas de produtos agropecuários, postos de recebimento de leite e unidades de recepção de grãos.

Um pouco de história

Daniel entra em 1991 com uma nova filosofia de gestão, quando só existiam agricultores de arroz, milho e algodão, sem qualquer mecanização. Dois anos depois, esses mesmos produtores não mais conseguiam fazer colheitas que pagassem as contas. Foi quando o presidente da Coopernova convidou todas a migrarem para a produção de leite.

Segundo Franco, “na época era mais fácil tirar leite de onça do que de vaca, no MT”. Daniel conseguiu uma linha de crédito bancário e os cooperativados foram buscar bovinos em Goiás. Cada um podia comprar até cinco vacas, com financiamento em grupo (exigência bancária).

“Em pouco tempo precisávamos de um laticínio, mínimo, para 5 mil litros. Reunimos mais de 100 produtores e conseguimos pegar no Banco do Brasil pouco mais de R$ 3 mil cada para construir a usina. Na época, o salário mínimo era de R$ 70. Foi uma grande dificuldade, até por questões fundiárias, como falta de documentação da terra. Hoje processamos mais de 200 mil litros de leite por dia”, conclui.

O perfil da atividade leiteira

O esforço para tecnificação e incremento da produção de leite é hercúleo. A CooperNova dá assistência em várias frentes, da saúde animal à nutrição, inclusive no suporte técnico para a produção de silagem. Devagar, trabalho de formiguinha, a evolução vai aparecendo, sempre sobre a ótica da sustentabilidade e responsabilidade social. São dezenas de agrônomos, veterinários e zootecnistas, incansáveis de sol a sol.

Atualmente há por volta de 600 produtores com menos de 50 litros dia de coleta; outros 300 na faixa até 150 litros e assim várias faixas. A média está em torno de 180 litros, cada. Há apenas um cooperativado que entrega 3 mil litros. A média per capita de produção, apesar do incremento em genética (Gir, Girolando e Holandês), por falta de trato mais adequado, é de 7 litros/dia, em regime de pastejo.

Fonte: Agroimpacta/Por Ivaris Júnior
Foto: Divulgação/CooperNova/OCB-MT

Leia outras notícias no portal Mundo Agro Brasil

Relacionadas

Veja também

Em tempos onde o preço da produção do leite sobe menos que os custos, nutrição de qualidade e assistência técnica ajudam a manter alta produtividade
Linhas de financiamento para investimento foram as mais procuradas no período com alta de 50%, em comparação com o plano safra anterior.
Tratamento rápido e certeiro contra infecções e diarreia bovina evitou perdas de até uma arroba por bovino ao mês, afirma pecuarista
O programa tem como premissa um modelo de exploração sustentável, com respeito ao solo