Transações do agronegócio paulista resultaram em um superávit de US$ 6,96 bilhões

36,8% dos recursos obtidos com as vendas externas paulistas são provenientes do agronegócio, montante que contribui para equilibrar a Balança Comercial do Estado de São Paulo

Compartilhar

Share on whatsapp
Share on facebook
Share on linkedin
Share on email
Share on telegram
Transações do agronegócio paulista resultaram em um superávit de US$ 6,96 bilhões
Foto – Divulgação
Áudio

De janeiro a junho de 2021, as exportações do agronegócio paulista apresentaram aumento 11%, alcançando US$ 9,20 bilhões, enquanto as importações cresceram 3,7%, totalizando US$ 2,24 bilhões. Essas transações resultaram em um superávit de US$ 6,96 bilhões, montante 13,5% superior ao mesmo período de 2020, informa a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, por meio do Instituto de Economia Agrícola (IEA/Apta).  

O Estado de São Paulo é o maior polo industrial do país e concentra grande valor e quantidades de produtos importados, e sua participação na pauta brasileira corresponde geralmente em torno de 33%. Além disso, há produtos manufaturados (prontos) cujas importações são registradas no domicílio fiscal do importador (caso do Estado de São Paulo) que também são revendidos para outros estados brasileiros. Por esse motivo, os números de importação se mostram sempre superiores aos da exportação, apresentando resultados deficitários na balança comercial paulista.

De acordo com artigo do  IEA/Apta, com gráficos e tabelas, observa-se que as exportações dos seis primeiros meses de 2021 registraram variações positivas e superiores em relação aos meses de 2020. No mês de junho de 2021, as exportações cresceram 37,6%, e as importações, 40,1%, em relação a junho de 2020. Um dos motivos desse aumento no acumulado de 2021 é a forte retomada de alguns setores pós-ajustes em relação à pandemia do covid-19, inclusive no agronegócio, e também pela desvalorização do real perante o dólar, principalmente nos quatros primeiros meses de 2021.

No mesmo período, as exportações totais do Estado de São Paulo somaram US$ 25,03 bilhões e as importações US$ 32,35 bilhões, registrando déficit de US$ 7,32bilhões. Sendo assim, fica claro que o déficit do comércio exterior paulista só não foi maior devido ao desempenho do agronegócio estadual, ressaltam Marli Dias Mascarenhas Oliveira, José Alberto Angelo e Carlos Nabil Ghobril, pesquisadores do IEA.  

Exportações dos Principais Produtos do Agronegócio Paulista

Os principais grupos nas exportações do agronegócio paulista foram: Complexo Sucroalcooleiro (US$ 2,98 bilhões, sendo que desse total o açúcar representou 87,9%, e o álcool, 12,1%), Complexo Soja (US$ 1,62 bilhão), Carnes (US$ 1,15 bilhão, do qual a carne bovina respondeu por 86,7%), Sucos (US$ 722,06 milhões, dos quais 96,8% referentes a sucos de laranja) e Produtos Florestais (US$ 765,83 milhões, com participações de 50,1% de papel e 35,3% de celulose).

O agregado desses cinco grupos representou 79,3% das vendas externas setoriais do Estado, explicam os autores, destacando que, o grupo de Café, tradicional nas exportações paulistas, aparece na sétima colocação (US$ 353,63 milhões, dos quais 74,9% referentes ao café verde). 

 No primeiro semestre de 2021, em comparação com o de 2020, houve importantes variações nos valores exportados dos principais grupos de produtos da pauta paulista, com aumentos para os grupos do Complexo Sucroalcooleiro (+26,3%), dos Sucos (+15,1%), das Carnes (+6%), e do Complexo Soja (0,6%), apenas o grupo de produtos florestais apresentou queda (-5,2%). Essas variações nas receitas do comércio exterior são derivadas da composição das oscilações tanto de preços como de volumes exportados.

Desses grupos relevantes, o Sucroalcooleiro é o que apresenta a maior participação (32,4%) nas exportações paulistas. No total, o grupo cresceu 26,3% em valores e 11,1% em volumes exportados, devido ao desempenho das vendas externas do açúcar (29,5% em valores e 11,6% em volume). Para o álcool, os embarques apresentaram aumentos de 4,3% em volume e de 7,1% em valores, quando comparados com o mesmo período de 2020.

Os destinos das exportações desse grupo são bem diversificados em termos de participação dos países, e os resultados apontam como principais compradores China (11,3%), Argélia (7,6%), Nigéria (7,2%), Arábia Saudita (7%), Bangladesh (6,7%), Indonésia (5,9%), Malásia (5,1%) e Coreia do Sul (5%).

Destinos das Exportações do Agronegócio Paulista

Em relação aos destinos das exportações do agronegócio, a China (US$ 2,43 bilhões, 26,4% de participação e variação positiva de 10,9% em relação ao valor do primeiro semestre de 2020) é o principal destino das exportações de São Paulo; seguida da União Europeia (US$ 1,23 bilhão, 13,4% de participação e aumento de 0,2% sobre 2020) e dos Estados Unidos (US$ 830,77 milhões, participação de 9% e variação positiva de 22%).

Na sequência, completando os 10 principais destinos em termos de participação, aparecem Argélia (2,7%), Arábia Saudita e Bangladesh (ambos com 2,6%), Nigéria (2,4%), Indonésia (2,3%), Coreia do Sul (2,2%), Índia (1,8%) e Malásia (1,8%). A tabela 5 apresenta os 20 principais destinos das exportações paulistas no ano de 2021 que, somados, representam 78,8% do total, e as respectivas pautas (em %) por grupos de produtos. 

transacoes do agronegocio paulista resultaram em um superavit de us 696 bilhoes
Tabela ilustrando exportações do agronegócio por grupo de produtos, Estado de SP, janeiro-junho de 2020 e 2021 – Fonte: Secretaria de Cultura e Abastecimento do Estado de SP

Balança Comercial do Brasil

A balança comercial brasileira registrou saldo positivo de US$ 36,73 bilhões no acumulado de janeiro a junho de 2021, com exportações de US$ 135,89 bilhões e importações de US$ 99,16 bilhões. Esse resultado indica aumento de 64,8% no saldo comercial em relação ao mesmo período de 2020, quando alcançou US$ 22,29 bilhões. No mesmo período, as exportações do agronegócio apresentaram aumento (+20,8%), alcançando US$ 61,49 bilhões. Já as importações cresceram 20,2% no período, registrando US$ 7,50 bilhões. O superávit do agronegócio foi de US$ 53,99 bilhões.

 Os principais grupos nas exportações do agronegócio brasileiro foram: Complexo Soja (US$ 29,26 bilhões, sendo 84,8% de participação da soja em grãos), Carnes (US$ 9,05 bilhões, com as carne bovina, de frango e suína representando, respectivamente, 45%, 37,6% e 14,8% desse total), Produtos Florestais (US$ 6,40 bilhões, com participações de 49,2% de celulose e 37,8% de madeira), Complexo Sucroalcooleiro (US$ 4,64 bilhões, dos quais 89% de açúcar) e Café (US$2,98 bilhões, tendo o café verde com participação de 91,2%). Esses cinco grupos agregados representaram 85,2% das vendas externas setoriais brasileiras. 

Fonte: Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo
Foto: Divulgação

Leia outras notícias no portal Mundo Agro Brasil

Relacionadas

Veja também

Leilão com mais de 1.000 reprodutores reúne 128 investidores provenientes de 108 municípios de 13 diferentes estados da Federação.
Perspectivas climáticas para a primavera foram anunciadas em 21 de setembro pelo Inmet.
A indústria de alimentos foi identificada como o principal impulsionador da perda de biodiversidade e responsável por 1/3 das emissões globais de gases do efeito estufa.
Proposto em conjunto com Eletrobras, para descabornização na Amazônia, pacto pretende viabilizar projetos de energias renováveis para substituir o uso intensivo do diesel na região.