A maioria das restrições aos produtores brasileiros de carne bovina e suína pela Rússia está em vigor desde 2017, devido a alegações do uso do aditivo ractopamina na alimentação das criações, o que grupos brasileiros da indústria de carne negaram. No mês passado, a Rússia já havia permitido a importação de carne bovina de três grandes exportadoras brasileiras.
A liberação acontece após a ministra da Agricultura brasileira, Tereza Cristina, ter se reunido em Moscou na semana passada com o chefe do Serviço Federal de Vigilância Veterinária e Fitossanitária da Rússia, Sergey Dankvert, que ainda garantiu a realização de uma visita de inspeção ao Brasil, no primeiro trimestre de 2022, visando habilitação de novas plantas frigoríficas brasileiras para exportação.
A Rússia, que no passado chegou a ser um dos maiores mercados para o Brasil, planeja estabelecer uma cota de importação isenta de impostos de até 200 mil toneladas de carne bovina em 2022 para aumentar a oferta doméstica, como parte das medidas que o governo espera que ajude a estabilizar a inflação doméstica, que está em máxima de cinco anos.
Para o Brasil, maior exportador mundial de carne bovina, a Rússia é um mercado promissor, já que suas exportações para a China foram temporariamente suspensas em setembro, depois que dois casos atípicos de doença da vaca louca foram relatados no país sul-americano.
Paralelamente, as autoridades alfandegárias da China disseram em 23 de novembro que aceitarão pedidos de importação de carne bovina brasileira que tenha recebido certificado sanitário antes de 4 de setembro.
O Brasil suspendeu as exportações de carne bovina para a China em 4 de setembro após detectar dois casos atípicos de doença da vaca louca, mas a carne que já estava nos portos continuou sendo exportada, com a maior parte não conseguindo passar pela alfândega na chegada à China.
Os casos foram considerados “atípicos” por serem de um tipo espontâneo, e não por transmissão no rebanho. De acordo com a Organização Internacional de Saúde Animal (OIE, na sigla em inglês), casos “atípicos” não oferecem riscos à saúde humana e animal, e são em geral detectados em bovinos mais velhos.

China deverá reduzir importações de carne bovina em 2022
Para o comentarista do Canal Rural Benedito Rosa, o embargo chinês permanece devido à recuperação do plantel de suínos do país asiático. “A demanda por carne está sendo atendida pelo mercado interno. Isso explica a ausência de quase três meses da China, que promoveu a suspensão dos embarques sem relação com a questão sanitária”, diz o comentarista.
O fim do embargo chinês pode gerar problema de escassez da carne bovina. Ainda de acordo com Rosa, o país asiático vai retomar as compras de carne bovina do Brasil de forma gradual, mas em menor volume para o próximo ano. “Os volumes de exportação serão menores em 2022, pois, aparentemente, a China está diversificando sua fonte de fornecedores da proteína animal”, finaliza. Uma nova liberação é esperada para a partir de 25 de novembro, envolvendo nove unidades de suínos e três de carne bovina.
Fonte: Agência Brasil/Canal Rural
Crédito: Agência Brasil/Wenderson Araújo/Trilux
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