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Queda nos preços do lácteos e custos de produção pressionam rentabilidade de produtores

Redução do consumo, a menor competividade do leite importado e o aumento da oferta interna são algumas das causas deste movimento, dizem especialistas
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Após um crescimento de 302,1%, entre abril e novembro de 2020, as importações de leite pelo Brasil começaram a registrar queda a partir do mês de dezembro do mesmo ano. Depois, no primeiro mês de 2021, confirmaram a tendência de queda, com um déficit registrado de 21%. Como resultado, essa queda nos preços do lácteos e os custos de produção estão pressionando a rentabilidade de produtores.

De acordo com especialistas do setor, a redução do consumo, a menor competividade do leite importado e o aumento da oferta interna são algumas das causas deste movimento. No quesito menor competitividade da importação, o problema está no aumento do preço internacional do leite em pó (valorização média de 15% entre novembro/20 e o início de fevereiro/21), atrelado à perda de valor da moeda nacional frente ao dólar e, ainda, à queda de preço da matéria-prima nacional.

Ou seja, dos preços que a indústria paga pelo leite comprado dos produtores. Afinal, o preço do leite ao produtor subiu de R$ 1,38 para R$ 2,16/litro (valor nominal líquido na média nacional) de maio até outubro do ano passado (56,5% de aumento), a partir de novembro o movimento de alta cedeu e o preço em janeiro fechou na casa dos R$2,03/litro.

Antes de mais nada vale destacar que mesmo em um patamar 48,7% maior do que os preços em vigor em janeiro do ano passado (R$1,37/litro), a rentabilidade dos produtores caiu. Sobretudo, devido ao expressivo aumento nos custos de produção, puxados principalmente, pela alimentação concentrada.

Tanto que o índice RMCR (Receita Menos o Custo da Ração), indicador de rentabilidade da atividade leiteira do MilkPoint, aponta uma queda de 16,1% na renda líquida dos produtores entre setembro do ano passado e janeiro deste ano. Só de dezembro/20 para janeiro/21, a queda foi de 10,9%.

Outro indicador de rentabilidade, o poder de compra do preço do leite em relação ao custo do alimento concentrado fornecido para as vacas (denominado relação de troca), confirma esta tendência: de setembro/20 a janeiro/21, o poder de compra do preço do leite caiu 48,6% em relação ao custo do concentrado. Neste caso, a queda de dezembro/20 para janeiro/21 foi de 16,8%.

Mercado atacadista

No mercado atacadista, desde de dezembro de 2020 os preços do leite Spot e dos principais derivados estão em queda. Em Minas Gerais, por exemplo, da 2ª quinzena de dezembro/20 até a 1ª quinzena de fevereiro/21, a cotação do leite Spot caiu de R$2,40 para R$1,95/litro, uma redução acumulada de 18,7%.

Já em São Paulo o leite UHT caiu de R$3,34 em 03/12/20 para R$2,90/litro em 05/02/21, queda de 13,2%. No mesmo período, o queijo muçarela caiu de R$26,88 para R$22,38/kg, queda de 16,7%. O leite em pó fracionado, depois de chegar em R$ 25,27/kg no início de outubro/20, mesmo com oscilações pontuais nos dois meses seguintes, passou a registrar contínuas quedas nas últimas quatro semanas, chegando a R$21,73/kg na cotação de 06/02/21.

Preço dos insumos

Ademais, com relação ao preço dos insumos, como o milho e da soja (os mais importantes para a composição dos custos de produção de leite), não existe sinalização de mercado sustentando alguma queda significativa no curto prazo. Os preços devem continuar mais elevados em comparação com os valores pagos pelos produtores no primeiro semestre de 2020.

Por fim, vale frisar que até o momento o quadro que se apresenta para os próximos meses é de consumo de lácteos mais fraco, caso não haja um novo auxílio econômico para a população mais vulnerável. Fato aliás, que deve pressionar os preços dos principais derivados e, consequentemente, o preço pago ao produtor.

Sendo assim, os custos de produção devem continuar elevados podendo comprometer a rentabilidade das fazendas. Mesmo com as importações em queda, a expectativa deve se concentrar na retomada da economia brasileira, esperada em 4% para este ano. Enquanto isso, o cenário continua sendo de cautela para todos os segmentos da cadeia produtiva.

Fonte: Guialat