Promovido pelo Ministério Público Federal (MPF), nesta quarta, 4, aconteceu a abertura de um seminário sobre a produção nacional de fertilizantes e seus impactos econômicos, ambientais e sociais contando com a presença do ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Marcos Montes que destacou a potencialidade nacional para a produção de alimentos e a importância de reduzir a dependência dos fertilizantes importados.
Segundo o ministro, o seminário é um passo importante para que o Brasil possa continuar produzindo alimentos para o país e para o mundo. “Nós teremos uma crise alimentar no mundo, e o Brasil terá essa responsabilidade ainda maior, de colocar comida na mesa dos 200 milhões de brasileiros e também alimentar o mundo. E para isso, nós precisamos produzir cada vez mais”.

A crise entre Rússia e Ucrânia também foram pontuadas pelo ministro que destacou a oportunidade para o Brasil diminuir sua dependência de fertilizantes importados. Ele explicou que o Plano Nacional de Fertilizantes, lançado recentemente pelo governo, mostrou uma visão clara sobre o tema. “Hoje todos nós estamos debruçados para buscar alternativas para que o Brasil não seja tão dependente como é hoje”, disse.
Brasil: quarto lugar no ranking de uso dos fertilizantes
O Brasil, sendo o quarto consumidor de fertilizantes do mundo, encabeça a lista de países importadores. Cerca de 85% utilizados nacionalmente são importados, o que coloca os fertilizantes em segundo lugar na pauta da balança comercial de importações, atrás somente de óleo e gás. Em 2021, o Brasil externalizou aproximadamente US$ 15 bilhões na importação de 45 milhões de toneladas do produto.
Com as sanções à Bielorússia e, mais recentemente, com o conflito entre Rússia e Ucrânia, a oferta do produto é tema de discussões de como reduzir a dependência brasileira desses produtos essenciais à produção rural. Atualmente, os fertilizantes representam 40% do custo de produção ao profissional do campo e, por isso, novas cadeias devem ser incentivadas a partir de tecnologia e inovação.
Segundo o ministro, não se trata de o país alcançar a autossuficiência, mas sim de se ter autonomia, com um percentual reduzido de dependência externa para o fornecimento dos fertilizantes ao produtor.
O diretor de Programas do Mapa, Luis Eduardo Rangel, participou nesta quarta-feira do painel sobre o panorama do setor de fertilizantes. Até ontem, 5 de maio, o seminário reuniu procuradores da República de todo o país, representantes do governo, integrantes dos setores de mineração e da agricultura, técnicos e especialistas para debater sobre o atual panorama do setor, seus desafios e perspectivas.
A reunião de trabalho é resultado de acordos de cooperação técnica firmados pelo MPF com o Ministério de Minas e Energia e com o Mapa. Entre os aspectos em debate no encontro estão a vulnerabilidade decorrente da dependência do Brasil das importações de fertilizantes e as iniciativas do governo e do setor privado para ampliar os investimentos na produção mineral.
No seminário também foram discutidas alternativas nacionais de recursos minerais e a necessidade de conciliar segurança jurídica, preservação ambiental e proteção das comunidades afetadas nos novos projetos minerais.
Fonte: Mapa
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