O segundo semestre do ano costuma ser aguardado por produtores rurais como um período de aumento no consumo de carne e também nos preços pagos pela produção. No caso da carne suína, a cotação feita pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA), da ESALQ-USP, em 24 de setembro, estava em R$ 7,49 o quilo do animal vivo, em Minas Gerais, e o quilo da carcaça especial negociada no atacado na Grande São Paulo era de R$ 10,58, em média. Os valores representam alta de 15,59% e 14,63% no mês, respectivamente.
Por conta de crescimento nas exportações entre janeiro e agosto deste ano, quando foram embarcadas 765,5 mil toneladas, alta de 11,53% em relação ao mesmo período do ano passado, e aumento de 21,3% nas receitas com as vendas ao exterior (US$ 1,805 bilhão), segundo informações da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), e também de maior consumo interno, a valorização da carne suína chega a cerca de 35% desde o início do ano.
Edson Pereira de Freitas, assessor de vendas em uma empresa especializada em negociações agropecuárias, explica que, embora os consumidores estejam insatisfeitos com a alta, os reajustes são necessários para evitar prejuízos.
“Os preços precisam acompanhar os investimentos de forma de gerem lucro, e não apenas cubram as despesas. Todas as carnes estão muito caras, mas este é um efeito em cadeia, os produtores apenas repassam os aumentos que chegam para eles”, disse.
Há 35 anos no ramo, Roberto Silveira Coelho está entre os principais suinocultores da região e destaca que os novos preços para a carne de porco conseguem impulsionar os lucros e o comércio.
“Com a grande taxa de exportações, nosso mercado interno está desabastecido. Apesar disso, a procura por aqui ainda é grande, especialmente neste momento de crise, porque os consumidores estão pensando no quanto suas compras pesarão no bolso e optam pelos tipos de carne mais baratas”, esclareceu o produtor.
Devido ao preço da carne de vaca, o consumo de carne suína no mercado interno tem aumentado desde o ano passado.
“Mesmo com o encarecimento, as vendas estão muito boas, mas o consumo de suínos realmente aumentou. A procura por aves costuma ser alta durante todo o ano e não sei se os preços influenciam neste aspecto, porque se trata de outro tipo de produto. Sabendo que a economia está bem lenta, muita gente optou por trocar a carne bovina”, informa Fabiana Borges de Assis, que auxilia seu pai no setor administrativo de uma casa de carnes em Passos.
Segundo a ABPA, as exportações de carne suína in natura e processada voltaram a ultrapassar 100 mil toneladas no mês de agosto. O aumento foi de 37,03% em relação ao mês de julho e, comparando com o mesmo período do ano passado, o crescimento foi de 47,03%.
Fonte: Folha da Manhã
Foto: Divulgação Acrismat
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