Pecuária do leite vive pior cenário desde 1990, segundo FAESC

28 de junho de 2022

A baixa oferta do leite resultou na elevação de preços nos supermercados neste que tem sido considerado o pior momento da pecuária leiteira desde 1990
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Pecuária do leite vive pior cenário desde 1990, segundo FAESC
Produtores investem em tecnologia para ampliar a produtividade por animal ou abandonam o segmento – Foto: dashu83/Freepik

Nos últimos dias, consumidores ficaram espantados com o preço do litro de leite. Fato é que, a alta dos insumos, o clima adverso, que comprometeu as pastagens, e a inflação, que reduziu o poder de compra do brasileiro, têm afetado a pecuária leiteira desde o ano passado, fazendo do atual choque de oferta de leite o pior desde a década de 1990, segundo a Federação da Agricultura e Pecuária de Santa Catarina (FAESC).

Somente em SC, que está entre os cinco maiores produtores da matéria-prima do país, cerca de 9 mil produtores deixaram a atividade desde o início da pandemia. O setor vem passando por transformações, e a cada ano os produtores investem em tecnologia para ampliar a produtividade por animal ou abandonam o segmento.

Vale ressaltar que, com a debandada recente causada pelo cenário econômico adverso, SC tem hoje 24 mil produtores de leite, enquanto na década de 1990, eram 75 mil.

Confira a nota da FAESC sobre o problema do leite

“A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (FAESC) vem manifestar-se publicamente em face do novo patamar de preços que o leite e os demais produtos lácteos alcançaram, ultimamente, no mercado interno.

Contra a vontade dos produtores rurais e das indústrias de laticínios, vários fatores adversos, ao longo dos últimos meses, concorreram para essa situação indesejável de aumento dos preços finais.

De um lado, a seca prejudicou as pastagens e diminuiu a oferta de alimentação para as vacas.

De outro lado, a inflação e a escassez de insumos elevaram brutalmente os cursos de produção.

Nesse momento, a cadeia produtiva do leite está impactada pelo aumento generalizado de custos diretos, como energia elétrica, gás, combustíveis, fertilizantes, embalagens, matérias-primas, mão de obra e outros insumos.

O custo da nutrição dos animais, por exemplo, explodiu em face da escassez de milho e farelo de soja no mercado, caracterizando o pior choque de oferta desde 1990.

O somatório de todos esses percalços – e a constatação de que a atividade não é rentável – levaram ao intenso abandono da atividade leiteira por produtores rurais. Na década de 1990 existiam em território catarinense 75.000 produtores de leite. Agora, em 2022, são apenas 24.000. Somente durante o período de pandemia mais de 9.000 produtores abandonaram o setor, inviabilizados pelos prejuízos acumulados.

O produtor determina o padrão de qualidade de seus produtos, porque isso depende diretamente de fatores que estão sob seu controle. Entretanto, não define o preço final ao consumidor porque sobre ele agem variáveis imprevisíveis e incontroláveis como custos, clima, mercado etc.

É evidente que nem o produtor, nem a indústria causaram essa situação de preços elevados para o consumidor final. 

É hora de Governo e Sociedade planejarem uma política para o leite, inspirada nos princípios da segurança alimentar.

Florianópolis, 23 de junho de 2022.

Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (FAESC)

José Zeferino Pedrozo – Presidente”

Fonte: FAESC, Valor Econômico

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