Ovos de galinhas livres de gaiolas: “Compromisso é Coisa Séria” cobra mais transparência do setor de alimentos brasileiro

27 de junho de 2025

 Quarta edição da campanha da ONG Mercy For Animals pede mais transparência de empresas que já se comprometeram a deixar de usar ovos de galinhas confinadas em gaiolas
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Ovos de galinhas livres de gaiolas: "Compromisso é Coisa Séria" cobra mais transparência do setor de alimentos brasileiro

Os consumidores brasileiros não aprovam o confinamento de galinhas em gaiolas e consideram que é responsabilidade das empresas eliminar essa prática de sua cadeia produtiva, por causar sofrimento intenso aos animais. Segundo pesquisa da Ipsos realizada para a Mercy For Animals (MFA), 79% dos brasileiros deixariam de consumir produtos de uma marca se descobrissem que ela utiliza ingredientes que causam sofrimento animal. Já 76% acreditam que restaurantes e supermercados deveriam parar de oferecer produtos que envolvem o sofrimento animal, mesmo que isso represente um aumento nos preços.
 

Alinhada a essa demanda e comprometida com uma atuação por práticas mais éticas e sustentáveis no Brasil, a MFA realiza há cinco anos a campanha de conscientização “Compromisso é Coisa Séria”, que monitora e avalia se empresas que já assumiram compromissos públicos de parar de usar e/ou vender ovos de galinhas confinadas em gaiolas estão cumprindo essas promessas. A iniciativa pede por mais transparência sobre o avanço nessa transição.

Este ano, redes como Marriott e Hilton e as docerias Casa de Bolos e Amor aos Pedaços aparecem entre as empresas com baixo desempenho: apesar dos compromissos assumidos, não têm informado ao público sobre o progresso na transição para eliminar o confinamento de galinhas em gaiolas de suas cadeias de suprimentos no Brasil. Outras empresas mencionadas na campanha incluem Megamatte e Mini Kalzone — todas sem publicarem informações recentes em relação ao progresso de seus compromissos no país.

“A pouca transparência nessas políticas corporativas pode apontar para o chamado welfare washing — quando empresas usam a pauta do bem-estar animal apenas como estratégia de marketing, sem efetivar mudanças reais. Isso pode comprometer a confiança do público consumidor, cada vez mais atento às verdadeiras ações por trás dos discursos”, afirma Priscila Demarch, diretora de Campanhas da Mercy For Animals no Brasil.

Por outro lado, Barilla Group, a rede de restaurantes Fogo de Chão e o empório Casa Santa Luzia são bons exemplos de transparência e cumprimento dos seus compromissos: as empresas informaram publicamente sobre o cumprimento total da transição e atualmente não têm ovos de galinhas confinadas em gaiolas em suas cadeias de fornecimento.

“Os casos positivos mostram não apenas o comprometimento com uma demanda clara do público consumidor, mas também a compreensão de que o bem-estar animal é um fator estratégico para a competitividade e a sustentabilidade no longo prazo”, pontua Demarch.
 

Campanha educativa pede a empresas por mais transparência na transição para eliminar ovos de galinhas confinadas em gaiolas

O confinamento de galinhas em gaiolas é considerado uma das práticas mais terríveis da indústria de alimentos. Nestes sistemas, as galinhas são confinadas em pequenas gaiolas de metal com 3 a 10 aves, em um espaço que é equivalente a uma folha de papel A4 e condições de higiene usualmente precárias. Elas não conseguem ciscar, esticar as asas ou se mover livremente, nem expressar muitos de seus comportamentos naturais. Muitos animais sofrem com ferimentos no corpo, pés dilacerados, prolapsos de órgãos e doenças respiratórias.

Por causar grande sofrimento aos animais, a prática já foi banida em diversos países da União Europeia e em diversos estados dos Estados Unidos, mas, no Brasil, a estimativa é de que 95% dos ovos ainda venham de galinhas mantidas em gaiolas — o total de galinhas no Brasil, segundo o IBGE, era de 206 milhões no final de 2024. Apesar disso, mais de 180 empresas no país já estabeleceram compromissos para banir o confinamento de galinhas em gaiolas em suas cadeias de suprimentos.

“Os dados da pesquisa da Ipsos revelaram um consumidor muito preocupado com o bem-estar animal e com a sustentabilidade dos alimentos que consomem. Os números são um indicativo forte de que o mercado vai ser cada vez mais pressionado para que haja mudanças estruturais. Apenas assumir compromissos públicos não basta — é essencial que as empresas comuniquem de forma mais transparente seus avanços na eliminação do uso de ovos de galinhas confinadas em gaiolas. Essa transparência não apenas atende às expectativas dos consumidores, mas também demonstra responsabilidade corporativa e compromisso com práticas mais éticas e sustentáveis”, finaliza Vanessa Garbini, vice-presidente de Relações Institucionais e Governamentais da Mercy For Animals no Brasil.

O site da campanha é o www.compromissoecoisaseria.com.br. Além da avaliação pública do desempenho das empresas, a plataforma apresenta informações sobre o confinamento de galinhas em gaiolas no Brasil e orientações para que os consumidores peçam por mais transparência nas políticas corporativas de bem-estar animal. Essa campanha de conscientização também será divulgada por meio de anúncios online, mídia offline, vídeos e redes sociais.

Outros dados da pesquisa 2025:

  • Para 81% dos respondentes, confinar galinhas em pequenas gaiolas, onde cada uma só tem o tamanho de uma folha de papel A4 para se mover e é impedida de realizar a maior parte de seus comportamentos naturais é inaceitável.
  • Para 81% dos entrevistados, as empresas que produzem e comercializam alimentos são responsáveis por incentivar e apoiar produtores a banir a prática de confinar galinhas em gaiolas.
  • Para 81%, sistemas livres de gaiolas na indústria de ovos devem ser a norma no futuro.

Sobre a Mercy For Animals
Fundada em 1999, a Mercy For Animals é uma organização internacional sem fins lucrativos dedicada à defesa dos animais explorados para consumo. Como OSCIP, trabalha de forma integrada com governos, empresas e sociedade civil em diversas frentes para promover transformações no nosso atual modelo de produção de alimentos. Atua com as maiores empresas da indústria alimentícia, visando implementar políticas corporativas de proteção aos animais para eliminar as piores práticas da indústria.

Por PR Comunica

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