Modelo brasileiro de pecuária sustentável é destaque em encontro da OMC

Pelerson Penido, do Grupo Roncador, e Gilberto Tomazoni, CEO Global da JBS, citaram integração lavoura-pecuária como solução para aumento de produtividade com compromisso ambiental
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Modelo brasileiro de pecuária sustentável é destaque em encontro da OMC
Crédito: divulgação JBS.

Genebra (Suíça), 30 de setembro de 2025 – A integração lavoura-pecuária é um dos exemplos de como é possível produzir mais com menos. Esse foi um dos pontos de destaque do workshop “Comércio agrícola: parte do diálogo sobre agricultura sustentável no sistema multilateral de comércio”, evento da OMC (Organização Mundial do Comércio) na segunda-feira, 22, que reuniu em Genebra, na Suíça, lideranças globais para debaterem o futuro do setor agropecuário.

Pelerson Penido Dalla Vecchia, diretor presidente do Grupo Roncador, participou de forma remota do workshop e explicou o conceito por trás do sucesso da fazenda, localizada em Querência (MT), no Vale do Araguaia. “Nós vemos a fazenda como um organismo agrícola vivo. E se, nos reconhecermos também como organismos vivos, saberemos que a melhor forma de produzir mais, de alcançar nosso maior potencial, é quando temos saúde – e só podemos ter saúde se respeitarmos o ciclo da natureza.”

O CEO Global da JBS, Gilberto Tomazoni, que participou do evento virtualmente de Nova York, onde estava para a Semana do Clima, afirmou que o Brasil é um exemplo claro da oportunidade de mudar a forma de produção de alimentos. “Temos uma enorme oportunidade de ampliar o acesso a inovações, especialmente para pequenos produtores, como recuperação de terras degradadas, adoção de práticas regenerativas, apoio à segurança alimentar global e preservação dos recursos naturais.”

O sistema da Fazenda Roncador superou o desafio da degradação do solo. A equipe da fazenda passou a manejar o gado de forma a se integrar com as lavouras. A solução encontrada foi um sistema de integração lavoura-pecuária, no qual a fazenda planta lavouras de soja, milho e feijão, e, após a colheita, o gado é inserido nessas áreas para se alimentar e adubar o solo. “O período que costumava ser o mais difícil agora é o mais confortável, porque temos toda a área para pastagem”, explicou Dalla Vecchia. Ele ressaltou que a fazenda consegue fazer até três colheitas por ano (soja, milho e pastagem), garantindo uma oferta constante de alimento para o gado mesmo na estação seca.

Segundo Tomazoni, hoje, a sociedade exige mais do que quantidade e qualidade dos alimentos: demanda respostas eficazes para os grandes desafios da atualidade. “Seguimos comprometidos em alimentar pessoas ao redor do mundo de uma maneira verdadeiramente sustentável. Ainda há muito a ser feito, mas o caminho à frente está claro. Temos confiança em nossa capacidade de mobilizar pessoas, compartilhar conhecimento e entregar resultados concretos.”

Tomazoni também afirmou que a pecuária brasileira pode e deve ser parte da solução climática. No caso da integração da pecuária com lavouras e florestas, a produção pecuária se torna uma ferramenta de regeneração. “O balanço de carbono precisa considerar não somente as emissões, mas também as remoções. Pastagens bem manejadas capturam CO₂, e a agricultura tropical precisa de métricas que reflitam suas realidades.”

O sistema adotado pela Fazenda Roncador, que Dalla Vecchia descreveu como regenerativo, trouxe diversos benefícios para o ecossistema e para a produtividade do negócio. O solo é mantido sempre coberto por palhada, o que aumenta a matéria orgânica, retém umidade e garante maior resiliência às lavouras. A passagem do gado, por sua vez, estimula a vida microbiana e os ciclos do capim, reciclando nutrientes e dando vida ao solo.

O gestor do Grupo Roncador também destacou a mudança no manejo de defensivos e fertilizantes. A fazenda substituiu gradualmente os pesticidas químicos por biodefensivos, o que resultou em uma redução de 10% nos custos e um aumento de 6% na produtividade. A adubação química também foi minimizada com o uso de pó de rocha e de um composto orgânico feito de esterco, que, de um problema, se tornou uma solução.

Os resultados comprovam a eficácia do modelo: a fazenda registrou um aumento de 15% na produtividade da soja em dez anos e multiplicou a produção de carne por hectare em quatro vezes em apenas cinco anos. Enquanto a média nacional é de 5 arrobas por hectare, a Fazenda Roncador alcançou a impressionante marca de 58 arrobas por hectare.

Como líder do Grupo de Trabalho em Sistemas Alimentares da SBCOP (Sustainable Business COP30, grupo de empresários que prepara sugestões para a conferência do clima deste ano, em Belém), Tomazoni apresentou as frentes de atuação abordadas pelos setores público e privado, que são: definir metas mensuráveis, ampliar o acesso à tecnologia e à assistência técnica e destravar soluções financeiras para reduzir riscos dos produtores e recompensar a sustentabilidade.

O comércio internacional visto não apenas como uma transação, mas como um mecanismo estratégico para fomentar sistemas alimentares inclusivos e incentivar a adoção de tecnologias sustentáveis, foi outro ponto abordado pelo executivo. “O Brasil está bem posicionado para ampliar esse impacto. Como o terceiro maior produtor de alimentos do mundo, o segundo maior produtor de biocombustíveis e líder em inovação agrícola, o país deve proteger seus recursos naturais não apenas para o seu próprio futuro, mas também para ajudar a transformar os sistemas alimentares globais e combater a fome”, explicou.

Ao concluir sua participação, Tomazoni afirmou que governos, empresas, agricultores e sociedade precisam agir juntos para atacar os desafios globais. “Sustentabilidade não é uma meta distante, é o desafio do agora”, disse.
 

Sobre a JBS
A JBS é uma empresa global líder em alimentos, com um portfólio diversificado de produtos de alta qualidade, incluindo frango, suínos, bovinos, cordeiros, peixes e proteínas vegetais. A companhia emprega mais de 280 mil pessoas e opera em mais de 20 países, como Brasil, Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Austrália e China. No mundo todo, a JBS oferece um amplo portfólio de marcas reconhecidas pela excelência e inovação, como Friboi, Seara, Swift, Pilgrim’s Pride, Moy Park, Primo, Just Bare, entre outras, que chegam diariamente à mesa de consumidores em 180 países. A empresa também investe em negócios correlatos, como couro, biodiesel, colágeno, fertilizantes, envoltórios naturais, soluções para gestão de resíduos sólidos, reciclagem e transporte, com foco na economia circular. A JBS prioriza um programa de segurança alimentar de excelência, adotando as melhores práticas de sustentabilidade e bem-estar animal ao longo de sua cadeia de valor, com o objetivo de alimentar o mundo de forma mais sustentável. Saiba mais em jbsglobal.com.
 

Por JBS

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