Minas Gerais segue investindo na criação de mulas

Não apenas no mercado mineiro, mas em todo o país, a criação de mulas e asininos ganha destaque
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criação de mulas
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Interessante destaque que encontramos na recente publicação assinada por Daniel Camargos, do ‘Jornal Estado de Minas’, notícias on-line, seção de economia, onde ele cita a valorização de criação de mulas e burros, apontando aumento de 15% em um ano, assim como o crescimento de tropas registradas – mais de um terço em apenas 12 meses.  

Logo na abertura do texto, o jornalista fala das regalias na rotina de Dombe, um reprodutor, o último jumento vivo da linhagem clássica Passatempo. Só na Fazenda Fidalgo, em Confins, é pai de 30 muares e, atualmente, existem 28 éguas prenhas dele. Além disso, 1,5 mil ampolas de sêmen foram coletadas e devidamente armazenadas para gerar outros muares e também tentar encontrar um substituto para o prodígio, que, aos 23 anos, planeja a aposentadoria, pois o ciclo de vida de um asinino termina entre 20 e 30 anos. A matéria é uma boa oportunidade para conhecer o aquecimento de mercado que continua forte em todo o Brasil.  

As mulas e os burros são resultado de cruzamentos dos jumentos com as éguas. Animais híbridos e estéreis que ganham mercado, atenção de criadores e, principalmente, valor, que pode ser aferido nos leilões de muares. Na SuperAgro, que acontece no fim do mês em Belo Horizonte, 40 lotes vão a leilão. De acordo com o superintendente da Associação Brasileira de Criadores de Jumento Pêga (ABCJPêga), José Maurílio de Oliveira, a expectativa é que os animais sejam arrematados por um preço 15% superior em relação à edição do ano passado, quando o valor médio alcançou R$ 13 mil. ‘Já teve mula vendida por R$ 100 mil no Brasil’, destaca Oliveira. 

Nos três últimos anos, o número de muares e asininos cresceu cerca de 30%, de acordo com os registros da ABCJPêga. Existem em todo o país 5.295 muares e 27.957 asininos. Minas Gerais é o principal estado e concentra quase metade dos muares (2.425) e um terço dos asininos (9.313). Proprietário da Fazenda Fidalgo e do jumento Dombe, Bruno Simões Dias investiu cerca de R$ 400 mil para iniciar a criação de mulas. ‘Fui buscar éguas da raça Mangalarga Marchador no mercado, formei pastos e piquetes rotacionados, construí as baias e uma estrutura para inseminação’, detalha Dias. 

O criador explica que dois motivos o levaram a apostar na produção de muares. O primeiro foi sentimental, pois o bisavô, Juventino Dias, foi tropeiro e tinha uma venda no final da linha de trem em Santa Bárbara, na Região Central do estado. Para buscar as mercadorias ia montado em mulas. O segundo é a possibilidade de ganhar dinheiro com a venda de animais de boa qualidade. 

As mulas são extremamente dóceis, macias e fiéis”, afirma Dias. Por isso, o público comprador se divide entre pessoas que gostam de participar de cavalgadas no lombo das mulas, os que compram o animal para participar de concursos de marcha e criadores de gado nelore, que preferem tocar a boiada em “uma boa mula’. Há também fazendeiros que precisam das fêmeas para o trabalho diário na fazenda. 

Porém, o ciclo para a mula chegar ao momento da venda é longo. A égua leva 11 meses para parir. Após isso, é preciso esperar dois anos e meio para dar início ao processo de domesticação racional dos animais. ‘Com três anos já é possível ter uma mula montada, mas ela fica boa mesmo entre seis e sete anos’, explica Dias. 

Dupla aposta – Oliveira, da ABCJPêga, explica que é comum na criação de mulas também investirem em cavalos e não ter a atividade como fonte principal de renda da propriedade. Mas o mercado é eclético e compreende desde grandes empresários até legítimos peões, que apostam na produção. ‘Não precisa ter muito dinheiro. Precisa é ter as éguas e o jumento’, resume Oliveira. 

O presidente da ABCJPêga, no entanto, explica que a concepção está mudando. ‘Antigamente, quando a égua não valia nada, se falava que era boa para criar burro’, lembra. ‘Hoje está mais que provado que a qualidade é essencial. Quando mistura a genética de um bom com outro bom a possibilidade de conseguir um animal melhor é muito maior’, completa. Existem criadores investindo cerca de R$ 40 mil em éguas para parir mulas. Porém, Oliveira destaca que a prioridade deve ser um bom jumento, que tenha uma marcha de qualidade. 

Da criação de mulas ao jumento, características e mercado

Além da criação de mulas, o jumento é um animal dócil, inteligente e dotado de grande senso de sobrevivência. Vivem média 25 anos e pode ser encontrado em praticamente todo o planeta, exceto em regiões mais frias. Dependendo da região em que se encontra, pode receber o nome de asno, jegue, jerico ou ainda asno-doméstico, mas no mundo científico recebe o nome de Equus asinus. Muito usado como animal de carga (carroça, cangalha, e outros) e tração (arados, carpideiras, plantadeiras, e outros), o jumento sempre foi peça fundamental utilizada nos trabalhos pesados do campo. Também é extremamente utilizado na sela para a lida com o gado, em passeios, cavalgadas, concursos de marcha e enduros. 

Asinino extremamente inteligente! Engana-se aquele que atribui ao jumento a característica de teimosia. Na verdade, o que as pessoas acreditam ser desobediência e teimosia, nada mais é que uma incrível percepção de perigo, que faz com que o jumento se negue a obedecer aos comandos do cavaleiro às cegas; literalmente, eles “empacam” no local ao menor sinal de alerta. Para lidar com a raça, é necessário ser muito mais astuto que os jumentos, caso contrário nunca se chegará a um acordo. Os primeiros registros sobre a existência dos jumentos indicam que tiveram sua origem nas regiões desérticas do mundo. 

Rusticidade dos jumentos 

O jumento, por sua origem, teve de se adaptar ao deserto, ambiente pobre e escasso de recursos, como água e comida. Esse fato fez com que eles desenvolvessem uma incrível capacidade de sobrevivência, a ponto de conseguirem se manter com uma alimentação grosseira e escassa, tornando-os, então, animais de grande rusticidade. 

O mercado para o Jumento Pêga 

Atualmente, a comercialização do Jumento Pêga está em pleno crescimento, principalmente porque faltam animais de qualidade e procedência no mercado, que apresentem excelente valor zootécnico. Resumidamente, o mercado comprador está mais exigente e quando criados dentro de um padrão de qualidade, os jumentos Pêga estão sendo vendidos para todo o Brasil, de norte a sul. 

Fonte: Jornal Estado de Minas/Grupo CPT
Crédito da foto: Divulgação

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