Mesmo com China ainda fora, boi gordo reage

Depois dos tombos na semana passada, preços da arroba registram valorização em algumas importantes regiões do País, como nas praças do Mato Grosso, informa a consultoria
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Mesmo com China ainda fora, boi gordo reage
Cotações do boi gordo vão retornando à normalidade – Foto: Mundo Agro Brasil/Ivaris Júnior
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Depois de muito burburinho e boatos nas últimas semanas, o mercado brasileiro do boi gordo parece estar retomando ao ritmo normal de negócios, apesar da permanência do veto aos embarques de carne bovina à China, depois da confirmação de dois casos atípicos de vaca louca (Encefalopatia Espongiforme Bovina-EEB) no Brasil (em Minas Gerais e no Mato Grosso), no início de setembro, informa a Agrifatto.

Na avaliação da consultoria, apesar da ausência da China, os frigoríficos brasileiros conseguiram retomar as exportações de carne bovina para outros importantes clientes internacionais.

“Não à toa visualizamos uma recuperação das cotações do boi gordo, tanto no mercado físico quanto na B3 (preços futuros)”, relata a consultoria, acrescentando que o preço balcão oferecido em São Paulo saltou dos R$ 295/@ para os R$ 300/@ durante os últimos dias da semana passada.

Nesta quarta-feira, 22 de setembro, o animal macho terminado seguiu estável, negociado a R$ 302/@, enquanto a vaca e novilha gordas valem R$ 283/@ e R$ 299/@, respectivamente (preços brutos e a prazo), segundo dados apurados pela Scot Consultoria.

“A Arábia Saudita, que havia suspendido as compras de carne bovina de cinco frigoríficos de Minas Gerais, já cancelou a suspensão; o Egito, que havia interrompido as aquisições de carne brasileira em 4 de setembro, voltou a importar a partir do dia 14”, observa a Agrifatto.

O maior entrave, ressalta a consultoria, segue na comunicação oficial do governo chinês sobre a retomada das importações, “mas, ao que tudo indica, essa decisão deve sair durante esta semana”, observa.

Diante dessa possibilidade, acrescenta a Agrifatto, é possível que o preço do boi gordo fique mais aquecido nas próximas semanas.

Na avaliação da IHS Markit, embora ainda haja poucas unidades de abate operando no mercado brasileiro do boi gordo, a possível recuperação dos preços da arroba será sustentada pela baixa escassez de oferta de animais terminados.

“Mesmo as indústrias frigorificas que dispõem de lotes oriundos de confinamentos próprios ou de negociações a termo (com entrega agendada para o atual período) já demonstram algum interesse em retomar as compras de gado”, relata a IHS.

Porém, observa a consultoria, esse movimento ainda é pontual, vinculado a particularidades regionais, “visto que há indústrias paralisadas e focadas em dar prioridade ao escoamento de estoques da carne e aguardar os desdobramentos das negociações envolvendo o governo da China”.

Entre as principais praças pecuárias do Brasil, destaque para as situadas nos Estados da região Norte.

Em Tocantins, informa a IHS Markit, as indústrias locais estão operando com preços mais firmes para o boi gordo, visando complementar lacunas em suas programações de abate e fechar o mês de setembro.

Em Rondônia, continua a IHS, “onde há unidades com necessidade de gado para amanhã”, os preços reagiram para garantir oferta para esta semana.

No Pará, a alta da arroba registrada nesta quarta-feira serviu para gerar maior liquidez, já que muitas indústrias optaram por não paralisar os abates, acrescenta a IHS.

Entre as praças do Centro-Sul, os preços da arroba estão majoritariamente estáveis, onde já não se nota espaço para pressão baixista, informa a IHS.

No Mato Grosso, as cotações da arroba do boi gordo reagiram, motivadas pelo retorno aos negócios de alguns plantas frigoríficas locais.

Em São Paulo, a disparidade entre os preços de compra e venda continuam gerando morosidade, relata a IHS.

No mercado futuro da B3, os contratos do boi gordo deram sequência aos movimentos de alta, com os vencimentos para nov/21 e dez/21 voltando a operar acima do piso de R$ 315/@.

“Embora o ímpeto das exportações de carne bovina em setembro seja interpretado como antecipação de embarques de compras anteriores, o fato é que o desempenho tem sido surpreendente importante para o escoamento da carne bovina já produzida”, avalia a IHS Markit.

A demanda pela carne proteína brasileira no último trimestre do ano seguirá seu efeito sazonal, com maior consistência do consumo doméstico e possível manutenção do firme ritmo das vendas internacionais com a aproximação do ano novo chinês, acrescenta a IHS.

No atacado, os preços dos principais cortes bovinos, bem como do sebo e couro industrial, permaneceram estabilizados nesta quarta-feira.

Apesar da lentidão das vendas, não há relatos de sobras de mercadorias, o que sugere um ambiente propício a acomodação dos preços, informa a IHS.

“Diante da paralisação temporária de algumas unidades de abate, a oferta de carne bovina não mostra sinais de maiores excedentes, o que poderá oferecer suporte a estabilidade, mesmo considerando o efeito de uma segunda quinzena de mês (período de menor poder aquisitivo da população, devido ao maior distanciamento do pagamento dos salários, sempre no início de cada mês)”, observa a IHS.

Cotações máximas desta quarta-feira, 22 de setembro, segundo dados da IHS Markit:

SP-Noroeste:

boi a R$ 304/@ (prazo)

vaca a R$ 293/@ (prazo)

MS-Dourados:

boi a R$ 302/@ (à vista)

vaca a R$ 285/@ (à vista)

MS-C.Grande:

boi a R$ 300/@ (prazo)

vaca a R$ 286/@ (prazo)

MS-Três Lagoas:

boi a R$ 296/@ (prazo)

vaca a R$ 281/@ (prazo)

MT-Cáceres:

boi a R$ 288/@ (prazo)

vaca a R$ 279/@ (prazo)

MT-Tangará:

boi a R$ 289/@ (prazo)

vaca a R$ 279/@ (prazo)

MT-B. Garças:

boi a R$ 287/@ (prazo)

vaca a R$ 276/@ (prazo)

MT-Cuiabá:

boi a R$ 291/@ (à vista)

vaca a R$ 276/@ (à vista)

MT-Colíder:

boi a R$ 286/@ (à vista)

vaca a R$ 277/@ (à vista)

GO-Goiânia:

boi a R$ 291/@ (prazo)

vaca R$ 279/@ (prazo)

GO-Sul:

boi a R$ 293/@ (prazo)

vaca a R$ 278/@ (prazo)

PR-Maringá:

boi a R$ 300/@ (à vista)

vaca a R$ 286/@ (à vista)

MG-Triângulo:

boi a R$ 302/@ (prazo)

vaca a R$ 286/@ (prazo)

MG-B.H.:

boi a R$ 293/@ (prazo)

vaca a R$ 281/@ (prazo)

BA-F. Santana:

boi a R$ 291/@ (à vista)

vaca a R$ 281/@ (à vista)

RS-Porto Alegre:

boi a R$ 303/@ (à vista)

vaca a R$ 294/@ (à vista)

RS-Fronteira:

boi a R$ 303/@ (à vista)

vaca a R$ 294/@ (à vista)

PA-Marabá:

boi a R$ 287/@ (prazo)

vaca a R$ 283/@ (prazo)

PA-Redenção:

boi a R$ 288/@ (prazo)

vaca a R$ 283/@ (prazo)

PA-Paragominas:

boi a R$ 287/@ (prazo)

vaca a R$ 285/@ (prazo)

TO-Araguaína:

boi a R$ 293/@ (prazo)

vaca a R$ 278/@ (prazo)

TO-Gurupi:

boi a R$ 291/@ (à vista)

vaca a R$ 276/@ (à vista)

RO-Cacoal:

boi a R$ 281/@ (à vista)

vaca a R$ 269/@ (à vista)

RJ-Campos:

boi a R$ 297/@ (prazo)

vaca a R$ 283/@ (prazo)

MA-Açailândia:

boi a R$ 288/@ (à vista)

vaca a R$ 265/@ (à vista)

Fonte: Portal DBO/Por Denis Cardoso
Foto: Mundo Agro Brasil/Ivaris Júnior

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