Investimentos no agro brasileiro definem o caminho na economia

17 de junho de 2022

O produto da vez é o agronegócio e o Brasil ocupará o papel de protagonista em investimentos da economia este ano
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Investimentos no agro brasileiro definem o caminho na economia
As perspectivas são ‘favoráveis’ para o agronegócio, não apenas para 2022, mas para os próximos três anos – Foto: aleksandarlittlewolf/Freepik

E ainda há quem diga que o Brasil não atrairá investimentos. Parece que os pessimistas de plantão não conseguirão sustentar essa ideia, porque a realidade diária desmente isso e, na verdade, é possível perceber aumento de interesse cada vez mais significativo por parte de empresas estrangeiras nos setores agropecuários brasileiros.

Seja na produção de alimentos, no desenvolvimento de soluções técnicas, na indústria ou no campo da pesquisa biodiversificada, o agronegócio brasileiro vai tomando a frente com desempenho seguro e economicamente positivo.

É palpável também se verificar o Brasil investindo no Brasil. Quando falamos em produção, agora mais do que nunca nas diretrizes da sustentabilidade, o fato é que o agronegócio pode ser protagonista da economia neste ano de 2022. E, de acordo com analistas da InvestNews, é sim um bom momento para investir no setor.

“Impulsionador do Produto Interno Bruto (PIB) no ano passado, apontado por economistas como único motor da economia em 2022 e com o recorde de abertura de capital de empresas do setor na bolsa de valores brasileira em 2021, o agronegócio pode ser protagonista da economia neste ano, impactando positivamente os investimentos no setor”, apontam os analistas.

Como nas análises econômicas se joga muito com projeções, as perspectivas de investimentos são ‘favoráveis’ para o agronegócio, não apenas para 2022, mas para os próximos três anos. É o que explica o analista da Terra Investimentos, Regis Chinchila, dizendo que “o mercado no Brasil, uma das principais economias do mundo no setor, promete se beneficiar dos preços das commodities neste ano, além da demanda consistente por alimentos, tanto no mercado interno quanto externo, que sustenta as perspectivas favoráveis para produção e preços agrícolas”. Para ele, o Brasil deverá continuar se destacando, com nova safra recorde de soja, recuperação dos volumes de milho e alta competitividade em proteínas animais.

E, segundo dados da provedora de informações financeiras Economatica, atualmente, são 10 as empresas dos segmentos açúcar e álcool e agricultura com capital aberto na bolsa de valores brasileira, sendo que quatro delas fizeram seu IPO somente em 2021.

Investimentos em pesquisas no NE

Nesta semana (14/06), foi divulgada a notícia de que a Bayer ampliou centro de pesquisa no Nordeste do Brasil. Os investimentos da empresa já são de R$ 125 milhões, em 2022, no centro de pesquisa que possui em Petrolina (PE), com 220 hectares.

Com os recursos deste ano, foram adicionados mais 26 mil metros quadrados dedicados a pesquisas com soja e milho. A estrutura extra inclui 12 novas câmeras de estufas cobertas, com temperatura controlada, lâmpadas led e irrigação automatizada.

Marijke Daamen, líder de operações da empresa, explicou as vantagens que levaram à escolha do local. Além das condições climáticas, processos antes feitos fora do Brasil, agora podem ocorrer no país.

“É um clima estável com um bom número de horas luz, são 300 dias de sol por ano, baixa pluviosidade que permite um bom controle de pragas e doenças e manejo irrigado que permite que a gente consiga entregar para a planta o que ela precisa para se desenvolver, mas essa condição climática permite acima de tudo que a gente plante o ano todo”, disse Daamen. “Isso nos confere um diferencial produtivo único porque a gente pode acelerar tecnologias produzindo mais este ano e testando ele nas regiões para as quais eles foram desenvolvidos.”

As condições encurtam o ciclo da soja para 80 dias. Todo o processo de desenvolvimento de variedades que antes era feito no Havaí, Estados Unidos, agora pode ser feito aqui.

De acordo com Márcia José, diretora de segurança de produção da Bayer, a ampliação da unidade em Petrolina gera o “ganho de eficiência de um ano” nos processos da companhia.

Contribuição da pecuária de corte para o PIB brasileiro

O agronegócio da pecuária de corte teve investimentos no valor de R$ 913,14 bilhões em 2021 no país. O dado aparece no Beef Report, relatório da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes. O montante corresponde a 10,5% do Produto Interno Bruto nacional.

“Esse volume inclui todos os negócios e movimentações relacionados à cadeia, incluindo desde valores dos insumos utilizados na pecuária, passando por investimentos em genética, sanidade animal, nutrição, exportações e vendas no mercado interno”, informa o relatório. Ou seja: a análise leva em consideração desde o dinheiro investido no custo da produção nas fazendas até os valores gerados pela indústria de transformação.

O faturamento dos criadores e as receitas do varejo ficaram tecnicamente empatados, com cerca R$ 240 milhões cada. O montante coloca os dois no topo da lista de movimentação gerada pelo agronegócio da pecuária de corte. Os frigoríficos aparecem os frigoríficos (R$ 220 bilhões).

Insumos e serviços para os produtores no campo geraram quase R$ 130 bilhões. No caso da indústria de transformação do setor, esses itens causaram a circulação próxima de R$ 60 bilhões. No varejo, esse mesmo ciclo bateu pouco mais de R$ 20 bilhões.

Dos R$ 220 bilhões de investimentos em abates nos frigoríficos, a maior parte — em torno de R$ 140 bilhões — veio do consumo no mercado interno de carnes. Cerca de R$ 60 bilhões foram conquistados com a venda do alimento para outros países. Além disso, a exportação de couro gerou R$ 7,5 bilhões para o agronegócio da pecuária.

Fonte: Redação MAB

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