Indicação Geográfica do Queijo do Marajó é decretada pelo INPI

Reconhecimento tem como objetivo proteger o nome do queijo que é símbolo da cultura marajoara para que, em outros locais fora do território delimitado, ninguém possa usar o mesmo nome
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Foto: Fernando Sette
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Através de publicação na Revista de Propriedade Intelectual, o Instituto Nacional de Propriedade (INPI) decretou, no final de março, a Indicação Geográfica (IG) do Queijo do Marajó. Sendo assim, a delimitação da área de IG do queijo do Marajó envolve as cidades de Cachoeira do Arari, Chaves, Muaná, Ponta de Pedras, Salvaterra, Santa Cruz do Arari e Soure. Esses locais fazem parte da base territorial do Arquipélago do Marajó, mais especificamente dos chamados Campos do Marajó, Microrregião do Arari, Mesorregião Marajó, no Estado do Pará.


O pedido de reconhecimento havia sido feito em 2018, pela Associação dos Produtores de Leite e Queijo do Marajó (APQL). De acordo com Cecília Pinheiro, que era presidente da APQL na época do pedido e é produtora na Fazenda São Victor, foi apresentado ao INPI um dossiê de quase 200 páginas de documentação, com informações climáticas, geológicas, socioeconômicas e culturais. Antes de mais nada vale esclarecer que esse reconhecimento através do IG tem como objetivo proteger o nome do Queijo de Marajó, que é símbolo da cultura marajoara, reconhecido no Brasil e no exterior. Dessa forma, ninguém fora do território delimitado pelo INPI poderá usar o mesmo nome em um queijo, restringindo o uso aos produtores e prestadores de serviços, de fato, da região. “O IG é uma garantia para o consumidor que ele está, de fato, comprando um queijo que é realmente produzido na região, que é do Marajó”, acrescenta Cecília.


No Brasil, atualmente, existem outras duas indicações geográficas queijeiras reconhecidas. São elas: Canastra e Serro. Para se obter o IG, é um processo bem longo, haja vista a necessidade de provar a tradição histórica do queijo, identificar os territórios onde se fabrica e estabelecer um caderno de regras de produção.


Mais de um século de tradição


A Ilha de Marajó, no Pará, recebeu as primeiras búfalas no ano de 1895, importadas da Itália por Vicente Chermont de Miranda. Como resultado, elas logo se adaptaram imediatamente ao clima quente e chuvoso.

O rebanho atual de búfalos na Ilha é de 213.427 cabeças, segundo o Censo de 2017. A criação era majoritariamente para carne e o queijo era feito apenas para subsistência e venda local. Contudo, a partir da década de 1990, o leite começou a ter mais importância econômica e o queijo foi sendo comercializado além das suas fronteiras.


De acordo com a história, a receita foi trazida por portugueses e franceses que colonizaram a região desde o século XX. No início era fabricada com leite de vaca, mas desde a chegada das búfalas os produtores perceberam que seu leite rende muito mais e dá mais qualidade ao queijo.

Sobre a Fazenda São Victor

A Fazenda São Victor, localizada em Salvaterra Marajó (PA), conta, atualmente, com uma criação de 300 búfalas que fornecem leite para a produção artesanal do Queijo do Marajó. Aliás, por lá é reproduzida uma receita secular da Ilha do Marajó, que utiliza, em sua fabricação, 100% de leite de búfala.


Além disso, o leite usado para a produção do Queijo do Marajó da Fazenda São Victor é coagulado naturalmente. Como resultado, o produto traz um sabor único ao paladar e, com ele, o resgate da tradição, valores e costumes da região.


Ademais, vale frisar que o Queijo do Marajó da Fazenda São Victor é detentor de diversos títulos. Entre eles: Prêmio Ouro do Encontro Nacional de Criadores de Bufálo e Marajó Bufálos em 2017; Prêmios Queijo Brasil, sendo Bronze em 2017, Super Ouro em 2018 e Ouro em 2019; e, por fim, o prêmio Prata da 4ª Edição do Mondial du Fromage et des Produits Laitiers, na França.


Se não bastasse tudo isso, o Queijo do Marajó da Fazenda São Victor ainda possui, desde março de 2020, o Selo Arte. Ou seja, um certificado que assegura que o produto foi elaborado de forma artesanal, com receita e processo que possuem características tradicionais, regionais ou culturais. Bem como autoriza que a Fazenda São Victor venda o produto para outras regiões.

“Fomos pioneiros na região Norte em obter esse Selo de inspeção. Somos os únicos produtores de Queijo do Marajó com esse registro. Sendo assim, a Fazenda São Victor é a única que produz queijo do Marajó e pode vender para outros estados”, finaliza Cecília Pinheiro.


Para mais informações sobre o Queijo do Marajó da Fazenda São Victor, acesse a página oficial no Facebook e no Instagram. Ou entre em contato pelo telefone (91) 99166-0284.

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