Identificação por brincos reduz marcações a fogo em bovinos

Propriedade está entre as quatro fazendas referência do projeto Redução da Marca a Fogo, que quer reduzir o uso da técnica tradicional e trazer bem-estar.
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Identificação por brincos e reduz marcações a fogo (1)
Identificar os animais com brincos ao invés da marca a fogo traz diversos benefícios – Foto: Divulgação Allflex Livestock Intelligence
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No Pontal do Triângulo, em Ituiutaba (MG), está a Fazenda Palmeiras, escolhida para ser uma das quatro propriedades referência do projeto Redução da Marca a Fogo em bovinos, que propõe a substituição da técnica pela identificação dos animais por meio de brincos. Desde agosto deste ano, a propriedade deixou de fazer nove das 10 marcações nos animais.

A iniciativa é conduzida pela empresa BE.Animal, o grupo ETCO – Grupo de Estudos e Pesquisas em Etologia e Ecologia Animal, da Unesp – Jaboticabal e a Fazenda Orvalho das Flores, com o apoio das empresas MSD Saúde Animal – e sua marca Allflex – e JBS.

O proprietário, Antônio Campbell Penna, está à frente da fazenda há 30 anos e faz questão de acompanhar todo o trabalho realizado. Hoje ele conta com um rebanho de 1.350 cabeças de gado e grande parte ainda carrega a marcação a fogo em várias partes do corpo. Essa realidade começou a mudar há poucos meses, quando a forma de fazer a identificação dos animais passou a ser por meio de brincos coloridos e bottons visuais e eletrônicos.

Das 10 marcações a fogo que eram feitas no couro dos animais, apenas uma ficou mantida, que é a marca da fazenda. “Cada mês e ano de nascimento tem uma cor de brinco e é isso que identifica quando foi a chegada do animal na fazenda, e não mais pela marcação a fogo. Só mantivemos a marca da fazenda em uma das patas do bovino por segurança”, detalha Penna.

Segundo o professor da Unesp e co-fundador da BE.Animal, Mateus Paranhos, a marcação a fogo é um procedimento antigo, tradicional e que carrega uma cultura em torno da prática. No entanto, a técnica é desgastante para os funcionários responsáveis pelo serviço, além não estar de acordo com os preceitos de bem-estar animal.

“Identificar os animais com brincos ao invés da marca a fogo traz diversos benefícios, como a redução do estresse animal, valorização do couro do bovino, além de vantagens para os trabalhadores da fazenda, para o pecuarista e para a própria imagem de toda a cadeia produtiva da pecuária”, detalha Paranhos.

Identificação por brincos e reduz marcações a fogo
Professor da Unesp Mateus Paranhos e co-fundador da BE.Animal – Foto: Divulgação Allflex Livestock Intelligence

Maior segurança e valorização do couro

Na Fazenda das Palmeiras todos os animais são cadastrados no Sistema Brasileiro de Identificação e Certificação de Bovinos e Bubalinos (SISBOV) e recebem o brinco assim que chegam à propriedade.

“O procedimento é importante porque dá ao fazendeiro uma segurança maior. Os funcionários sabem que o pecuarista tem esse controle nas mãos, diariamente, a qualquer momento. É fundamental também porque conseguimos registrar e acompanhar a evolução de cada animal”, comenta Penna.

Outro benefício da substituição da marca a fogo pelos brincos de identificação é o melhor aproveitamento do couro do animal. Mateus Paranhos explica que muitas das marcas eram colocadas na parte nobre do couro que engloba dorso, costado e anca, mesmo sendo proibida por lei (Lei nº 4.714, de 29 de junho de 1965). Com os brincos, há o menor risco de desvalorização do couro porque a aplicação não deixa cicatrizes na pele do animal.

Identificação por brincos e reduz marcações a fogo
Antes do projeto os animais recebiam até 10 identificações a fogo – Foto: Divulgação Allflex Livestock

Projeto busca orientar fazendas

Além da Fazenda Palmeiras, o projeto Redução da Marca a Fogo vem sendo implantado em outras três propriedades brasileiras: Fazenda São Clemente, em São José dos Campos (SP), Fazenda Rio Corrente, em Coxim (MS), e Fazenda Cambury, em Araguaiana (MT).

De acordo com Mateus Paranhos, essas quatro fazendas foram escolhidas para serem referência a outras propriedades que, no futuro, possam ter interesse em fazer a substituição de algumas marcas a fogo pelos brincos. “Já temos demanda por todo o Brasil. Do Rio Grande do Sul à Bahia, temos sido procurados por muitos proprietários ávidos em saber mais e interessados em adotar essa prática”, comenta Paranhos.

O diretor da unidade de negócios MSD Saúde Animal Intelligence, que atua com o portfólio da marca Allflex, Ivo Martins Alves Filho, explica que a identificação com brinco permite individualizar o rebanho e, atrelado a uma planilha ou software de gestão, otimiza o trabalho da propriedade e permite ao pecuarista fazer o gerenciamento de forma mais assertiva. “A identificação individual é uma importante ferramenta de gestão da atividade pecuária, além de contribuir para o bem-estar dos animais e das pessoas que atuam com eles”, destaca Martins.

Fonte: Allflex Livestock Intelligence/Attuale Comunicação
Foto: Divulgação Allflex Livestock Intelligence

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