Diante da guerra entre Rússia e Ucrânia, há quem defenda a necessidade de que países dependentes busquem por novos mercados e mais diversificação de fornecedores de alimentos. No entanto, de acordo com Qu Dongyu, PhD e diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, em um artigo publicado no último dia 11 de março, é preciso ter cautela com a redução das tarifas de importação.
Além dos desafios impostos pelo Covid-19 nos últimos dois anos, Dongyu apontou a segurança alimentar global como outro problema enfrentado durante a pandemia. “As duas nações desempenham um papel substancial na produção e fornecimento global de alimentos. Enquanto a Rússia é o maior exportador mundial de trigo, a Ucrânia é o quinto maior”, explica.
Dongyu destaca que os preços globais do trigo e da cevada tiveram um crescimento de 31% em 2021, enquanto os preços dos óleos de colza e de girassol aumentaram mais de 60%. Juntas, Rússia e Ucrânia fornecem 19% da oferta mundial de cevada, 14% da oferta mundial de trigo e 4% da oferta mundial de milho.
E reiterando a importância da Rússia e Ucrânia no fornecimento de grãos, ele pontua que 50 países, muitos deles de baixa renda e deficientes alimentares, localizados principalmente no norte da África e na Ásia, são dependentes dos dois países para 30% ou mais do suprimento de trigo.
E os desafios não param. De acordo com Dongyu, a colheita e distribuição da safra deste ano, principalmente na Ucrânia, enfrentará vários obstáculos, entre eles, pela falta de mão de obra. “Agricultores podem não conseguir colher cereais em junho por causa do número cada vez menor de trabalhadores. Os portos ucranianos no Mar Negro estão fechados e o transporte ferroviário de grãos pode não ser possível porque o sistema ferroviário não está funcionando”.
Fonte: Agrolink
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