A força do agronegócio impressiona dois ícones da tecnologia

19 de abril de 2022

Bill Gates e Mark Zuckerberg seriam os novos barões do agronegócio? Provavelmente não, mas que os números, a alta tecnologia e a inovação do setor os atraíram, isso é fato!
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Dois ícones da tecnologia ficam impressionados com a força do agronegócio
Bill Gates e Mark Zuckerberg visitaram, respectivamente, ranchos de criadores de bovinos na Austrália e na Dakota do Sul e ficaram tão impressionados – Foto: onlyyouqj/Freepik

Não é de se estranhar que o agronegócio chame a atenção do mundo financeiro cada vez mais. Talvez, o agro tenha se destacado tanto que a visão de alguns valores essenciais tenham se modificado ao longo do caminho. Mas, enquanto ‘produzir e gerar riquezas’ vem sendo um lema constante, muitos ‘investidores de carteirinha’ levaram a questão ao pé da letra adequaram essa ideia, não querendo deixar passar a oportunidade de apostar.  

As notícias mais recentes mostram que nos últimos dias, dois ícones da tecnologia se disseram impressionados com a força do agronegócio. Bill Gates e Mark Zuckerberg visitaram, respectivamente, ranchos de criadores de bovinos na Austrália e na Dakota do Sul. Eles ficaram tão impressionados que cada um deles fez uma postagem em suas páginas pessoais.

Bill icone da tecnologia ficam impressionados com a forca do agronegocio
Bill: impressionado com os procedimentos de alta tecnologia – Foto: Leon Neal/Pool via REUTERS

O CEO e fundador da Microsoft (Bill Gates) dedicou um post em seu blog à fazenda que visitou e que trabalha com a inseminação artificial de vacas. “Já visitei várias pequenas propriedades como parte do meu trabalho com a Fundação  – Bill e Melinda Gates -, mas nada me preparou com o que eu encontrei”, escreveu.

O executivo se disse impressionado com os procedimentos de alta tecnologia e com a inovação utilizada para gerar carne de alta qualidade a preços acessíveis. Ele fez uma comparação sobre a forte produção leiteira de países desenvolvidos, citando, por exemplo, que vacas norte-americanas são capazes de produzir quase 30 litros de leite, contra 1,69 litros na Etiópia.

Com o conhecimento adquirido, Gates quer levar, através de sua organização sem fins lucrativos, as técnicas aprendidas na Austrália e nos Estados Unidos para produtores rurais da África. “Se os produtores africanos estiverem equipados com o mesmo nível de conhecimento, eles serão capazes de escolher os melhores bois e vacas para criar melhores bezerros”, raciocinou.

Agronegócio e Facebook

Já o criador e CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, contou na rede social que foi almoçar com uma família do interior. “Há alguns anos, no Facebook, nossos chefs prepararam um suíno. Lembro que alguém disse que estava delicioso, mas comentou que não gostaria de saber de onde aquela carne tinha vindo. Eu sempre pensei que deveríamos agradecer e entender de onde vem nossa comida, então este ano tracei como meta comer apenas carne (de animais) que ajudei a sacrificar”, ponderou.

Zuckerberg resolveu, então, conhecer a família Norman, na Dakota do Sul. Ele viu os procedimentos dos bovinos para a engorda e conferiu pessoalmente os problemas da seca, que há três anos tem afetado a região. Após acompanhar o desafio diário dessa família de produtores rurais, ele agradeceu pela estadia e finalizou: “Famílias como eles nem sempre são reconhecidas, mas dependemos muito do trabalho que eles realizam”.

De onde vêm os atrativos para investir no agro?

Bill Gates, um dos homens mais ricos do mundo, colocou boa parte da sua fortuna em um setor específico. Aposta alto no setor da agricultura e se tornou o maior proprietário de terras rurais dos Estados Unidos. Hoje, ele tem um patrimônio líquido de quase US$ 121 bilhões, com um portfólio de terras agrícolas em 18 estados.

Durante uma entrevista ao Portal Inteligência Financeira, o fundador da Microsoft disse que a ciência de sementes e o desenvolvimento de biocombustíveis foram os principais motivos das aquisições de terras. Segundo Bill Gates, o setor agrícola é importante por várias razões: lidar com dificuldades climáticas e resolver problemas relacionados à emissão de carbono, por exemplo.

Mas, pode-se pensar que por trás das suas aquisições em terrenos em 18 dos 50 estados americanos, há uma estratégia bem clara: buscar ganhos com uma das indústrias mais sólidas, resilientes e lucrativas do mundo ‒ a agropecuária.  Uma das razões pelas quais ele, assim como muitos outros grandes investidores, opta em alocar grande parte do seu patrimônio nesses ativos tangíveis é, em minha análise, por saber que essas alocações possuem uma característica particular de reserva patrimonial, por ser uma reserva de verdade.

No Brasil, o agronegócio tem apresentado bons números. De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio brasileiro cresceu 8,36%, no ano passado, enquanto o PIB nacional avançou 4,6%. A participação do setor alcançou 27,4% no PIB do país, a maior desde 2004.

Na análise do estrategista, Gustavo Cruz, da RB Investimentos o Agro é uma das tendências de investimento de médio e longo prazo, assim como a tecnologia. “Existem grandes investimentos a serem feitos no agronegócio mundo afora. Olhando para o Brasil, tem muita tecnologia e maquinários para serem levados para o campo, o que vai se traduzir em produções maiores ao longo dos próximos anos. Para o investidor, é interessante ter uma reserva do patrimônio em agro”, mencionou.

E ele diz que há opções para todos os perfis. “Para quem quer investir, o mercado oferece produtos como Certificados de Recebíveis Agrícolas (CRAs), as Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs), os Fiagros (Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais) e as ações de companhias listadas na B3”.

Cada um dos produtos tem suas características e é indicado para um determinado perfil de investidor. Os Certificados de Recebíveis Agrícolas, por exemplo, são títulos de renda fixa emitidos por instituições securitizadoras com o objetivo de financiar o setor agrícola.

Já os Fiagros, lançados no ano passado, são inspirados nos fundos imobiliários, com adaptações para o cenário rural. Como um ativo de renda variável, a rentabilidade varia. De acordo com dados da Economatica, o Riza Agro-Fiagro Imobiliário (RZAG11), primeiro Fiagro que estreou na B3, acumula 4% de retorno desde a estreia, em outubro do ano passado, e 5,23% em 2022. Entre os piores resultados está o Fiagro Bbgo (BBGO11), que registrou até março deste ano um retorno negativo, de − 13,30%.

“O ideal é que perfis conservadores ou moderados foquem em ativos de renda fixa, como os CRAs ou LCAs. Já os Fiagro ou outros fundos que investem no setor são voltados para perfis mais agressivos, pois são investimentos voláteis”, ressalta Gustavo. A dica é ficar atento aos prazos: o investimento em agronegócio geralmente requer uma estratégia de longo prazo. “Nem sempre você vai investir em recursos que vão trazer resultados em um ano. Mas, acredito que tenham muitas oportunidades e que esse é um setor muito sólido”. 

Analistas, em geral, concordam que o agronegócio é um mercado tão único e promissor para o investidor brasileiro que até mesmo a alta do dólar, vista com pessimismo pelo senso comum, pode ser benéfica para o setor. Isso porque, como Brasil é um grande exportador de commodities, o câmbio mais alto gera mais lucros quando as vendas são convertidas em reais. E, como a maior parte dos custos são em reais, o dólar alto acaba nem inflando muito os gastos com a produção.

Fonte: Grupo Modulo/Inteligência Financeira

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