Nos fertilizantes, Brasil pode ter socorro de países árabes

Países árabes têm interesse em exportar fertilizantes para o Brasil. Alento pode chegar do Marrocos, Egito, Jordânia, Omã e Catar, que possuem o maior potencial de aumentar suas exportações
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Nos fertilizantes, Brasil pode ter socorro de países árabes
Países Árabes tem condições de ampliar o fornecimento de fertilizantes para o Brasil – Divulgação CCAB

As nações que fazem parte da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira (CCAB) têm interesse em ampliar a exportação de fertilizantes para o Brasil. A afirmação é do secretário-geral do órgão, Tamer Mansour.

“Sem dúvidas, há interesse da indústria árabe em vender mais para o Brasil”, disse Mansour. “São países que podem abastecer o mercado brasileiro”. Entre os países que poderiam exportar o maior volume que o fornecido atualmente ao Brasil, ele cita especialmente Marrocos, Egito, Jordânia, Omã e Catar.

Além dos nitrogenados, entre os nutrientes para ser exportados estão os fosfatados e potássicos. As cadeias de suprimentos de fertilizantes para o Brasil foram afetadas com as sanções internacionais aplicadas à Rússia pela invasão à Ucrânia.

Contudo, o secretário-geral da CCAB afirma não acreditar que os países árabes “consigam substituir 100% do volume que a Rússia fornece”. Segundo sua análise, “o mundo vai olhar para os árabes como o Brasil está olhando”. Contudo, ele acredita que uma “fatia grande” pode ser atendida.

“Eles possuem produção que seria suficiente para atender o Brasil”, afirmou Mansour. “Se trabalhar o mercado com esses países, o país consegue compensar parte do volume que perde ou que seria difícil de receber da Rússia no curto prazo. Em potássio, vemos muito potencial do Marrocos e da Jordânia”, conclui.

potassio
Pilhas de resíduos na mina de potássio Belaruskali, perto da cidade de Soligorsk, em Belarus, país envolvido na guerra da Ucrânia, ex-fornecedor de fertilizantes do Brasil – Agência Reuters/Vasily-Fedosenko

O consumo de fertilizantes no Brasil

O Brasil é o quarto maior consumidor de fertilizantes do mundo (atrás de China, Índia e Estados Unidos) e o maior importador mundial desses insumos. Em 2021, dos mais de 40 milhões de toneladas de fertilizantes consumidos no país, 85% foram importados.

A parcela das importações na demanda interna de adubos e fertilizantes tem crescido ano a ano: em 2017, os importados representavam 76% do total, segundo dados da Anda (Associação Nacional para Difusão de Adubos).

“O solo brasileiro precisa muito de fertilizantes porque ele é naturalmente pobre em nutrientes”, explica José Carlos Polidoro, pesquisador da Embrapa Solos. “É diferente do hemisfério Norte — dos EUA, da Europa — que são regiões de solos férteis. Nossos solos são de baixa fertilidade, principalmente no Cerrado, onde estão nossos melhores solos para agricultura — têm muita água, são solos profundos, planos, mas têm essa limitação natural de nutrientes, que é algo próprio da natureza tropical”, diz Polidoro.

A soja é a principal cultura consumidora de fertilizantes no país. Somada com o milho, a cana-de-açúcar e o algodão, essas quatro culturas absorvem mais de 90% do fertilizante produzido ou importado pelo Brasil, destaca o pesquisador da Embrapa.

Somente em 2020, a demanda brasileira por fertilizantes cresceu 12% em relação ao ano anterior e, em 2021, aumentou novamente em 14%, acompanhando uma tendência mundial de avanço do consumo de fertilizantes, além de sucessivas safras recordes de grãos no país.

Esse aumento de demanda se refletiu nas importações de fertilizantes vindos da Rússia, que praticamente dobraram no último ano, passando de US$ 1,8 bilhão em 2020, para US$ 3,5 bilhões (R$ 18 bilhões) em 2021.

A Rússia responde, sozinha, por 23% das importações brasileiras de fertilizantes, que somaram US$ 15,2 bilhões (R$ 78,4 bilhões) no ano passado. Para se ter uma ideia, o valor importado em fertilizantes da Rússia é quase 70% maior do que o segundo colocado nas importações, a China, de onde importamos US$ 2,1 bilhões em fertilizantes em 2021.

E tem ainda Belarus, sétimo maior exportador de fertilizantes ao Brasil, respondendo por 3% das nossas importações desses insumos e aliado da Rússia na invasão à Ucrânia. Assim, os dois países aliados respondem juntos por 26% da importação brasileira de fertilizantes, um grau de dependência relevante e que explica o olhar atento do país ao conflito no Leste Europeu.

“A Rússia atualmente é o maior exportador de NPK mundial”, observa Marcelo Mello, diretor de fertilizantes da consultoria StoneX. NPK é a sigla para nitrogênio (N), fósforo (P) e potássio (K), os três macronutrientes mais importantes para a nutrição das plantas.

O nitrogênio é obtido a partir do gás natural, combustível do qual a Rússia é o segundo maior produtor do mundo e o maior exportador. O fósforo e o potássio, por outro lado, são produtos minerais, dos quais o país de Vladimir Putin tem minas abundantes.

“A Rússia sempre foi um importante fornecedor de fertilizantes para o Brasil e o volume importado cresceu nos últimos anos porque estávamos com uma demanda imensa e eles tinham a capacidade de nos vender”, explica Mello.

Fonte: Mundo Agro Brasil – MAB com informações da CCAB

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